<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866</id><updated>2012-02-20T16:06:11.847-02:00</updated><category term='Sonho de Uma Noite de Verão'/><category term='Histórias Inesquecíveis'/><category term='Biscaia'/><category term='Três Sombras'/><category term='Rodrigo Rosa'/><category term='Maus'/><category term='Daniel Esteves'/><category term='Quadrinhos Independentes'/><category term='tex'/><category term='André Diniz'/><category term='Quadrinhos Românticos'/><category term='Quadrinhos Nacionais'/><category term='Paul Jenkins'/><category term='São Paulo'/><category term='Sambre'/><category term='Para Aprender Mais'/><category term='Crônicas'/><category term='Humberto Ramos'/><category term='J.B.Melado'/><category term='Solar'/><category term='Quadrinhos Europeus'/><category term='Jean Galvão'/><category term='Semana do Quadrinho Nacional'/><category term='Auto da Barca do Inferno'/><category term='futebol'/><category term='Wander Antunes'/><category term='Outras Histórias'/><category term='Década de 80'/><category term='David Small'/><category term='Holocausto'/><category term='Laudo Ferreira'/><category term='Wellington Srbek'/><category term='Rafael Quimica'/><category term='Quadrinhos Infantis'/><category term='Carlos Ferreira'/><category term='Roger Cruz'/><category term='Quadrinhos Educativos'/><category term='faroeste'/><category term='Sandman'/><category term='Yeshuah'/><category term='Asterix'/><category term='Eerie'/><category term='Danilo Beyruth'/><category term='Calvin'/><category term='Julius Ckvalheiyro'/><category term='Guerra'/><category term='Canudos'/><category term='Shakespeare'/><category term='Will'/><category term='2ª Guerra'/><category term='Cyril Pedrosa'/><category term='Quadrinhos'/><category term='Editora Nemo'/><category term='Rafael Sica'/><category term='Wanderson de Souza'/><category term='taxi'/><category term='Calafrio'/><category term='frankenstein'/><category term='Yslaire'/><category term='Diamantino da Silva'/><category term='DW'/><category term='Lucas da Feira'/><category term='Yoshitaka Amano'/><category term='Neil Gaiman'/><category term='Bangue-bangue'/><category term='Xampu'/><category term='Kripta'/><category term='Teatro Popular União e Olho Vivo'/><category term='Gibiteca Henfil'/><category term='Terror'/><category term='Trincheira Solitária'/><category term='Fábulas'/><category term='José Aguiar'/><category term='Rock Nacional'/><category term='Jozz'/><category term='Vó'/><category term='Lillo Parra'/><category term='Memórias de um Gibizeiro'/><category term='Flavio Colin'/><category term='Caçadores de Sonhos'/><category term='Art Spiegelman'/><category term='Gustavo Duarte'/><category term='Bando de Dois'/><category term='ken parker'/><category term='Livros teóricos'/><category term='Underground Brasileiro'/><category term='Os Sertões'/><category term='Balac'/><category term='Che Guevara'/><category term='Projeto Continuum'/><category term='Nelson Rodrigues'/><title type='text'>Gibi Rasgado</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>69</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-4322041101433662058</id><published>2012-02-04T16:39:00.001-02:00</published><updated>2012-02-04T16:39:01.687-02:00</updated><title type='text'>E agora José?</title><content type='html'>&lt;p&gt;Nunca poderia imaginar a encrenca em que eu estava me metendo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;É sério. E bastante sincero também. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Aliás, esta é uma postagem sincera, destinada aos amigos que visitam este blog e a quem eu devo muito.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quando fiz este blog, há dezoito meses, tudo o que eu queria era voltar a escrever e se no processo acabasse ganhando um gibis de graça, ótimo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas na prática o que aconteceu foi bem diferente.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Este blog me apresentou um monte de gente. Gente de São Paulo, com quem sempre bato papos deliciosos, gente da Bahia e de Minas, que tomei por irmãos, gente do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-diSgk66YX5o/Ty17O_jrO0I/AAAAAAAAAcU/tVEhoCbstt8/s1600-h/amigos%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img title="amigos" border="0" alt="amigos" src="http://lh6.ggpht.com/-zk6I796zo04/Ty17Prw2HOI/AAAAAAAAAcc/xFMZGXQSqRI/amigos_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="395" height="301" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Este blog me apresentou os quadrinhos do país inteiro e foi indicado ao HQMix (por essa eu realmente não esperava), minhas resenhas criaram amizades e estreitaram as já existentes, sabe-se lá como, atravessaram o mar e foram publicadas em Portugal (com português de lá, ora pois sim), viraram releases oficiais e apareceram até em orelha de livro.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E quando percebi, estava novamente me acostumando com o apelido resgatado da infância. Aqui em casa, no teatro e no trabalho, todos me conhecem e me chamam de Will, apelido que aboli quando criei o GR, afinal, já existia um cara com esse nome nos quadrinhos. Achava que no máximo uma meia dúzia de pessoas me chamariam de Lillo…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas da infância, não foi apenas o apelido que foi resgatado. O GR também resgatou alguns sonhos e me deu a oportunidade de realizá-los.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Aos 14 anos eu sabia que um dia seria ator. Era uma certeza. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E fui durante 20 anos, metade da minha vida.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas aos 11, tudo o que eu queria era ser desenhista de gibi. O tempo se encarregou de me mostrar que eu desenhava mal pra cacete. A vida se encarregou do resto e o tal sonho ficou guardado dentro daquelas caixas empoeiradas da memória, as mesmas que dificilmente abrimos. E quando a abrimos apenas percebemos que envelhecemos, nos defendendo da frustração de um um sonho perdido com a clássica frase “como eu era besta, imagina, ser desenhista de gibi!”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-2M8u_kWrsWE/Ty17QUgt7MI/AAAAAAAAAck/43VE6B7c-kQ/s1600-h/assinando%25255B12%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; border-top: 0px; border-right: 0px" title="assinando" border="0" alt="assinando" align="left" src="http://lh5.ggpht.com/-CElAChn68A0/Ty17RKjnqQI/AAAAAAAAAcs/eXL1qnvfZTU/assinando_thumb%25255B10%25255D.jpg?imgmax=800" width="181" height="212" /&gt;&lt;/a&gt;Como disse, eu desenho mal. Mas escrevo bem, ao que parece.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E o GR – de uma maneira estranha – acabou levando meu nome às páginas de um gibi.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt; E esse é o principal motivo desta postagem.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;2011 foi um ano fantástico, mas 2012 já começou chutando a porta. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ainda no FIQ, sob o efeito do lançamento de &lt;strong&gt;Sonho de Uma Noite de Verão&lt;/strong&gt;, fui surpreendido pelo amigo (e meu editor) &lt;strong&gt;Wellington Srbek&lt;/strong&gt; com um novo convite. Ele me perguntou se eu estaria interessado em escrever um segundo volume para a coleção &lt;strong&gt;Shakespeare em Quadrinhos&lt;/strong&gt;. É claro que eu estava. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E foi assim que me enfiei na produção de &lt;strong&gt;A Tempestade&lt;/strong&gt;, a última peça do dramaturgo inglês. A vítima da vez em me aturar e dar forma às minhas pirações é o excelente &lt;strong&gt;Jefferson Costa&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Só que a coisa não pára por aí. Eu e o &lt;strong&gt;Will&lt;/strong&gt; (isso vai dar uma confusão na noite de autógrafos) temos um trampo pra fazer nesse ano. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E já tá pintando alguns outros projetos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ou seja, não me tornei desenhista de gibis como queria na tenra infância, mas definitivamente acabei virando um roteirista. Pelo menos enquanto as pessoas continuarem acreditando e gostando do meu trabalho.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas isso tem um preço. E para minha infelicidade, ele não é baixo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Por conta dos compromissos, o GR vai precisar mudar. Ficou praticamente impossível tratá-lo com o carinho e periodicidade que eu gostaria.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Então tive que fazer algumas escolhas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O GR não vai sumir, mas vai mudar o foco.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Minhas resenhas semanais continuarão existindo, mas agora serão publicadas apenas no &lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/" target="_blank"&gt;Quadro a Quadro&lt;/a&gt;. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Já no GR as atualizações não serão tão frequentes, embora eu espere publicar algo ao menos quinzenalmente. E confirmando uma tendência que permeou minhas publicações em 2011, o GR vai, prioritariamente, falar sobre o mercado independente.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E o espaço continuará democrático. Então, ao pessoal de quadrinhos que estiver interessado em divulgar seu trampo, basta enviar o material para &lt;a href="mailto:gibirasgado@gmail.com"&gt;gibirasgado@gmail.com&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Peço desculpas a todos e agradeço sinceramente aos amigos que acompanharam o GR durante esse tempo todo, embora conte também com a presença de vocês nessa nova fase.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E é isso. E agora chega, porque sou chorão…&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-4322041101433662058?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/4322041101433662058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2012/02/e-agora-jose.html#comment-form' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/4322041101433662058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/4322041101433662058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2012/02/e-agora-jose.html' title='E agora José?'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/-zk6I796zo04/Ty17Prw2HOI/AAAAAAAAAcc/xFMZGXQSqRI/s72-c/amigos_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-6776188970063413546</id><published>2012-01-07T11:53:00.001-02:00</published><updated>2012-01-07T12:07:46.945-02:00</updated><title type='text'>Tudo aquilo que a mamãe sonhou pra mim…</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-TkX4p9JFOv4/TwhOQcSKrJI/AAAAAAAAAbk/McVQbTfxi3g/s1600-h/view%25255B4%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px" title="view" border="0" alt="view" src="http://lh6.ggpht.com/-rpmwQuuYui4/TwhORA0pV0I/AAAAAAAAAbs/Vw65MFMTUnc/view_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="390" height="280" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;“Ano novo, vida nova!”&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não conheço pior chavão que esse. Podia ter faturado os 170 milhões na mega da virada e ainda assim não seria uma vida nova, seria a velha com mais (muito mais) dinheiro, só isso.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Na verdade o ano novo é só um dia que veio depois de um outro, geralmente com uma baita festa no meio. As pessoas não mudam com uma simples virada de calendário, a vida não é renovada e não será tudo diferente.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quer a prova? No dia 31/12/2010, faltando cinco minutos pra meia noite, você também pensava que 2011 seria diferente, não é? &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A verdade é que a virada do ano não muda absolutamente nada na vida de ninguém e achar que abraços e brindes de frisante apagarão tudo o que houve antes e criarão as condições propícias para uma nova vida é, para se dizer o mínimo, ingenuidade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O que muda nossa vida é aquilo que fazemos com ela nos 364 dias restantes…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E se você não fez nada até agora, é melhor começar a correr atrás. E rápido…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas não se anime, a maioria das pessoas correm atrás de uma nova vida e o máximo que conseguem é apenas sobreviver na antiga.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Com &lt;strong&gt;Bátima&lt;/strong&gt; é assim.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não o conhece? &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Bátima&lt;/strong&gt; é uma HQ de 16 páginas e integra a coleção da revista &lt;strong&gt;&lt;a href="http://revistasamba.blogspot.com/"&gt;Samba&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;De autoria de &lt;strong&gt;&lt;a href="http://oandrevalente.com/"&gt;André Valente&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, a partir de uma idéia original dele e do &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/7childrensbar/"&gt;Gabriel Góes&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Bátima&lt;/strong&gt; custa menos que uma rodada de cerveja no boteco (R$ 6,00) mas sua ressaca durará dias, garanto.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/-lAYfrb_G2iE/TwhOSgUbQzI/AAAAAAAAAb0/1kMyoTNhPTM/s1600-h/img014%25255B4%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px" title="img014" border="0" alt="img014" src="http://lh4.ggpht.com/-bgJUi0y4N5Q/TwhOTrZxPZI/AAAAAAAAAb8/LnUyu1ICFJQ/img014_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="394" height="385" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Vamos aos fatos: a história de &lt;strong&gt;Bátima&lt;/strong&gt; não é original e já foi retratada em todas as mídias e formas de arte existentes.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas convenhamos, não existem histórias originais. O que existe são formas originais de se contar uma mesma história.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E aí reside toda a genialidade de &lt;strong&gt;Bátima&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Alguém nobre, capaz de tudo para proteger sua família de qualquer chateação, onde de dia se disfarça de cidadão comum e a noite revela sua verdadeira natureza.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A história lhe parece familiar? Ouvindo ecos do mito do Herói, tão bem aproveitado pela indústria de quadrinhos norte americana? &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Esqueça! Essa não é a história de &lt;strong&gt;Bátima&lt;/strong&gt;. Se há algum mito ali, é o &lt;em&gt;Mito da Caverna&lt;/em&gt;, de &lt;em&gt;Platão&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas nesse Mito da Caverna, &lt;strong&gt;Bátima&lt;/strong&gt; não é o fugitivo e sim o acorrentado. Um homem preso na própria imagem que criou pra si, incapaz de enxergar a verdade e vivendo num jogo de sombras e mentiras que o levarão inevitavelmente ao abismo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ler &lt;strong&gt;Bátima&lt;/strong&gt; é se lembrar daquele cara fracassado, que morreu de cirrose depois que o grande projeto de sua vida naufragou; ou então da mãe espancada sistematicamente pelo marido durante décadas; ou ainda do desajustado socialmente que acabou enforcado no próprio lustre da sala.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas o pior de tudo é perceber que &lt;strong&gt;Bátima&lt;/strong&gt; traz um pouco da história de qualquer um, com as mentiras que contamos a nós mesmos na vã esperança que aquilo um dia se torne realidade, com as mentiras que contamos aos outros para disfarçar a imensa vergonha da derrota, com as diversas identidades secretas que criamos – dia após dia – na desesperada tentativa de nos tornarmos seres humanos melhores.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O gibi de &lt;strong&gt;André Valente&lt;/strong&gt; é muito mais do que uma história de 16 páginas. É uma história que ficará na sua cabeça durante dias, meses até. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Bátima &lt;/strong&gt;é um daqueles gibis memoráveis. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quer realmente que o ano novo lhe descortine uma nova vida?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Leia &lt;strong&gt;Bátima&lt;/strong&gt; e reflita sobre o que você anda fazendo nos 364 dias entre 02/01 e 31/12.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-yLTt7ZyOdlI/TwhOUBBfxTI/AAAAAAAAAcE/9GtEcKlKGI0/s1600-h/B08%25255B4%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px" title="B08" border="0" alt="B08" src="http://lh4.ggpht.com/-BefMdaNq_wA/TwhOVPsvbsI/AAAAAAAAAcM/Dd2rOh9KyOU/B08_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" width="408" height="574" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-6776188970063413546?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/6776188970063413546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2012/01/tudo-aquilo-que-mamae-sonhou-pra-mim.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/6776188970063413546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/6776188970063413546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2012/01/tudo-aquilo-que-mamae-sonhou-pra-mim.html' title='Tudo aquilo que a mamãe sonhou pra mim…'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/-rpmwQuuYui4/TwhORA0pV0I/AAAAAAAAAbs/Vw65MFMTUnc/s72-c/view_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-7981773411588377864</id><published>2011-12-22T22:29:00.001-02:00</published><updated>2011-12-22T23:17:58.165-02:00</updated><title type='text'>2011</title><content type='html'>&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-L3t_ToECF8E/TvPLXcK8FoI/AAAAAAAAAaA/vrVT2J2oKfg/s1600-h/ed216101001945%25255B4%25255D.jpg"&gt;&lt;img alt="ed216101001945" border="0" height="603" src="http://lh3.ggpht.com/-k-Mfe2jlUhg/TvPLZD6jRAI/AAAAAAAAAaI/IAI5sghrsuI/ed216101001945_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" title="ed216101001945" width="377" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Que ano…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que eu queria quando me afastei do teatro no final de 2010 era um pouco de sossego pra resolver uma penca de problemas aqui em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As vezes me pergunto porque fui dar ouvidos a minha esposa e ao Lucas Pimenta pra fazer um blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nunca me diverti tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2011 começou com o pé na porta da minha pacata vidinha suburbana. Culpa do &lt;b&gt;Wellington Srbek&lt;/b&gt;. Janeiro nem tinha chegado na metade e eu já ia fazer um gibi pra &lt;b&gt;Editora Nemo&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/-dVKCTc3pCl0/TvPLcTm6PeI/AAAAAAAAAaQ/ZayHxVo8B6A/s1600-h/al173100001944%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img align="left" alt="al173100001944" border="0" height="262" src="http://lh6.ggpht.com/-8ucwvFRPjEQ/TvPLdvrA00I/AAAAAAAAAaY/thhU-nMBvqE/al173100001944_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; float: left; margin: 0px 12px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" title="al173100001944" width="188" /&gt;&lt;/a&gt;Não sei exatamente se já deixei claro o que isso representou pra mim. Eu sou um leitor compulsivo de quadrinhos. Aprendi a ler com eles quando tinha apenas 6 anos. E lá se vão 33 anos e milhares e milhares de gibis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu primeiro sonho foi ser desenhista de quadrinhos. Sou um mal desenhista mas, ao que tudo indica, tenho jeito pra escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não é todo dia que a gente consegue realizar um sonho de infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas 2011 também foi um ano pra estreitar amizades.&lt;br /&gt;O &lt;b&gt;Will&lt;/b&gt;, o &lt;b&gt;Laudo&lt;/b&gt;, o maluco do &lt;b&gt;Daniel Esteves&lt;/b&gt;, o &lt;b&gt;Flavio Luiz&lt;/b&gt;, a galera do &lt;b&gt;Quarto Mundo&lt;/b&gt;, o &lt;b&gt;Gilmar&lt;/b&gt;, o &lt;b&gt;Gustavo&lt;/b&gt; e, claro, o &lt;b&gt;Wanderson, &lt;/b&gt;que aturou por meses minhas loucuras e apesar disso conseguiu manter a sanidade e o talento intactos pra desenhar &lt;b&gt;Sonho de Uma Noite de Verão.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também mais um monte de gente que conheci na estrada e por quem fiquei encantado, como o &lt;b&gt;Aloisio de Castro&lt;/b&gt;, os gêmeos &lt;b&gt;Magno e Marcelo Costa&lt;/b&gt;, o &lt;b&gt;Kris Zullo&lt;/b&gt;, o &lt;b&gt;Arnaud, &lt;/b&gt;o &lt;b&gt;Rafael Química&lt;/b&gt;, o trio gaúcho &lt;b&gt;Pax, Azeitona e Santolouco&lt;/b&gt; (talentosíssimos malucos e gente da melhor qualidade) e mais um monte de profissionais e leitores aos quais já peço desculpas antecipadas pela imperdoável indelicadeza por não cita-los nominalmente aqui. Culpa da minha memória de formiga sem antenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o ano de 2011 também marcou a despedida da &lt;b&gt;Livraria HQMix&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calma, caso você tenha ficado fora no último mês, a &lt;b&gt;HQMix &lt;/b&gt;não acabou. Apenas vai sair da Praça Roosevelt, no centro de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que só aumenta minha admiração e amizade pelo &lt;b&gt;Gual, &lt;/b&gt;pela &lt;b&gt;Dani &lt;/b&gt;e pelo &lt;b&gt;Floreal&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo com as incertezas que um processo de mudança desses causa, eles nunca deixaram a peteca cair. Devo a eles algumas das minhas melhores conversas durante o ano de 2011 e – sem qualquer sombra de dúvidas – minha eterna gratidão por toda a amizade e carinho que eles, incondicionalmente, sempre ofereceram a mim e a minha esposa (que continua toda parafusada).&lt;br /&gt;E como não poderia deixar de ser, devo muito (mas muito mesmo) ao &lt;b&gt;Lucas Pimenta&lt;/b&gt;, ao &lt;b&gt;Sergio Barreto&lt;/b&gt; e ao &lt;b&gt;Marcello Fontana&lt;/b&gt;. A amizade deles é um dos meus principais faróis. Graças a esses baianos (o Marcello diz que é mineiro, mas acho que é mentira) atravessei todo o ano de 2011, apesar dos buracos que peguei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tem também o &lt;b&gt;Adalton&lt;/b&gt;, o &lt;b&gt;Portilho&lt;/b&gt; e toda a turma do &lt;b&gt;Quadro a Quadro. &lt;/b&gt;É uma delícia fazer parte dessa turma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para o ano que vem a lista só aumentará, tenho certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De cara já posso contar que virá mais um volume da coleção &lt;b&gt;Shakespeare em Quadrinhos&lt;/b&gt;, pela &lt;b&gt;Nemo&lt;/b&gt;, e mais dois projetos bem bacanas em parceria com o &lt;b&gt;Will.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;E que venha 2012!&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a gente se encontra por aí…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lillo – 22/12/2011&lt;br /&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-Un151T76ja0/TvPLfmN7oLI/AAAAAAAAAag/vKgf88oFlk8/s1600-h/wonder-woman-xmas%25255B4%25255D.jpg"&gt;&lt;img alt="wonder-woman-xmas" border="0" height="548" src="http://lh4.ggpht.com/-rTJbO3hlXYw/TvPLhFPAemI/AAAAAAAAAao/0AuUk6yqzkk/wonder-woman-xmas_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" title="wonder-woman-xmas" width="380" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-7981773411588377864?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/7981773411588377864/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/12/2011.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/7981773411588377864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/7981773411588377864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/12/2011.html' title='2011'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/-k-Mfe2jlUhg/TvPLZD6jRAI/AAAAAAAAAaI/IAI5sghrsuI/s72-c/ed216101001945_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-7177744666488308708</id><published>2011-12-16T00:22:00.001-02:00</published><updated>2011-12-16T00:22:27.630-02:00</updated><title type='text'>Sangue no chão e um cheiro podre no ar</title><content type='html'>&lt;p&gt;Honra e vingança.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Boa parte da história moderna só existiu graças a força da honra e ao poder da vingança.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O restante foi construído sobre os escombros de seus contrários.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E as duas partes foram amarradas com a promessa divina do idílico paraíso ou da danação eterna.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E isso resume toda a história ocidental.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E também define nações.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A mais proeminente de nossa era – a estadunidense – é pródiga em exemplos de valor, ou ao menos soube vendê-los de maneira atraente às demais nações.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não entrarei aqui na já repisada discussão sobre a imposição de ícones como forma de dominação cultural. Gente de muito maior valor já fez isso de forma bem mais competente¹. Não que discorde de uma boa parte da opinião deles ou a ignore, diga-se.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas quero falar de um daqueles ícones norte americanos que habitam a imaginação coletiva mundo afora. Um lugar em que qualquer guri de sete anos sabe que os fracos morrem cedo e só os fortes sobrevivem: &lt;strong&gt;o velho oeste americano&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-XF49uWmp2tA/TuqrSAs5M_I/AAAAAAAAAZA/k1XvQKzsjZk/s1600-h/clint-eastwood3.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="clint-eastwood" border="0" alt="clint-eastwood" src="http://lh3.ggpht.com/-O7HCKJ99Aj8/TuqrTNQA3AI/AAAAAAAAAZI/UPjP1SQoUGM/clint-eastwood_thumb1.jpg?imgmax=800" width="378" height="255" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Todos já assistimos a um bom filme de faroeste. A maior parte tem como referência os excelentes e deliciosos &lt;em&gt;Bang Bang a Italiana&lt;/em&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;imortalizados pela TV Record nos anos 80, onde &lt;em&gt;O Dólar Furado&lt;/em&gt; (1965) seja talvez o maior expoente. Mas também existem verdadeiras obras primas do cinema. Filmes com tal requinte e sofisticação – e ainda assim tão intensos – que nada ficam devendo a clássicos como &lt;em&gt;O Poderoso Chefão &lt;/em&gt;ou &lt;em&gt;Laranja Mecânica &lt;/em&gt;(apenas para citar dois exemplos de gêneros bastante distintos). Estou falando de filmes como &lt;em&gt;Era Uma Vez no Oeste&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Meu Ódio Será sua Herança &lt;/em&gt;ou&lt;em&gt; Os Imperdoáveis.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;São filmes onde honra e vingança são o ponto central do roteiro e ajudaram a consolidar a imagem do velho oeste em todo o mundo, influenciando – além do próprio cinema – a literatura, a música, a moda e, claro, os quadrinhos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Do popular italiano &lt;em&gt;Tex&lt;/em&gt; ao seu sofisticado conterrâneo &lt;em&gt;Ken Parker&lt;/em&gt;, passando pelas milhares de histórias norte americanas das décadas de 40 e 50 e até pelo brasileiríssimo &lt;em&gt;Chet&lt;/em&gt;, não faltam bons exemplos de quadrinhos sobre aquela terra de bravos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas de vez em quando aparece um daqueles gibis que te fazem prender a respiração e suar frio, à espera de quem sacará primeiro a sua &lt;em&gt;Colt&lt;/em&gt;…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/-CGwkOyA6dEI/TuqrUAys_HI/AAAAAAAAAZQ/E3qGgkvdk3M/s1600-h/capa015.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="capa01" border="0" alt="capa01" src="http://lh4.ggpht.com/-wJ03r2HEx-w/TuqrUxiG1KI/AAAAAAAAAZY/2dNIDJxa4_k/capa01_thumb2.jpg?imgmax=800" width="403" height="581" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Oeste Vermelho&lt;/strong&gt; não é um bom gibi.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E antes que vocês estranhem, já que só resenho o que gosto, explico: &lt;strong&gt;Oeste Vermelho&lt;/strong&gt; não é um bom gibi porque não é simplesmente um gibi.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Oeste Vermelho&lt;/strong&gt;, dos gêmeos &lt;strong&gt;Magno e Marcelo Costa&lt;/strong&gt; (Devir Livraria – 88 páginas – R$ 34,50 ) é um trago de uísque batizado, a anágua à mostra de uma prostituta barata, o olhar assustado de um repórter recém chegado de &lt;em&gt;San Francisco &lt;/em&gt;ou &lt;em&gt;Chicago…&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Oeste Vermelho&lt;/strong&gt; tem cheiro de pólvora.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Fazer um gibi de Faroeste, um gênero tão explorado e, como já disse, tão arraigado em nosso imaginário não é tarefa fácil. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E os gêmeos sabiam disso com certeza…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Do contrário, como explicar que os protagonistas de &lt;strong&gt;Oeste Vermelho&lt;/strong&gt; sejam basicamente gatos e ratos?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Uma sacada assim – ainda que não faltem precedentes nos quadrinhos (e entre eles o magnífico &lt;em&gt;Maus&lt;/em&gt;) – funciona como um farol numa tempestade em alto mar.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O que não adiantaria de absolutamente nada se &lt;strong&gt;Oeste Vermelho&lt;/strong&gt; não fosse uma baita duma história. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Vamos aos fatos: ratos são nojentos, gatos são peludinhos e macios; ratos trazem a peste, gatos trazem seus corpos pra gente ficar passando a mão; e gatos caçam ratos, não nos esqueçamos…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas no mundo dos &lt;em&gt;Cartoons&lt;/em&gt; a situação é inversa. Talvez sejam aqueles lindos e pedintes olhos de contas dos roedores, imbatíveis se comparados aos dissimulados olhos dos gatos. Talvez seja a incontestável inferioridade física dos ratos que nos desperta o velho sentimento de torcer pelo mais fraco.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ou talvez a culpa seja mesmo do &lt;em&gt;Mickey…&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O fato é que nos afeiçoamos aos ratos, tanto nos desenhos animados quanto nos quadrinhos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O que não quer dizer necessariamente que &lt;strong&gt;Oeste Vermelho&lt;/strong&gt; seja uma história bonitinha com ratinhos e gatinhos&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Aliás, &lt;strong&gt;Oeste Vermelho &lt;/strong&gt;pode ser tudo, menos uma “história bonitinha”…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/-TUqLmrzD-oY/TuqrV1kYr6I/AAAAAAAAAZg/xnFo-G26PQU/s1600-h/5270511200_ab0d16ef9b%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="5270511200_ab0d16ef9b" border="0" alt="5270511200_ab0d16ef9b" src="http://lh5.ggpht.com/-UHFWMKqy4sA/TuqrWx2XuzI/AAAAAAAAAZo/koWeoN9A-K8/5270511200_ab0d16ef9b_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="401" height="386" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não espere novidades. Se você é realmente um fã de faroeste, com certeza já viu a história antes: um fazendeiro pacato, que tem uma antiga rusga com o chefão da cidade, é publicamente desacreditado quando tenta alertar a todos sobre o risco iminente de uma invasão de bandoleiros assassinos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O resto da história será a desgraça, redenção e vingança de nosso herói, que não descansará enquanto o último inimigo não estiver com uma bala na cabeça.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Absolutamente nada de novo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas o jeito como esses dois caras contam a história…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Primeiro: sobram referências.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E aqui estou falando de referências de verdade, não de plágio ou clichês. Da vestimenta da personagem principal a aparência dos estabelecimentos, o que não faltam são homenagens à extensa filmografia do gênero.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas a referência mais genial é exatamente a mais sutil. Os irmãos &lt;strong&gt;Costa&lt;/strong&gt; estruturaram &lt;strong&gt;Oeste Vermelho&lt;/strong&gt; de uma forma inusitada. Sai a ação vertiginosa que permeia boa parte da produção de quadrinhos atual e entram longos e lentos planos, apagam-se as explosões e a pirotecnia habitual e entram os detalhes, o explicito cede lugar ao implícito, criando uma atmosfera desoladora.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não reconhece o clima? Então procure pelos filmes &lt;em&gt;Por Um Punhado de Dólares, Três Homens em Conflito &lt;/em&gt;ou &lt;em&gt;Era uma vez no Oeste, &lt;/em&gt;e conheça um dos mais geniais diretores de todos os tempos: &lt;strong&gt;Sergio Leone &lt;/strong&gt;(1929 – 1969), o autor de alguns dos melhores filmes do gênero em todos os tempos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Uma justa homenagem que confere ao gibi um ritmo narrativo excepcional.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Segundo: roteiro e arte não possuem concessões.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Esqueçam os meninos, &lt;strong&gt;Oeste Vermelho&lt;/strong&gt; é um gibi pra homens – ou pra mulheres, vocês entenderam…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nada de cowboy de sorriso de diamante, nada de escapes cômicos, nada – absolutamente nada – de concessões. Se é pra ser mau, a crueldade é verdadeira. Se é pra se vingar, não tem perdão.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E se não bastasse tudo isso, a impressão que se tem ao terminar a leitura de &lt;strong&gt;Oeste Vermelho &lt;/strong&gt;é a de estarmos diante dum gibi sério, onde o carinho e esmero com que foi feito simplesmente são visíveis em cada quadro, em cada diálogo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quase se dá pra ouvir uma gaita tocando no fundo…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-rJF3Tidj4Mc/TuqrX7NfBeI/AAAAAAAAAZw/ikrIYUfGStM/s1600-h/6033715965_dc80695a63_z%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="6033715965_dc80695a63_z" border="0" alt="6033715965_dc80695a63_z" src="http://lh4.ggpht.com/-bNJXT-Alqmk/TuqrYgA781I/AAAAAAAAAZ4/zTtA4os0uXU/6033715965_dc80695a63_z_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="401" height="265" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;¹ &lt;font color="#008000" size="1"&gt;Super Homem e seus Amigos do Peito – Ariel Dorfman e Manuel Jofre – Editora Paz e Terra (mas facilmente encontrado nos sebos também numa edição do Círculo do Livro).&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-7177744666488308708?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/7177744666488308708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/12/sangue-no-chao-e-um-cheiro-podre-no-ar.html#comment-form' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/7177744666488308708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/7177744666488308708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/12/sangue-no-chao-e-um-cheiro-podre-no-ar.html' title='Sangue no chão e um cheiro podre no ar'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/-O7HCKJ99Aj8/TuqrTNQA3AI/AAAAAAAAAZI/UPjP1SQoUGM/s72-c/clint-eastwood_thumb1.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-9002792490727609399</id><published>2011-12-04T15:03:00.001-02:00</published><updated>2011-12-04T22:02:55.233-02:00</updated><title type='text'>Bang!</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;em&gt;Bang!&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas a maior parte dos autores prefere &lt;em&gt;Blam!&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Porém &lt;em&gt;Bang!&lt;/em&gt; é mais universal, é o tiro clássico. Com outro &lt;em&gt;Bang!&lt;/em&gt; vira faroeste, sozinho é morte certa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E sempre existe um corpo, quando não vários.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E em Minas Gerais eles pareciam brotar dos estandes do &lt;strong&gt;&lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/?p=12175" target="_blank"&gt;FIQ&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;3 Tiros e 2 Otários&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-rPvFVizoK7k/Ttunu2zNVxI/AAAAAAAAAYg/NbjDr35gd4A/s1600-h/tres-tiros1%25255B4%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="tres-tiros1" border="0" alt="tres-tiros1" src="http://lh6.ggpht.com/-ca3Q_EU-650/TtunwOL2e1I/AAAAAAAAAYo/YB9mV3ALKEw/tres-tiros1_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="407" height="606" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A habilidade de &lt;strong&gt;&lt;a href="http://escola-hqemfoco.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Daniel Esteves&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; com diálogos já é bastante conhecida. O trabalho que ele desenvolve na &lt;em&gt;Nanquim Descartável&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;já lhe rendeu vários prêmios e é sucesso de público e crítica.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Aliado a arte sempre competente de &lt;strong&gt;&lt;a href="http://caiomajado.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Caio Majado&lt;/a&gt; &lt;/strong&gt;(Orixás – do Orum ao Ayê), já era de se esperar algo bom do lançamento que os dois prepararam para o &lt;strong&gt;FIQ&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O que não se esperava era o insano ritmo de &lt;strong&gt;3 Tiros&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;e 2 Otários&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A premissa é bastante simples: dois amigos trancados num quarto, um tiro e o corpo de uma garota.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quem matou? Quem não matou? Numa situação extrema, como confiar em seu amigo? A trepada valeu a pena depois de tanto sangue?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;3 Tiros e 2 Otários&lt;/strong&gt; imprime um ritmo vertiginoso a um diálogo que não deixa por menos. Regado a palavrões, o conteúdo de &lt;strong&gt;3 Tiros&lt;/strong&gt; justifica o aviso impresso na capa: &lt;em&gt;não recomendável para pessoas sensíveis&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Talvez não seja totalmente verdade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Pessoas sensíveis podem sim ler &lt;strong&gt;3 Tiros&lt;/strong&gt;, mas provavelmente verão seu castelo de cartas, onde habitam princesas indefesas e nobres guerreiros, onde o amor tudo pode e tudo redime, desabar com a velocidade de uma bala.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Matinê&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-rjzV4pf5mdw/TtunxWNw5rI/AAAAAAAAAYw/tVeXqkBX-yM/s1600-h/1100-1800-thickbox%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="1100-1800-thickbox" border="0" alt="1100-1800-thickbox" src="http://lh6.ggpht.com/-ZnVahlNPw6A/TtunySRxqRI/AAAAAAAAAY4/h12-fahf0cw/1100-1800-thickbox_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="397" height="591" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Matinê&lt;/strong&gt;, dos gêmeos &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.facebook.com/marceloaparecidocosta" target="_blank"&gt;Marcelo&lt;/a&gt; &amp;amp; &lt;a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=100000292047349&amp;amp;sk=info" target="_blank"&gt;Magno Costa&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, já começa bem logo pela capa – um convite para qualquer curioso.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas a história…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Matinê&lt;/strong&gt; alia a arte fantástica dos gêmeos (com direito à participação especialíssima de &lt;strong&gt;Marcio Moreno&lt;/strong&gt;) a um roteiro cinematográfico, no melhor estilo &lt;em&gt;Tarantino&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um matador de aluguel no covil de um mafioso, um contrato que não pode ser quebrado e um leão de chácara que lê a Bíblia nas horas vagas compõem um cenário perfeito para uma aventura rápida, inteligente e sangrenta.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas o principal trunfo de &lt;strong&gt;Matinê&lt;/strong&gt; reside num humor sutil. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não um humor deliberado, feito de piadas fáceis, mas sim um tipo de humor majoritariamente gráfico, guardado minuciosamente em pequenos detalhes de cenários e acessórios das personagens.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um humor que caminha durante toda a história com uma desenvoltura sem igual, desde as alucinações de um gaiato que comprava drogas no covil até o inusitado pagamento do contratante do matador de aluguel. Contratante este também inesperado, que se por um lado carece de uma explicação formal sobre os motivos que o fizeram procurar os serviços profissionais do assassino, por outro nos dá motivos de sobra para legitimar a chacina.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um final perfeito para um gibi irretocável.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font color="#008000"&gt;&lt;font size="1"&gt;&lt;strong&gt;3 Tiros e 2 Otarios&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt; terá lançamento e noite de autógrafos em São Paulo no próximo dia 09/12, na Livraria HQMix ( &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;Pça Roosevelt, 172 – Centro ), a&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt; partir das 19:00hs.&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;font color="#008000" size="1"&gt;Já os gêmeos Marcelo &amp;amp; Magno poderão ser encontrados na Quanta Academia (&lt;strong&gt;Rua Dr. José de Queirós Aranha, 246 – Vila Mariana),&lt;/strong&gt; no dia 16/12, onde lançarão Oeste Vermelho a partir das 18:00hs.&lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font color="#008000" size="1"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-9002792490727609399?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/9002792490727609399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/12/bang.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/9002792490727609399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/9002792490727609399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/12/bang.html' title='Bang!'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/-ca3Q_EU-650/TtunwOL2e1I/AAAAAAAAAYo/YB9mV3ALKEw/s72-c/tres-tiros1_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-2651008096820166049</id><published>2011-11-27T16:34:00.001-02:00</published><updated>2011-11-28T00:05:39.074-02:00</updated><title type='text'>Ah, o amor…</title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/-Tfqqq_AB3Qc/TtKCnzhsEFI/AAAAAAAAAXg/AoQgNgzHT5g/s1600-h/valente%252520capa%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img alt="valente capa" border="0" height="212" src="http://lh4.ggpht.com/-JbYYXIGTses/TtKCol6D6ZI/AAAAAAAAAXo/ZtpjBw1EQpM/valente%252520capa_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline;" title="valente capa" width="395" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1989&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;No inverno de 1989 eu tinha 16 anos. Era uma reunião de pais e alunos na quadra da escola. Os professores haviam convocado a reunião para falarem sobre a formatura daquele ano. Estavam lá pais e crianças das turmas da 8ª série (que estudavam de manhã) e do 3º colegial (os do período noturno).&lt;br /&gt;Foi quando vi uma loirinha baixinha e magrinha olhando para mim. Bonita, olhos claros, jeito ainda de menina. Passamos a reunião inteira nos olhando de longe. Ela foi embora e eu não tive coragem nem de lhe dar um aceno ou um mísero sorriso que fosse. Esqueci o assunto e continuei minha vidinha de estudante secundarista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas semanas depois, ao entrar na sala, fui surpreendido com um grande recado na lousa: “&lt;i&gt;Willians, você é lindo”&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um recado escrito naquela manhã, na mesma sala onde quem escreveu saberia que eu entraria à noite para a aula.&lt;br /&gt;Deixei um poema escrito numa folha de caderno embaixo da carteira onde eu sentava. Se a pessoa havia descoberto a sala, provavelmente saberia a carteira. Era um tiro no escuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na noite seguinte pude ler na carteira, escrito com ponta de compasso na madeira: “&lt;i&gt;Achei lindo”&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;Começava ali uma história que duraria 7 anos.&lt;br /&gt;Aquele foi o primeiro grande amor da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode até parecer cafona ou ingênuo hoje, mas aquela foi uma época de grandes descobertas: beijos furtivos na esquina, caras feias dos pais da menina, brigas por ciúmes (confesso, nunca vali um tostão e ela tinha motivos de sobra), o medo e a ansiedade das primeiras ousadias, as alegrias e decepções próprias dos amores adolescentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma época onde tudo no mundo, cada pensamento, cada respiração, só valia a pena por causa dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Valente&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O &lt;b&gt;Vitor Cafaggi&lt;/b&gt; não sabe dessa história e em 1989 – com a cara de menino que tem – ainda devia estar ensaiando os primeiros passos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele também não faz a menor idéia de que me acompanhou por 8 horas no ônibus que me trouxe pra São Paulo após aquela sensacional &lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/?p=12175"&gt;7ª edição do FIQ&lt;/a&gt;. Não ele exatamente, mas sim o seu belíssimo &lt;b&gt;Valente para Sempre&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;Poucas vezes na vida vi um gibi traduzir tão bem o amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um traço leve, desenhando animais fofinhos, &lt;b&gt;Vitor &lt;/b&gt;engana a todos. A primeira impressão que temos é a de estarmos diante de um gibi infantil, feito sob encomenda para meninas de 12 anos (os meninos não, eles nunca admitirão estarem lendo tirinhas com cachorrinhos e gatinhos).&lt;br /&gt;Ledo engano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basta a primeira tira para você entender perfeitamente que o mundo habitado por &lt;b&gt;Valente&lt;/b&gt; está muito mais próximo da realidade do que sugere o singelo design do simpático cãozinho.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/-NSO-oQcGhcU/TtKCqMn3tpI/AAAAAAAAAXw/_gHKtNs4Asw/s1600-h/valente%25252001%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img alt="valente 01" border="0" height="202" src="http://lh5.ggpht.com/-G69HL_zIYrE/TtKCq4D7Z-I/AAAAAAAAAX4/J_LpMaAhnn8/valente%25252001_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline;" title="valente 01" width="403" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A improbalidade de um animal falante, pegando ônibus, chegando atrasado às aulas, passando noites acordado, é rapidamente substituída pela inegável sensação de que você está lendo uma biografia.&lt;br /&gt;Não a de &lt;b&gt;Vitor&lt;/b&gt; mas sim a de você mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De uma maneira simplesmente genial, &lt;b&gt;Vitor Cafaggi&lt;/b&gt; criou um gibi com a capacidade de relembrar tudo aquilo que você um dia sentiu. Cada medo, cada sorriso, cada suave beijo de despedida no portão (antes das dez da noite, sem falta, senão nunca mais a mãe dela deixaria vocês a sós), estão ali retratados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Valente para Sempre&lt;/b&gt; não é simplesmente uma leitura agradável. &lt;b&gt;Valente&lt;/b&gt; é um sentimento bom, uma saudade de um tempo que você sabe que nunca mais voltará. Ler &lt;b&gt;Valente&lt;/b&gt; nos faz perceber que crescemos e que nunca mais teremos o sabor daquela paixão pura e verdadeira do primeiro amor.&lt;br /&gt;E fazendo isso, &lt;b&gt;Valente para Sempre&lt;/b&gt; nos faz perceber o quanto fomos felizes numa época em que tudo valia a pena se fosse por amor.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-e1ZuGscu6X4/TtKCrf04KUI/AAAAAAAAAYA/JjReDGmtnxo/s1600-h/valente%25252031%252520cor%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img alt="image description                " border="0" height="202" src="http://lh3.ggpht.com/-o0x0JLSWT0I/TtKCsI7UGRI/AAAAAAAAAYI/BUCh8-bSMsY/valente%25252031%252520cor_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline;" title="image description                " width="399" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;É claro que eu não fiquei com a menina. &lt;br /&gt;Minha, digamos, “personalidade” condenou aquele amor ao fracasso, como já contei &lt;a href="http://gibirasgado.blogspot.com/2010/06/xampu-sexo-rock-e-o-canto-da-boca_4289.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;Do que não posso reclamar, afinal foi minha falta de caráter que acabou fazendo com que eu &lt;a href="http://gibirasgado.blogspot.com/2010/11/12-razoes-para-ama-la_5625.html"&gt;conhecesse um amor&lt;/a&gt; muito mais intenso e fascinante, que tem me acompanhando nos últimos 15 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas naquele ônibus, voltando de Belo Horizonte, reencontrei-me com aquele adolescente tímido, que tinha medo das mulheres e passava noites em claro planejando o que dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu não poderia ter melhor companhia do que o gibi do &lt;b&gt;Vitor&lt;/b&gt; naquela viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Valente para Sempre&lt;/b&gt; tem o sabor das cartas de amor.&lt;br /&gt;Tenhamos as escrito ou não.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-E7BJQgRWdwE/TtKCtSQhVtI/AAAAAAAAAYQ/DlA5JxENo9I/s1600-h/valente%25252026%252520cor%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img alt="image description                " border="0" height="189" src="http://lh3.ggpht.com/-JrZImx4lDwE/TtKCuHUkdFI/AAAAAAAAAYY/vjkxRLl-twQ/valente%25252026%252520cor_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline;" title="image description                " width="374" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-2651008096820166049?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/2651008096820166049/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/11/ah-o-amor.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/2651008096820166049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/2651008096820166049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/11/ah-o-amor.html' title='Ah, o amor…'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/-JbYYXIGTses/TtKCol6D6ZI/AAAAAAAAAXo/ZtpjBw1EQpM/s72-c/valente%252520capa_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-4447437471562665368</id><published>2011-11-16T23:36:00.001-02:00</published><updated>2011-11-16T23:36:02.831-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lillo Parra'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Wanderson de Souza'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sonho de Uma Noite de Verão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Shakespeare'/><title type='text'>Antes de voltar às atividades…</title><content type='html'>&lt;p&gt;Ainda curando a ressaca do &lt;strong&gt;FIQ 2011&lt;/strong&gt;!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas antes de voltar à normalidade (sim, eu pretendo voltar a escrever resenhas), um pequeno convite…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Neste sábado – dia 19 – vai ter uma baita galera num lançamento monstro lá na &lt;strong&gt;Livraria da Vila&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Serão 03 álbuns da &lt;strong&gt;Coleção&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Shakespeare em Quadrinhos&lt;/strong&gt; (&lt;strong&gt;Otelo&lt;/strong&gt;, do &lt;strong&gt;Jozz &lt;/strong&gt;e do &lt;strong&gt;Akira&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Romeu &amp;amp; Julieta&lt;/strong&gt;, da &lt;strong&gt;Marcela &lt;/strong&gt;e da &lt;strong&gt;Roberta &lt;/strong&gt;e &lt;strong&gt;Sonho de Uma Noite de Verão&lt;/strong&gt;, parceria minha com o &lt;strong&gt;Wanderson&lt;/strong&gt;), mais a adaptação de &lt;strong&gt;Dom Casmurro&lt;/strong&gt;, de &lt;strong&gt;Wellington Srbek&lt;/strong&gt; e do &lt;strong&gt;José Aguiar&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Além do segundo volume da &lt;strong&gt;Coleção Moebius&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Era a Guerra de Trincheiras&lt;/strong&gt;, de &lt;strong&gt;Tardi&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ou seja, quadrinhos a dar com pau!!!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Espero vocês por lá!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Grande abraço,&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Lillo&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-wAXhI_K_Kzk/TsRk-TZ7wdI/AAAAAAAAAXQ/BcN6JQj6_UI/s1600-h/convite-SP-02%25255B4%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="convite-SP-02" border="0" alt="convite-SP-02" src="http://lh5.ggpht.com/-nhK3N7P6YF0/TsRlAZSHECI/AAAAAAAAAXY/gkcPu2T75XM/convite-SP-02_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" width="409" height="1136" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-4447437471562665368?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/4447437471562665368/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/11/ainda-curando-ressaca-do-fiq-2011-mas.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/4447437471562665368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/4447437471562665368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/11/ainda-curando-ressaca-do-fiq-2011-mas.html' title='Antes de voltar às atividades…'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh5.ggpht.com/-nhK3N7P6YF0/TsRlAZSHECI/AAAAAAAAAXY/gkcPu2T75XM/s72-c/convite-SP-02_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-2744895179024868796</id><published>2011-10-17T23:50:00.001-02:00</published><updated>2011-10-17T23:51:10.839-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vó'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jean Galvão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos Nacionais'/><title type='text'>É a senhora sua vó!</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/-r6IAd4RLt04/TpzbJPyCamI/AAAAAAAAAVE/lwaG5IJ9X7M/s1600-h/capa%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="capa" border="0" alt="capa" src="http://lh5.ggpht.com/-ReOM3IiQNtI/TpzbJ03Fy8I/AAAAAAAAAVM/8XlskU5K5oA/capa_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="413" height="552" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Dona Zabé sempre preparou guloseimas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A minha preferida era &lt;em&gt;rosquinha de pinga&lt;/em&gt;. Comia aos borbotões. Sei lá se teve alguma relação com o gosto que tive por porres na adolescência, mas o fato é que adorava aquela cachaça, digo, rosquinhas…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/-g_ex69RpruM/TpzbKsDIDjI/AAAAAAAAAVU/q9CdHO9h0L4/s1600-h/tira02%25255B4%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 12px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="tira02" border="0" alt="tira02" align="left" src="http://lh3.ggpht.com/-NPScGyvVaOw/TpzbLuAUS5I/AAAAAAAAAVc/tVJzbEE92WE/tira02_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" width="172" height="462" /&gt;&lt;/a&gt;Dona Isabel tem 86 anos, é lúcida (a não ser quando confunde os nomes dos netos), religiosa, mora na praia e caminha todos os dias. Dona Zabé é minha vó, mas não é muito diferente da sua. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas Dona Zabé além de minha vó, é com certeza – junto com todas as outras avós do mundo – a vó do &lt;strong&gt;&lt;a href="http://jeangalvao.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Jean&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Só pode ser.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Tá bom, não lembro dele de visita lá em casa. Nunca o vi comer aqueles deliciosos bolos regados a leite de coco e também nunca dividi com ele a raspa da tigela. Nem a colher de pau lambuzada de calda de açúcar endurecida eu lembro de ter dado pra ele.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ele pode até não ser o meu primo, mas o cara é neto da minha vó, não tenho dúvidas. Da sua também, não se engane. Esse cartunista de 39 anos roubou todas as avós do mundo só pra ele!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;De que outra maneira ele saberia que a minha vó conta os remédios como quem escolhe arroz? Ou então, como raios ele poderia saber que não importa quem tenha cometido o pecado, é minha vó quem vai pagar a promessa?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Só sendo neto dela.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-2BR7LIIoaSg/TpzbMXYbITI/AAAAAAAAAVk/uZmRm9wj3Ls/s1600-h/tira03%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 0px 0px 8px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="tira03" border="0" alt="tira03" align="right" src="http://lh4.ggpht.com/-fykb8Ji6bIE/TpzbNOPb9bI/AAAAAAAAAVs/O5NNiEyFEog/tira03_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="172" height="462" /&gt;&lt;/a&gt;Pérai… Tá lembrando da sua vó, né?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O que ela faz? Ouve missa pelo rádio? É fiel ao seu avô que já morreu há vinte anos? Tem um santo na penteadeira para cada ocasião?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sabia!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O &lt;strong&gt;Jean&lt;/strong&gt; é neto da sua vó também!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não acredita? Eu posso provar…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Tá tudo documentado. Ele até tentou esconder: disfarçou aqui, mudou os móveis de lugar ali, trocou a foto do retrato…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas não adianta, achei a Dona Zabé escondida nas páginas de &lt;strong&gt;Vó &lt;/strong&gt;(Barba Negra – 128 páginas – R$ 12,90).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Jean Galvão&lt;/strong&gt; é um dos cartunistas mais talentosos do país e o livro reúne cerca de 120 tiras da personagem que ele criou em 2006.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Seu traço singelo, divertido e preciso é visto a todo momento nas mais diversas publicações ou campanhas publicitárias.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas não é a sua enorme habilidade técnica que faz desse &lt;strong&gt;Vó&lt;/strong&gt; uma coletânea de tiras memorável.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Jean&lt;/strong&gt;, matreiro, conseguiu um feito sensacional, digno apenas dos grandes cartunistas: captou a essência de uma personagem facilmente identificável na história pessoal da maioria de seus leitores.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ler &lt;strong&gt;Vó&lt;/strong&gt; é como revisitar algumas de nossas melhores lembranças e enxergar o humor e docilidade que só uma avó pode ter. As situações representadas em suas tiras vão muito além das piadas sobre senilidade, superproteção, religiosidade ou viuvez, pois atingem em cheio sentimentos ligados a nossa mais tenra idade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ler vó tem sabor de rosquinha de pinga, ou de bolo de fubá, se preferir; ou ainda de assistir uma novela com aquela delícia de voz ao seu lado narrando cada uma das situações:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;- Olha lá, agora ele mata ela!&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;- Não entra aí não sua boba!&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;- Bem feito, ele mereceu! Quem mandou trair ela com a Emengarda? Toma papudo!&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Talvez isso explique o sucesso dessa personagem.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ou talvez ele realmente tenha roubado a Dona Zabé, a Dona Maria, a Dona Amélia…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-r400y6AWHew/TpzbN8cx0qI/AAAAAAAAAV0/VP_TQMJnapA/s1600-h/Jean%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="Jean" border="0" alt="Jean" src="http://lh3.ggpht.com/-W3TPxonHlmI/TpzbOv5UsLI/AAAAAAAAAV8/b-tKf1htPYE/Jean_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="390" height="216" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="1"&gt;&lt;strong&gt;Jean Galvão&lt;/strong&gt; – provavelmente se disfarçando de Lillo para roubar a Dona Zabé.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-2744895179024868796?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/2744895179024868796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/10/e-senhora-sua-vo.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/2744895179024868796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/2744895179024868796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/10/e-senhora-sua-vo.html' title='É a senhora sua vó!'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh5.ggpht.com/-ReOM3IiQNtI/TpzbJ03Fy8I/AAAAAAAAAVM/8XlskU5K5oA/s72-c/capa_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-395342733230528268</id><published>2011-10-11T23:45:00.001-03:00</published><updated>2011-10-11T23:47:33.862-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lillo Parra'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Editora Nemo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Wanderson de Souza'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sonho de Uma Noite de Verão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos Nacionais'/><title type='text'>Não queria? Agora aguenta… (ou como eu acabei virando um roteirista - parte final)</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/-AAqZ_Whoge0/TpT_RJZdauI/AAAAAAAAAUU/bQMZgExr96k/s1600-h/images%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 12px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="images" border="0" alt="images" align="left" src="http://lh6.ggpht.com/-Uz9rXsvMRf8/TpT_RzhCPoI/AAAAAAAAAUc/ZKlxb2fUXEU/images_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="172" height="219" /&gt;&lt;/a&gt;Se algum dia você ouvir um ator dizendo &lt;em&gt;“Shakespeare? Nunca fiz porque não gosto…”&lt;/em&gt; , não acredite!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Isso é uma mentira deslavada e o sujeito só disse isso porque 1) não se sente preparado e disfarça sua insegurança usando esse argumento, 2) nunca leu Shakespeare ou 3) não é um ator.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Tudo – absolutamente tudo – que possua dramaturgia sofre a influência desse cara. O teatro depois dele, o cinema, os seriados, as telenovelas, os gibis (sim, os gibis), ninguém escapou da poderosa herança dramática da obra desse inglês.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nunca ouviu falar de Shakespeare? Engano seu. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nos amores impossíveis das comédias românticas, nos heróis e em seus nobres atos, na sordidez e na mesquinharia dos avarentos, em&amp;#160; vilões inesquecíveis como Hannibal Lecter ou Odete Roitman e em mais um sem número de personagens e histórias que você ouviu, leu ou assistiu, ouvem-se ecos de figuras shakespereanas como Romeu e Julieta, Otelo, Ricardo III ou Hamlet.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O motivo é simples: o bardo inglês captou em sua dramaturgia as mais sutis nuances da personalidade humana. Suas histórias refletem a história da humanidade, não apenas a anterior à época em que viveu (fim do século XVI e início do XVII), mas também de toda a história futura.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Shakespeare foi um dos poucos na história da humanidade que entendeu (ou ao menos soube retratar) o ser humano em toda sua plenitude.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E entendendo o ser humano, criou histórias que nunca envelhecerão e continuarão a ser adaptadas daqui a 500 anos, com o mesmo vigor.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Então imaginem o meu mais puro pavor ao ler aquelas linhas:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;“Os álbuns que gostaríamos de encomendar a você são adaptações de obras de &lt;strong&gt;William Shakespeare&lt;/strong&gt;(…)”&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;É muita responsabilidade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Eu poderia ter dito não.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não seria difícil, quer ver?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;“Wellington, olha, agradeço a oportunidade mas é o seguinte: eu não tenho experiência alguma em roteiro para quadrinhos, não acho uma boa idéia, vamos aproveitar que tá tudo no começo e encerrar por aqui, você procura outro cara já com experiência e eu continuo escrevendo no blog.”&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Poderia mas não o fiz. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O ator dentro de mim jamais deixaria de aceitar tal desafio.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-kAgPnY_plQ8/TpT_Scu3v1I/AAAAAAAAAUk/CTFnDSH7fPc/s1600-h/luis-melo1%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="luis-melo1" border="0" alt="luis-melo1" src="http://lh6.ggpht.com/-Dp5eo3nMYs4/TpT_TMpxChI/AAAAAAAAAUs/O6Hjazlqs5A/luis-melo1_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="392" height="263" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="1"&gt;&lt;strong&gt;Luiz Melo como Macbeth em Trono de sangue, direção de Antunes Filho. Ensaio fotográfico de Emidio Luisi&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas como diabos você adapta alguém que já foi encenado milhares de vezes, adaptado para todas as mídias existentes, estudado, dissecado e reinventado?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Srbek&lt;/strong&gt; nesse caso me fez um enorme favor ao revelar que a linha editorial da coleção se pautaria pela fidelidade aos textos originais, sendo permitida apenas a adaptação da linguagem aos nossos tempos, obedecendo – claro – as limitações e liberdades narrativas próprias dos quadrinhos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Adaptar uma obra clássica para uma outra mídia que não a sua original não é uma tarefa fácil. Cuidados devem ser tomados para tornar a história inteligível sem descaracterizá-la.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Pegar um texto de teatro e encená-lo é um processo natural, mas transformá-lo numa história em quadrinhos é, para se dizer o mínimo, ousado. Fazer isso com Shakespeare é simplesmente uma tarefa insana.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Por mais influência que o bardo inglês exerça sobre as mais diversas formas de entretenimento, o que eu faria ali seria transpor uma história imortal para um gibi que seria lido por uma imensa maioria que nunca teve contato com o texto original.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em outras palavras, eu, o &lt;strong&gt;Wanderson&lt;/strong&gt;, o &lt;strong&gt;Wellington&lt;/strong&gt; e a &lt;strong&gt;Nemo&lt;/strong&gt; seríamos os responsáveis por apresentar um texto original de Shakespeare pra uma galera que talvez nunca tenha ouvido falar no nome do bardo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;É claro que paranóico do jeito que sou, quase enlouqueci. Não com os prazos, esses geraram o estresse normal que geralmente compromissos com data marcada geram e foram cumpridos à risca, tampouco com o processo de aprovação do roteiro – e em relação a isso fica aqui meu agradecimento pessoal ao &lt;strong&gt;Wellington&lt;/strong&gt;, que pacientemente sugeriu pequenas alterações e adaptações de ordem narrativa que, confesso, só aumentaram a qualidade do álbum – o que, aliás, é o trabalho de um editor. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O que pegou mesmo foi o peso da responsabilidade em – numa única tacada – interpretar todos os personagens de uma peça de Shakespeare!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas não vou contar agora a doideira que foi adaptar Shakespeare. Guardarei isso para a época do lançamento, já que é a única coisa que posso fazer, visto que seria muito deselegante (e pretensioso) resenhar o próprio gibi…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E quanto mais perto chega da data do lançamento (que ocorrerá em Belo Horizonte, no &lt;strong&gt;FIQ&lt;/strong&gt;, à partir de &lt;strong&gt;09/11&lt;/strong&gt;) mais penso na aventura e loucura que foram aquelas semanas iniciais.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nos vemos então no FIQ!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Se estou com medo?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Caras, eu estou apavorado…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/-qOMRfggMxEo/TpT_UmCo6ZI/AAAAAAAAAU0/6j1z42ve5cQ/s1600-h/sunv-pag-01%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="letras-novo" border="0" alt="letras-novo" src="http://lh3.ggpht.com/--PfP5eRtYR4/TpT_VkWMIvI/AAAAAAAAAU8/nG6ZO5oZj-I/sunv-pag-01_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="397" height="555" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-395342733230528268?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/395342733230528268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/10/nao-queria-agora-aguenta-ou-como-eu.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/395342733230528268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/395342733230528268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/10/nao-queria-agora-aguenta-ou-como-eu.html' title='Não queria? Agora aguenta… (ou como eu acabei virando um roteirista - parte final)'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/-Uz9rXsvMRf8/TpT_RzhCPoI/AAAAAAAAAUc/ZKlxb2fUXEU/s72-c/images_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-2205084227588319000</id><published>2011-10-10T22:04:00.001-03:00</published><updated>2011-10-10T22:04:11.748-03:00</updated><title type='text'>Eu sei que estou atrasado, mas…</title><content type='html'>&lt;p&gt;… a Faculdade me pegou de jeito e tive que priorizar as provas. Então não terminei ainda a última parte. Peço desculpas à galera que tem acessado e prometo que amanhã a noite (nem que eu vare a madrugada do feriadão) postarei a última parte.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Valeu a todos!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Lillo&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-2205084227588319000?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/2205084227588319000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/10/eu-sei-que-estou-atrasado-mas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/2205084227588319000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/2205084227588319000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/10/eu-sei-que-estou-atrasado-mas.html' title='Eu sei que estou atrasado, mas…'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-8049973563023435727</id><published>2011-10-07T00:12:00.001-03:00</published><updated>2011-10-07T21:53:03.434-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Will'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Daniel Esteves'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Editora Nemo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Wanderson de Souza'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sonho de Uma Noite de Verão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Wellington Srbek'/><title type='text'>Shakespeare?!? Tô dentro! (ou como eu acabei virando um roteirista - parte II)</title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;- Ele falou que você vai fazer o quê ?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha esposa estava incrédula do outro lado da linha. Acendi outro cigarro, na guimba do anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, poucos minutos antes &lt;b&gt;&lt;a href="http://maisquadrinhos.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Wellington Srbek&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;, editor da &lt;b&gt;Nemo&lt;/b&gt;, havia me convidado a fazer um álbum de quadrinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não disse do que se tratava, falou apenas quem seria meu parceiro na empreitada, o talentosíssimo &lt;b&gt;&lt;a href="http://wandersonartquadrinhos.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Wanderson de Souza&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sinceramente não lembro o que respondi na hora. Quem me socorreu foi o amigo &lt;b&gt;&lt;a href="http://www.hqemfoco.com.br/escola/" target="_blank"&gt;Daniel Esteves&lt;/a&gt;, &lt;/b&gt;depois de ler a &lt;a href="http://gibirasgado.blogspot.com/2011/10/como-assim-eu-vou-fazer-um-gibi-ou-como.html" target="_blank"&gt;primeira parte&lt;/a&gt; dessa crônica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;- Eu percebi, rarara : "e…e…eu? Escrever um roteiro? Mas não sou roteirista!"&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;- Eu falei isso???&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;- Algo assim… não lembro das palavras exatas, mas voce deixou claro que nunca tinha escrito quadrinhos, ao que o Srbek combateu falando sobre suas matérias e tal, que tinham narrativas nelas... que você se sairia bem, que voce faz teatro, etc, etc, etc.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E deve ter sido assim mesmo. O fato é que ali estava eu, em frente a &lt;b&gt;HQMix&lt;/b&gt;, acendendo meu terceiro cigarro e ainda sem entender o que estava acontecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou o &lt;b&gt;Wellington &lt;/b&gt;havia enlouquecido ou sabia mais do que eu. Dez meses depois fica claro que naquele momento &lt;b&gt;Wellington&lt;/b&gt; estava bastante lúcido. Mas eu já chego lá.&lt;br /&gt;Terminada a reunião, fomos eu, o &lt;b&gt;Wellington&lt;/b&gt;, o &lt;b&gt;&lt;a href="http://sideralman.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Will&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; e o &lt;b&gt;Daniel&lt;/b&gt; comermos algo na Paulista. O que vou dizer aqui pode ocasionar uma quebra justificada de contrato, mas desconfio que o mineiro estava se deliciando com aquela situação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contando por baixo, naquela mesa tinha uns dez prêmios &lt;b&gt;HQMix&lt;/b&gt; e mais uma porrada de &lt;b&gt;Ângelo Agostini&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu tava fazendo ali? Do que aqueles caras estavam falando? Como assim eu ia fazer um gibi? Por quê exatamente eu fui pedir um x-bacon? Aquilo tudo tava me dando uma azia infernal…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha que saber o que estava acontecendo. Tenho uma necessidade mórbida de racionalizar tudo, deve ser efeito colateral pelos excessos da juventude. Então, na primeira oportunidade que tive a sós com o &lt;b&gt;Wellington &lt;/b&gt;(acho que estávamos na FNAC) perguntei sem rodeios:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você tem certeza do que cê tá fazendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tinha certeza. Aquilo era sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sejamos hipócritas. Uma chance assim não bate à sua porta todo dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca tinha feito um roteiro e era um completo desconhecido no meio. A meu favor apenas um blog de resenhas em forma de crônicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realidade me atingiu como um raio horas depois, voltando de carona com o &lt;b&gt;Daniel&lt;/b&gt;, debaixo de um dilúvio bíblico, que transformou um percurso de 25 minutos numa viagem de mais de uma hora.&lt;br /&gt;Tenho que confessar que foi divertido. Desviamos de uma Radial Leste (a principal via de acesso para a Zona Leste de São Paulo) totalmente alagada apenas para cairmos numa viela da Móoca que mais parecia um rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/-Awv_8iFO7j4/To5uMCbbqkI/AAAAAAAAAUM/KVh_kbGRfyI/s1600-h/HQMIX2%25255B5%25255D.jpg"&gt;&lt;img align="left" alt="HQMIX2" border="0" height="459" src="http://lh6.ggpht.com/-hIJ19ZTAMpk/To5uMv09V_I/AAAAAAAAAUQ/A3s12Fz0X54/HQMIX2_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; float: left; margin: 0px 12px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" title="HQMIX2" width="190" /&gt;&lt;/a&gt;- Será que dá?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu pensei comigo: &lt;i&gt;“Esse maluco não vai enfiar esse Renalt Clio nessa lagoa… ele não vai fazer isso”.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem se via que eu ainda não o conhecia…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;- Mano! Que cê tá fazendo?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, ele estava atravessando um rio. E eu pensando: &lt;i&gt;“Vou morrer afogado antes de conseguir fazer esse gibi…”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto eu me recuperava do susto, o &lt;b&gt;Daniel – &lt;/b&gt;como se atravessar o Rio Amazonas num carro anfíbio fosse a coisa mais normal do mundo – comentou com a maior naturalidade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;- Putz! Você vai fazer um álbum! Como foi isso?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo me pegou de surpresa. O &lt;b&gt;Daniel&lt;/b&gt; é um dos caras mais talentosos da atualidade, seus quadrinhos são uma coisa rara e tem o mesmo delicioso sabor de um bate papo num boteco. O cara está há anos batalhando e dando a cara a tapa. O &lt;b&gt;Will&lt;/b&gt; também. E eu era apenas um cara que escrevia num blog e tinha nome de chupeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela pergunta merecia uma resposta sincera. Não seria educado responder de outra forma ou simplesmente fugir do assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;i&gt;Não sei meu velho. O cara gosta da forma como eu escrevo no blog e acha que eu posso fazer um gibi.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não era apenas isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta às minhas perguntas chegaram um mês depois, num longo e-mail explicando os pormenores do projeto, prazos, valores e coisas do tipo. Já perto do final, algo que me deixaria de cabelo em pé nos 60 dias seguintes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os álbuns que gostaríamos de encomendar a você são adaptações de obras de &lt;b&gt;William Shakespeare&lt;/b&gt;, voltadas ao público de 11 a 15 anos, sendo: ROMEU &amp;amp; JULIETA por Marcela e Roberta e &lt;b&gt;SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO&lt;/b&gt; por Lillo e Wanderson.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou ator.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho 20 anos de teatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez deles num dos mais fascinantes e longevos grupos do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caras, aquilo era praticamente como oferecer heroína pra um viciado…&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;i&gt;(termina no domingo)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-8049973563023435727?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/8049973563023435727/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/10/shakespeare-to-dentro-ou-como-eu-acabei.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/8049973563023435727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/8049973563023435727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/10/shakespeare-to-dentro-ou-como-eu-acabei.html' title='Shakespeare?!? Tô dentro! (ou como eu acabei virando um roteirista - parte II)'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/-hIJ19ZTAMpk/To5uMv09V_I/AAAAAAAAAUQ/A3s12Fz0X54/s72-c/HQMIX2_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-7932046615355891684</id><published>2011-10-04T00:04:00.001-03:00</published><updated>2011-10-07T21:50:12.189-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Will'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias de um Gibizeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lillo Parra'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jozz'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Editora Nemo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Wanderson de Souza'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sonho de Uma Noite de Verão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Wellington Srbek'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos Nacionais'/><title type='text'>Como assim eu vou fazer um gibi? (ou como eu acabei virando um roteirista - parte I)</title><content type='html'>Vamos começar do começo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou um cara de teatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um tipo &lt;b&gt;bem específico&lt;/b&gt; de teatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esqueçam a maquiagem branca na cara, as performances que sempre rolam quando a figura está chapada, seja numa balada ou num batizado, as poses afetadas e aquela voz carregada que mais parece cria do inferno do que garganta de gente de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa fase eu vivi dos 17 aos 27, depois cansei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi justamente quando encontrei o &lt;b&gt;Teatro Popular União e Olho Vivo. &lt;/b&gt;Não sabe de quem estou falando? Não esquenta, clica na postagem que fiz sobre o plágio envolvendo o gibi &lt;b&gt;&lt;a href="http://gibirasgado.blogspot.com/2011/07/chibata-um-outro-lado-da-questao.html" target="_blank"&gt;Chibata&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; e você vai entender melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-qERFv4UlK-M/Top3kfLsT2I/AAAAAAAAAT0/w2kMiDZf2C8/s1600-h/Chibata%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img alt="Sentado, como Mão Negra, um dos líderes da Revolta da Chibata, na peça &amp;quot;João Cândido do Brasil&amp;quot;." border="0" height="253" src="http://lh3.ggpht.com/-PDJWi1bI1Us/Top3lMs0Z-I/AAAAAAAAAT4/7mKuuIaqq64/Chibata_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" style="background-image: none; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-right-width: 0px; border-top-width: 0px; display: inline; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" title="Chibata" width="384" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E foi onde eu passei os últimos dez anos da minha vida. Um lugar mágico, onde aprendi praticamente tudo que sei sobre teatro, arte e cidadania.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por razões pessoais, decidi, lá por novembro do ano passado, que me afastaria do grupo por um tempo. Naquela época – embora eu ainda não soubesse – já estava afundado até o pescoço nos quadrinhos. Um sujeito se encarregaria de colocar o pé na minha cabeça e me afundar de vez, mas eu já chego lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que foram dez anos de minha vida naquele grupo, correndo a periferia da cidade, viajando o Brasil, sorrindo, chorando, vivendo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sairia assim, tão impune.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-vaoC0Z06Y_A/Top3m1Kab7I/AAAAAAAAAT8/nIrZyC4Z06Q/s1600-h/Barbosinha%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img alt="Eu de amarelo no meio, num puta de um juiz ladrão em &amp;quot;Barbosinha Futebó Crubi - Uma Estória de Adonirans&amp;quot;" border="0" height="301" src="http://lh5.ggpht.com/-g6jBvmo7ixc/Top3nueEKoI/AAAAAAAAAUA/0oQg5mhBLP8/Barbosinha_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" style="background-image: none; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-right-width: 0px; border-top-width: 0px; display: inline; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" title="Barbosinha" width="387" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que quase enlouqueci. Naquele galpão do bairro do Bom Retiro, colado no centro velho de São Paulo, está boa parte de minha história e – sem dúvida alguma – muito da alma que penhorei quando decidi ser um artista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou capaz de interpretar um assassino cruel numa cena e, três minutos depois, enquanto o público ainda está tentando processar a carga dramática que acabou de receber, entrar travestido de uma drag bêbada. Consigo fazer uma voz num registro agudo e alterá-lo para o grave dentro da mesma fala. Tenho uma voz potente, raras vezes precisei de microfone em apresentações a céu aberto…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bela bosta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou ator e quase não consegui escapar de um simples conflito emocional por uma decisão que eu mesmo tomei!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E era nesse pé em que as coisas estavam quando em janeiro, numa visita a Belo Horizonte, conheci pessoalmente o amigo e roteirista &lt;b&gt;&lt;a href="http://maisquadrinhos.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Wellington Srbek&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;, com quem já trocava intensa correspondência desde julho do ano passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre muito bate papo e uma ótima pizza, ele me convidou a participar de uma reunião que faria dali a duas semanas, aqui em São Paulo, com uns caras com quem ele estava querendo trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi naquela noite que descobri que ele havia acabado de se tornar o editor da &lt;b&gt;Nemo. &lt;/b&gt;Como é de hábito, fiquei de boca calada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas estava empolgadíssimo! Meu amigo era agora um editor! Publicaria quadrinhos e tinha acabado de me convidar pra uma reunião secreta, com uns tipos perigosos, armados até os dentes de pincéis e nanquim…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na data marcada, fui pra tal reunião com a esperança que o &lt;b&gt;Srbek &lt;/b&gt;me convidasse pra escrever o texto de introdução de algum álbum. Afinal, por qual outro motivo ele teria convidado um resenhista para a reunião?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso, eu sou uma besta às vezes…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou contar quem estava ou não na reunião e nem o que foi conversado. Alguns nomes não são segredo, além do Wellington e de mim, o &lt;b&gt;&lt;a href="http://sideralman.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Will&lt;/a&gt; &lt;/b&gt;estava por lá para fechar sua participação em &lt;b&gt;&lt;a href="http://gibirasgado.blogspot.com/2011/07/brincando-de-aro.html" target="_blank"&gt;Ciranda Coraci e o Senhor das Histórias&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;. O &lt;b&gt;&lt;a href="http://www.hqemfoco.com.br/escola/" target="_blank"&gt;Daniel Esteves&lt;/a&gt; – &lt;/b&gt;com quem já havia cruzado algumas vezes mas nunca havia sido formalmente apresentado – estava ali para fechar sua participação num dos álbuns. O &lt;b&gt;&lt;a href="http://www.jozz.com.br/" target="_blank"&gt;Jozz&lt;/a&gt; &lt;/b&gt;também foi, embora só tenha saído de lá sabendo que faria um álbum para a &lt;b&gt;Nemo&lt;/b&gt;, mas ainda sem saber que se tratava de &lt;b&gt;Otelo&lt;/b&gt;, de &lt;b&gt;Shakespeare. &lt;/b&gt;O &lt;b&gt;&lt;a href="http://wandersonartquadrinhos.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Wanderson de Souza&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; também estava lá, tão perdido quanto eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-x7l4xbesQ_U/Top3rEklzfI/AAAAAAAAAUE/ynpbj_KLfEQ/s1600-h/Well%252526Will%25255B5%25255D.jpg"&gt;&lt;img alt="Srbek &amp;amp; Will, no lançamento de Senhor das Histórias e Ciranda Coraci" border="0" height="287" src="http://lh4.ggpht.com/-ik4KOqU12ic/Top3r6Q6uUI/AAAAAAAAAUI/JNOgPVfApoU/Well%252526Will_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" style="background-image: none; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-right-width: 0px; border-top-width: 0px; display: inline; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" title="Well&amp;amp;Will" width="382" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu pensando na tal da introdução…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um determinado momento, entretanto, depois de nos contar o que era a &lt;b&gt;Nemo&lt;/b&gt; e qual seria seu projeto editorial, o mineiro vira pra mim e pro Wanderson e atira à queima roupa, sem qualquer chance de defesa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aliás, é melhor vocês sentarem mais perto e virarem os melhores amigos, porque provavelmente &lt;b&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;vão fazer um álbum juntos&lt;/b&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei exatamente que cara eu fiz, mas deve ter sido de um pavor absoluto. Só o Wellington percebeu. Se o Will reparou, foi educado em disfarçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim eu faria um gibi???&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;(continua na próxima quinta)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-7932046615355891684?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/7932046615355891684/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/10/como-assim-eu-vou-fazer-um-gibi-ou-como.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/7932046615355891684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/7932046615355891684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/10/como-assim-eu-vou-fazer-um-gibi-ou-como.html' title='Como assim eu vou fazer um gibi? (ou como eu acabei virando um roteirista - parte I)'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/-PDJWi1bI1Us/Top3lMs0Z-I/AAAAAAAAAT4/7mKuuIaqq64/s72-c/Chibata_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-3694920445963716842</id><published>2011-09-24T00:26:00.001-03:00</published><updated>2011-09-24T01:20:23.264-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='André Diniz'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos Nacionais'/><title type='text'>Cachoeira</title><content type='html'>&lt;p align="left"&gt; Antes que alguém venha com qualquer risinho malicioso, confesso: sim, estou escrevendo essa resenha porque o &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.nonaarte.com.br/"&gt;André Diniz&lt;/a&gt; &lt;/strong&gt;está lançando o seu &lt;strong&gt;A Cachoeira de Paulo Afonso&lt;/strong&gt; (Pallas Editora – 64 páginas - R$ 30,00) neste mesmo fim de semana, lá na &lt;strong&gt;HQMix&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Mas este blog não é patrocinado por absolutamente ninguém (e pelamordedeus, vai continuar assim; de gente se intrometendo no que eu penso ou deixo de pensar já basta a minha mulher), então se eu não tiver um mínimo de senso de oportunidade é melhor parar de escrever crônicas e publicar sinopses prontas.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/-EBEWoKUhmJo/Tn1N51bdy5I/AAAAAAAAATU/v18B_Epgszc/s1600-h/378_max%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 5px 0px 10px; border-top: 0px; border-right: 0px" title="378_max" border="0" alt="378_max" src="http://lh3.ggpht.com/-OYyoaJD1cCk/Tn1N6xWeGoI/AAAAAAAAATY/24YLfdD-HNM/378_max_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="393" height="525" /&gt;&lt;/a&gt;Mas o fato é que o &lt;strong&gt;Gibi Rasgado&lt;/strong&gt; ficou quase um mês sem atualizações e acho que uma boa maneira de desculpar-me com meu público (todos os 07 caras) é falando sobre um bom gibi.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;E já faz um tempo que tava querendo escrever essa resenha. Só não aconteceu antes porque 1) eu tinha acabado de resenhar &lt;strong&gt;Morro da Favela&lt;/strong&gt; e 2) o texto da resenha ainda não tinha chegado na minha cabeça.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Não me entendam mal, não é que eu não tenha gostado do gibi. Eu adorei! Só não sabia como escrever sobre ele.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;E, claro, ainda não sei.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Mas arrumando (sem sucesso) a minha estante, tropecei numa pista daquelas…&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Não me perguntem como esse gibi veio parar nas minhas mãos.&amp;#160; Em 2001 é que não foi. Na época em que foi lançado eu estava em outra pegada. Pensava e respirava teatro e quase não lia mais gibis.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Mas o mundo é um lugar esquisito e dez anos é muito tempo. As pessoas mudam. Outras não, só melhoram.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;André Diniz&lt;/strong&gt; é um daqueles raros roteiristas que não importa o que lhe caia nas mãos, ele fará um bom trabalho. &lt;strong&gt;O Quilombo Orum Aiê&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/?p=7979"&gt;Morro da Favela&lt;/a&gt; &lt;/strong&gt;e agora &lt;strong&gt;A Cachoeira de Paulo Afonso&lt;/strong&gt; que o digam. Poucas vezes se viu um roteirista emplacar tanta qualidade de forma consecutiva em assuntos tão diversos (o primeiro é ficcional com um pano de fundo histórico, o segundo é uma história verídica sensacional, contada de maneira belíssima, e o último uma adaptação de um ícone da literatura nacional).&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;E eu poderia perder horas inteiras falando em como esse carioca radicado em São Paulo conduz habilmente uma história. Mas prefiro voltar a aquele gibi de 2001 e que não faço a menor idéia de como ou onde o consegui: &lt;strong&gt;31 de Fevereiro&lt;/strong&gt;, uma das primeiras publicações da então recém&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-5NvIs96yvgY/Tn1N8N3acfI/AAAAAAAAATc/kXwvKuXWRMU/s1600-h/31_de_Fevereiro%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 10px 0px 0px 10px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px" title="31_de_Fevereiro" border="0" alt="31_de_Fevereiro" align="right" src="http://lh4.ggpht.com/-UTeLFCEJmi4/Tn1N8kY09xI/AAAAAAAAATg/-k0sR2qxR0U/31_de_Fevereiro_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="160" height="244" /&gt;&lt;/a&gt; fundada &lt;strong&gt;Editora Nona Arte&lt;/strong&gt;, com roteiro e arte do próprio &lt;strong&gt;Diniz, &lt;/strong&gt;que àquela época já não era nenhum aventureiro e trazia em seu currículo &lt;strong&gt;Fawcett &lt;/strong&gt;(em parceria com &lt;strong&gt;Flávio Colin&lt;/strong&gt;, o mais genial desenhista de quadrinhos brasileiros em todos os tempos) e a série &lt;strong&gt;Subversivos&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Um gibi bem escrito, com uma história pra lá de &lt;em&gt;nonsense &lt;/em&gt;sobre Gilda, um ex-travesti que acaba de amargar uma temporada na cadeia. Passada num Brasil atemporal, que mistura passado e presente através de suas sórdidas semelhanças, &lt;strong&gt;31 de Fevereiro&lt;/strong&gt; esbanja talento narrativo e já mostra o afiado roteirista que conhecemos. &lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Mas com uma arte irregular. Quadros muito bons se alternam a outros apenas medianos, mostrando ainda um desenhista em busca de seu estilo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Vence a qualidade do roteiro numa história pra lá de pirada.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Mas dez anos é muito tempo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Não sei quem enfiou na cabeça daquele desenhista de &lt;strong&gt;31 de Fevereiro&lt;/strong&gt; que ele servia pra coisa. Seja quem foi o insano que aconselhou o &lt;strong&gt;André&lt;/strong&gt; a continuar rabiscando, devemos a ele nossos mais sinceros agradecimentos.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;A Cachoeira de Paulo Afonso&lt;/strong&gt; é um dos mais belos trabalhos gráficos do ano e mostra um desenhista maduro, sofisticado, de um estilo único, expressivo e com um senso de equilíbrio absurdo na composição dos quadros. &lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;Castro Alves&lt;/strong&gt; escreveu alguns dos poemas mais marcantes de nossa literatura. Abusado, trouxe a arte para a vida real e defendeu abertamente o fim da escravidão. Sua obra é materia secundarista e vestibular. A estrutura e a temática de seus poemas são estudadas à exaustão nas Universidades Brasil afora. Um gênio.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Adaptá-lo para os quadrinhos?&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Tarefa só pra gente grande.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;E é por isso que &lt;strong&gt;A Cachoeira &lt;/strong&gt;se torna um gibi tão delicioso. Quando o comprei, não duvidava nem um pouco que o roteirista &lt;strong&gt;André Diniz &lt;/strong&gt;daria conta do recado. Aliás, depois de &lt;strong&gt;Morro da Favela&lt;/strong&gt; eu não duvido de mais nada desse cara.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Mas estava curioso em saber como ele iria desenhá-lo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-ZGCjic01_eU/Tn1N9R0q-YI/AAAAAAAAATk/c05YcoXyPCM/s1600-h/381_max%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 0px 5px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px" title="381_max" border="0" alt="381_max" src="http://lh4.ggpht.com/-wF-IhqpZm4A/Tn1N-PimF1I/AAAAAAAAATo/bcQQYAygYhA/381_max_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="382" height="621" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;O que vemos em &lt;strong&gt;A Cachoeira&lt;/strong&gt; são três aspectos bem distintos: &lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;De um lado a força da poesia de &lt;strong&gt;Castro Alves&lt;/strong&gt;, que mesmo romântica e envelhecida por quase 150 anos de evolução humana, ainda guarda um vigor e uma atualidade impressionantes, sobretudo na questão social e nos pesos e medidas que a justiça reserva a brancos e negros, a ricos e pobres, que hoje, como na história contada no século XIX, ainda é – apesar do que digam os causídicos – bastante parcial;&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;No outro lado vemos um roteirista que vem, ano após ano, se firmando como um dos melhores exemplos de habilidade narrativa de nossos quadrinhos. Prova irrefutável é o zeloso respeito e absoluta fidelidade que dedicou ao texto original. E ainda assim, a forma como decidiu contar a história, em como organizou e distribuiu os elementos narrativos nas 52 páginas do gibi mostram que mesmo as obras mais improváveis de nossa literatura podem ser adaptadas para os quadrinhos e ainda assim resultarem em gibis originais e envolventes. &lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;E aqui devo abrir um parênteses: se &lt;strong&gt;André &lt;/strong&gt;fosse cineasta e esse &lt;strong&gt;A Cachoeira &lt;/strong&gt;um filme, muitos o estariam aplaudindo como uma obra prima do cinema nacional, mesmo que para ser filmado houvesse consumido rios de dinheiro público através de captação de verbas no imoral mecanismo da indecente &lt;strong&gt;Lei Rouanet&lt;/strong&gt;, que transfere ao poder privado a decisão do que devemos ou não consumir baseados em seus próprios interesses de exposição de marca. Como é um gibi vão dizer que é só mais uma adaptação feita exclusivamente para entrar no PNBE…&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;E por fim, amarrando as duas pontas, temos o excelente desenhista &lt;strong&gt;André Diniz&lt;/strong&gt;, que traduziu em imagens belíssimas o que existe no poema de &lt;strong&gt;Castro Alves. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Das páginas iniciais, que apresentam o ambiente e as personagens principais, até as 05 páginas finais, que reservam a redenção do casal numa sequência memorável, &lt;strong&gt;Diniz &lt;/strong&gt;desfila uma desconcertante maturidade gráfica, com direito a quadros geniais, como o do narrador trepado no coqueiro, onde diálogo e imagem se confundem com as águas do Rio São Francisco, ou a sequência de ecos na cabana de Maria – quando o protagonista é levado à loucura, numa sucessão de quadros alucinantes, que reproduzem de forma impressionante uma das passagens mais dramáticas do poema original.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;A Cachoeira de Paulo Afonso&lt;/strong&gt; possui um roteiro excelente e extremamente bem executado, mas é sua arte que o torna excepcional.&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-dnJbkldu7JE/Tn1N-wu3jpI/AAAAAAAAATs/kmQIx8g6zg0/s1600-h/382_max%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; border-top: 0px; border-right: 0px" title="382_max" border="0" alt="382_max" src="http://lh3.ggpht.com/-ajkPlerWjnM/Tn1OABI1h_I/AAAAAAAAATw/rw0UBQPpZ3U/382_max_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="390" height="576" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-3694920445963716842?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/3694920445963716842/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/09/cachoeira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/3694920445963716842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/3694920445963716842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/09/cachoeira.html' title='Cachoeira'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/-OYyoaJD1cCk/Tn1N6xWeGoI/AAAAAAAAATY/24YLfdD-HNM/s72-c/378_max_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-2754376959591052463</id><published>2011-09-04T17:28:00.001-03:00</published><updated>2011-09-04T17:28:03.069-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Histórias Inesquecíveis'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos'/><title type='text'>Histórias Inesquecíveis: A Melhor História do Homem Aranha</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;font size="1"&gt;Publicada originalmente no &lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/" target="_blank"&gt;Quadro a Quadro&lt;/a&gt; em 03/04/2011&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-3SCdfZvv-S8/TmPfN1aCEmI/AAAAAAAAAS8/DkXh1ZYIsFA/s1600-h/HomemAranha19%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 12px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="HomemAranha19" border="0" alt="HomemAranha19" align="left" src="http://lh4.ggpht.com/-5Ehz__yFolo/TmPfOcbvKlI/AAAAAAAAATA/P_BqT99KbBQ/HomemAranha19_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="157" height="219" /&gt;&lt;/a&gt;Você provavelmente nunca ouviu falar de Tim Harrison.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Ele não tem nenhum superpoder, não voa e não virou o inimigo mortal de ninguém. Mas ele é o responsável por uma das melhores histórias do Homem Aranha em todos os tempos.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Buscando na memória? Vou ajudar: Roger Stern foi o roteirista e Ron Frenz desenhou.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Não lembra? Não faz mal, você precisaria ter mais de 35 anos para lembrar.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Mas talvez você já tenha trombado com algum scan na internet ou com a republicação da Panini de alguns anos atrás. Ou talvez o nome da história ajude: “O Menino que coleciona Homem Aranha”.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Se você tem a minha idade e gostava do Cabeça de Teia na adolescência eu tenho certeza de que está sorrindo agora, com saudades de um tempo em que os quadrinhos norte-americanos começavam a amadurecer mas ainda não tinham se tornado essa confusão de mundos paralelos e sagas sem fim, que se emendam umas nas outras e duram anos.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Já se você tem metade da minha idade, deixa eu te contar uma história…&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Eu tinha uns 12 anos naquela época. Eu ainda não sabia, mas aquele era o último ano da minha infância tal qual eu conhecia.&amp;#160; Logo depois estaria empregado, estudando a noite, namorando e todas essas coisas chatas que levam nossa vida pra um caminho sem volta. O estranho que quanto mais trilhamos esse caminho menos gibis encontramos espalhados pelo chão.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Mas naquele tempo eu ainda não pensava nisso.&amp;#160; Ficava contando os dias para que os gibis que eu colecionava chegassem&amp;#160; às bancas. Os tempos eram difíceis, meu pai estava desempregado e minha mãe trabalhava como ajudante no boteco do meu tio, já eu puxava lata de concreto nos finais de semana como auxiliar de pedreiro com um outro tio meu.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Puxava lata era modo de dizer, eu não tinha forças para tanto. Mas o pouco que fazia me rendia uns cruzados por mês. Não devia ser muito, no máximo uns cem reais em valores de hoje, mas servia pra ajudar a botar comida na mesa. Daquele dinheiro eu tinha autorização pra comprar 02 gibis: o Homem Aranha e o Incrível Hulk, os antigos formatinhos da Abril.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Então imaginem minha ansiedade.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;A banca de jornal ficava a umas cinco quadras de casa. O chato é que eu praticamente lia o gibi todo no caminho de volta e tinha que ficar esperando um mês inteiro até o próximo.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Mas naquela tarde eu cheguei em casa chorando. Minha mãe, preocupada, perguntava o que tinha acontecido.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;- Nada mãe.&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/-NDq3eO6Kdgk/TmPfQs1AD8I/AAAAAAAAATE/DgwYKHslTe0/s1600-h/OEspetacularHomem-Aranha248pdf-000%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 0px 0px 10px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="OEspetacularHomem-Aranha248pdf-000" border="0" alt="OEspetacularHomem-Aranha248pdf-000" align="right" src="http://lh5.ggpht.com/-RWH_XeWE2Nc/TmPfRWscLfI/AAAAAAAAATI/48VWUZCi_f0/OEspetacularHomem-Aranha248pdf-000_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="221" height="330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Essa foi a minha resposta e acho que ela nunca soube o motivo do meu choro. Talvez descubra agora, se ler o Quadro a Quadro: naquela tarde eu chorava pelo Tim.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Tudo bem. Eu sou capaz até de chorar com uma receita de bolo, se ela estiver bem escrita. Mas “O Menino que coleciona Homem Aranha” foi a primeira história que me levou às lágrimas.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Exagero? Definitivamente não.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Após uma matéria do Clarim Diário, o amigão da vizinhança fica sabendo de um moleque chamado Timothy Harrison, um fã incontestável do Cabeça de Teia, que coleciona tudo o que diz respeito ao herói, desde os tempos de luta livre na TV.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;O nosso herói resolve então visitá-lo.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Simples não é? Então por que tanta choradeira?&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Porque essa é uma das histórias mais sensíveis que já li. Nós, fãs de quadrinhos, sempre tivemos dificuldades em aceitar a realidade. Quando crianças, não raro somos surpreendidos com pensamentos como: e se ele existisse de verdade?&amp;#160; E se eu fosse o Capitão América? E se a Mulher Maravilha fosse minha namorada? E se eu pudesse voar?&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Exatamente por isso, um garoto que colecionava tudo do Homem Aranha era praticamente nosso irmão.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Poderia estudar na nossa escola e juntos discutiríamos as melhores histórias do Aranha, ou então brincaríamos com as clássicas (sem) action figures da Gulliver.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Mas calhou de Tim ser um personagem de história em quadrinhos e calhou de sair naquele HA19, no já distante ano de 1985.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Tim inevitavelmente cairia nas graças daqueles moleques que liam o gibi do Homem Aranha. Ele era praticamente a encarnação do que gostaríamos de ser.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Hoje, quase 30 anos depois, ainda lembro nitidamente da história, suas falas, os suvenires de Tim, a emoção legítima e o fim impiedoso (como impiedosa muitas vezes é a vida).&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;E é por isso que a história se tornou clássica. Apresentou-nos à realidade. Um choque para aqueles moleques acostumados a ver o Aracnídeo escapando das mais aterrorizantes situações. Naquela história, o Homem Aranha não venceu.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;A quem não leu a história, Tim jamais chegou à idade adulta, ficou imortalizado naquele corpo de guri no início da década de 80.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;E a quem leu, bem…&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Quem leu jamais se esqueceu de Timothy Harrison.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-11OKf0up8IE/TmPfSy3ZMcI/AAAAAAAAATM/AQsIt6J-etk/s1600-h/top_marvel_33_1%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="top_marvel_33_1" border="0" alt="top_marvel_33_1" src="http://lh6.ggpht.com/-HajBu5eFlNY/TmPfUdwt21I/AAAAAAAAATQ/ADUkrxIDDxA/top_marvel_33_1_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="390" height="614" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="1"&gt;“O menino que coleciona Homem Aranha” foi publicada originalmente no Brasil em janeiro de 1985, na revista Homem Aranha nº 19, pela Editora Abril, e republicada pela Panini em 2007, no especial Marvel -40 Anos no Brasil.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-2754376959591052463?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/2754376959591052463/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/09/historias-inesqueciveis-melhor-historia.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/2754376959591052463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/2754376959591052463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/09/historias-inesqueciveis-melhor-historia.html' title='Histórias Inesquecíveis: A Melhor História do Homem Aranha'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/-5Ehz__yFolo/TmPfOcbvKlI/AAAAAAAAATA/P_BqT99KbBQ/s72-c/HomemAranha19_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-3983696747358719786</id><published>2011-08-28T12:03:00.001-03:00</published><updated>2011-08-28T12:03:04.491-03:00</updated><title type='text'>Novidades da Semana</title><content type='html'>&lt;p&gt;Nesta semana, duas resenhas de HQ nacionais. E o melhor: as duas com elementos sobrenaturais!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A primeira revela uma paixão de infância por um dos melhores gibis brasileiros de terror em todos os tempos: &lt;strong&gt;Calafrio.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A volta ao mercado desse ícone, que durante mais de uma década abrigou os melhores profissionais das décadas de 50, 60 e 70, além de revelar grandes talentos até então desconhecidos do grande público, é uma das melhores notícias do ano.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Leia a crônica &lt;strong&gt;&lt;a href="http://gibirasgado.blogspot.com/2011/08/calafrio-cachimbo-vela-preta-e.html" target="_blank"&gt;Calafrio: cachimbo, vela preta e a ressurreição de um mito&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, aqui mesmo, no Gibi Rasgado.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E teve também o lançamento de &lt;strong&gt;Birds&lt;/strong&gt;, do Gustavo Duarte.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;É simplesmente impossível não resenhar um gibi desse cara. Se você ainda não conhece seu trabalho ou se só conhece as charges esportivas que ele faz, um recado: seus gibis são sensacionais!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E &lt;strong&gt;Birds &lt;/strong&gt;é seu primeiro gibi de terror. Bem, terror não é exatamente a palavra. Quer dizer, é. Mas também não é… Quer saber? É melhor você ler a resenha &lt;strong&gt;&lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/?p=9518" target="_blank"&gt;Birds: estilingue certeiro&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, lá no &lt;strong&gt;Quadro a Quadro.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Boa semana a todos!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não se esquecendo que amanhã, dia 29/08, lá na &lt;strong&gt;Livraria da Vila &lt;/strong&gt;(Alameda Lorena, 1731 – Jd. Paulista – SP) tem o lançamento de &lt;strong&gt;Histórias do Clube da Esquina&lt;/strong&gt;, do &lt;strong&gt;Laudo Ferreira &lt;/strong&gt;e &lt;strong&gt;Omar Viñole&lt;/strong&gt;. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Imperdível.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/-4zXRaigV9L4/TlpYpEr8jnI/AAAAAAAAAS0/Ledv-5DnmjQ/s1600-h/s_MLB_v_O_f_198948445_8900%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="s_MLB_v_O_f_198948445_8900" border="0" alt="s_MLB_v_O_f_198948445_8900" src="http://lh3.ggpht.com/-arwOeynSASo/TlpYp_vVp_I/AAAAAAAAAS4/izkHSjWFpSM/s_MLB_v_O_f_198948445_8900_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="391" height="574" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-3983696747358719786?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/3983696747358719786/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/08/novidades-da-semana.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/3983696747358719786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/3983696747358719786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/08/novidades-da-semana.html' title='Novidades da Semana'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/-arwOeynSASo/TlpYp_vVp_I/AAAAAAAAAS4/izkHSjWFpSM/s72-c/s_MLB_v_O_f_198948445_8900_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-8109134971619364980</id><published>2011-08-24T18:49:00.002-03:00</published><updated>2011-08-27T00:47:33.990-03:00</updated><title type='text'>Calafrio: cachimbo, vela preta e a ressureição de um mito</title><content type='html'>&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/-h5SKKUizdy8/TlVxtQTb4KI/AAAAAAAAASE/oGP0Qn9R6jQ/s1600-h/CAPA_Calafrio_53%25255B4%25255D.jpg"&gt;&lt;img align="left" alt="CAPA_Calafrio_53" border="0" height="301" src="http://lh3.ggpht.com/-a3LTeFbvEBk/TlVxuUWAN9I/AAAAAAAAASI/F6ESGnz5-Is/CAPA_Calafrio_53_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; float: left; margin: 0px 13px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" title="CAPA_Calafrio_53" width="217" /&gt;&lt;/a&gt;Tem alguns sonhos que nos atormentam enquanto dormimos, que são recorrentes.&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;Já teve um daqueles pesadelos em que você corre, corre, mas nunca chega a lugar algum? Nunca somos rápidos o suficiente nesse mundo estranho em que habita nosso subconsciente.&lt;/div&gt;Ou cães e lobos nos perseguindo.&lt;br /&gt;Ou ainda o medo da inevitável morte representado em nossos piores pesadelos.&lt;br /&gt;Mas tem também sonhos que nos perseguem durante a vida. Ou, como diriam nesse mundo doido dos negócios e dos livros de auto ajuda, &lt;i&gt;objetivos&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;Todo mundo tem, não olhe para o outro lado pensando que não é com você também.&lt;br /&gt;É o sonho da casa própria, de um emprego estável, de sucesso e mulheres deslumbrantes, de príncipes encantados montados em suas ferraris. Ter um filho, fazer uma faculdade, conhecer o “estrangeiro”, comprar um vestido, ressuscitar um gibi, trocar de carro, abrir um negócio próprio…&lt;br /&gt;Peraí! &lt;br /&gt;Ressuscitar um gibi???&lt;br /&gt;Sim, por que não? Tem gente que tem o sonho de chupar neve em Bariloche, porque eu não poderia querer ressuscitar um gibi?&lt;br /&gt;Logo após &lt;a href="http://gibirasgado.blogspot.com/2010/06/o-dia-em-que-perdi-batalha-para-os_8337.html" target="_blank"&gt;doar toda a minha coleção&lt;/a&gt; de gibis, ainda não conseguia me livrar do vício das bancas. Sempre passava por uma, via o que estava saindo mas não comprava nada. Naquela época achava que estava realmente curado.&lt;br /&gt;Foi quando comecei a sentir falta de algo que &lt;a href="http://gibirasgado.blogspot.com/2010/07/minha-primeira-calafrio_7060.html" target="_blank"&gt;atravessou toda a minha infância e adolescência&lt;/a&gt;. Curioso, perguntei ao jornaleiro e ele respondeu seco:&lt;br /&gt;- Mais uma que parou de ser publicada.&lt;br /&gt;Eu já não colecionava mais, havia decretado o fim “daquela coisa de criança” na minha vida mas ainda assim foi um choque. A &lt;b&gt;Calafrio&lt;/b&gt;, um dos melhores gibis brasileiros de terror de todos os tempos, havia encerrado sua carreira.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-3GKewRcJDSI/TlVxu1ZnbUI/AAAAAAAAASM/8CCT5mvHr-0/s1600-h/Aracaju_Expo_Terror_Calafri%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img align="right" alt="Aracaju_Expo_Terror_Calafri" border="0" height="275" src="http://lh3.ggpht.com/-S7RqZkRGPwo/TlVxvmFrZtI/AAAAAAAAASQ/BbiWUXkBrQU/Aracaju_Expo_Terror_Calafri_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; float: right; margin: 0px 0px 0px 7px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" title="Aracaju_Expo_Terror_Calafri" width="205" /&gt;&lt;/a&gt;Obviamente que aquela minha suposta “cura” era uma farsa e foi apenas uma questão de tempo até que os gibis voltassem ao meu cotidiano. Uma das primeiras coisas que fiz ao voltar a ler gibis foi começar o árduo trabalho de garimpar em sebos e feiras livres os números antigos da excelente publicação de &lt;b&gt;Rodolfo Zalla&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;Para quem não sabe, com a falência da &lt;b&gt;Editora Vecchi&lt;/b&gt; no início dos anos 80 e, consequentemente, o cancelamento das revistas &lt;b&gt;Spektro, Pesadelo, Histórias do Além&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Sobrenatural&lt;/b&gt;, as revistas &lt;b&gt;Calafrio &lt;/b&gt;e &lt;b&gt;Mestres do Terror&lt;/b&gt;, ambas da &lt;b&gt;Editora D’Art&lt;/b&gt; e editadas pelo incansável &lt;b&gt;Rodolfo Zalla&lt;/b&gt;, foram as únicas representantes nacionais nas prateleiras das bancas de jornal. Havia também a excelente &lt;b&gt;Kripta&lt;/b&gt;, da &lt;b&gt;Rio Gráfica Editora&lt;/b&gt;, mas essa só publicava material das norte americanas &lt;b&gt;Eerie&lt;/b&gt; e&lt;b&gt; Creppy&lt;/b&gt;, e não tinha boitatá, escravos mortos assombrando fazenda nem mula sem cabeça.&lt;br /&gt;Foram nas páginas de &lt;b&gt;Calafrio&lt;/b&gt;&amp;nbsp; que pudemos ver gênios como &lt;b&gt;Rodolfo Zalla, Eugenio Colonesse, Júlio Shimamoto &lt;/b&gt;e&lt;b&gt; Flavio Colin &lt;/b&gt;desfilarem seus traços, além de toda uma geração de novos talentos, que tinham ali uma rara oportunidade de iniciarem suas carreiras.&lt;br /&gt;Aquela foi a última grande publicação regular de terror no Brasil. E depois dela somente trevas, mas não das que gostávamos.&lt;br /&gt;Sempre tive o desejo de ressuscitar a &lt;b&gt;Calafrio&lt;/b&gt;. Um desejo doido, é claro, já que não sou editor, mas ainda assim um sonho. Um gibi daquele não poderia ficar guardado apenas nas memórias e estantes de antigos fãs. Aquela publicação representou toda uma era e foi o último grande reduto dos desenhistas e roteiristas que ajudaram a construir a indústria de quadrinhos que hoje parece finalmente se solidificar.&lt;br /&gt;Mas o jornalista &lt;b&gt;Wagner Augusto&lt;/b&gt;, do &lt;b&gt;Clube dos Quadrinhos&lt;/b&gt;, graças aos deuses que protegem os quadrinhos nacionais, parece nunca ter abandonado a mesma ideia. Em parceria com o próprio &lt;b&gt;Zalla&lt;/b&gt;, acabou de lançar uma nova edição de &lt;b&gt;Calafrio&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;Seguindo a numeração original, o exemplar 53 da coleção volta após quase duas décadas. Um lançamento que deve, antes de tudo, ser comemorado com cachimbo e vela preta.&lt;br /&gt;Com um novo tratamento gráfico e visual, além de um formato ligeiramente maior, esta nova &lt;b&gt;Calafrio&lt;/b&gt; promete ter vindo para ficar. Para alegria dos antigos fãs, eu incluído.&lt;br /&gt;Mas os desafios não serão poucos. O público de hoje é bem diferente daquele de 30 anos atrás. E esse será o grande obstáculo à continuidade da publicação.&lt;br /&gt;Uma geração altamente tecnológica, acostumada a uma leitura ligeira, que posta notícias através do celular, no momento em que ocorrem, e que tem como principal referência de quadrinhos nacionais apenas os profissionais que trabalham para as grandes editoras norte americanas.&lt;br /&gt;Nomes como Colin, Lyrio Aragão ou Rubens Cordeiro pouco ou nada dizem a essa geração. &lt;br /&gt;Um erro imperdoável próprio da juventude, que pouco se interessa pelo passado, mas que a nova &lt;b&gt;Calafrio&lt;/b&gt; tem a rara oportunidade de corrigir. &lt;br /&gt;Se esta 2ª fase der continuidade à linha editorial que a tornou célebre, a indústria de quadrinhos nacional terá uma publicação que o gênero terror (um dos mais populares de nossa história) há muito não via.&lt;br /&gt;Um gibi com histórias clássicas mas também com material inédito. &lt;br /&gt;Mas principalmente, um gibi com &lt;b&gt;material e temas brasileiros&lt;/b&gt;. Algo que, sem dúvida, o mercado atual precisa mais do que nunca, sob pena de perder a mais bela de suas características, a multipluralidade.&lt;br /&gt;E enquanto mostra sua cara às novas gerações, a &lt;b&gt;Calafrio &lt;/b&gt;poderá contar com o apoio e carinho daqueles que nunca duvidaram que um dia ela voltaria a nos assombrar.&lt;br /&gt;Não pude realizar o sonho de ressuscitá-la. Mas tive o enorme prazer de vê-la de volta ao mercado.&lt;br /&gt;Como disse, algo que deve ser comemorado com cachimbo e vela preta.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-loofOoWHvrE/TlVxxqZoblI/AAAAAAAAASU/tDkejjm8jUg/s1600-h/Calafrio01%25255B4%25255D.jpg"&gt;&lt;img alt="Calafrio01" border="0" height="525" src="http://lh3.ggpht.com/-pqsS00O_cCI/TlVxywRqfBI/AAAAAAAAASY/t5nJ2y9DkAk/Calafrio01_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" title="Calafrio01" width="381" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: ontem esqueci de agradecer publicamente ao encantador &lt;b&gt;Rodolfo Zalla&lt;/b&gt;.  No dia do lançamento, após autografar a edição 53, esse gênio dos  quadrinhos honrou-me com mais um autógrafo, dessa vez na nº 01 original.  Algo que guardarei para a vida inteira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-8109134971619364980?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/8109134971619364980/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/08/calafrio-cachimbo-vela-preta-e.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/8109134971619364980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/8109134971619364980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/08/calafrio-cachimbo-vela-preta-e.html' title='Calafrio: cachimbo, vela preta e a ressureição de um mito'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/-a3LTeFbvEBk/TlVxuUWAN9I/AAAAAAAAASI/F6ESGnz5-Is/s72-c/CAPA_Calafrio_53_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-1661297761135870450</id><published>2011-08-14T14:24:00.003-03:00</published><updated>2011-08-19T23:29:54.850-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rafael Quimica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos Independentes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos Nacionais'/><title type='text'>Produtos e Produtores</title><content type='html'>Tem gente que você acaba de conhecer e não precisa de mais do que alguns minutos pra sacar que o cara ainda vai fazer barulho.&lt;br /&gt;Nos quadrinhos, longe dos holofotes que o andam iluminando ultimamente por conta da recente (e merecida) exposição de brasileiros no mercado estadunidense, existe todo um mundo que a maior parte dos leitores de quadrinhos (sobretudo de comics americanos) desconhecem, mas que pulsa a um ritmo frenético.&lt;br /&gt;Algo que convencionamos chamar de &lt;i&gt;mercado independente&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/-vPzglpDUrkc/TkgEzjhXIcI/AAAAAAAAARU/nnxgAgQ8Q5Y/s1600-h/Subterraneo_capa_sub36_will%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img alt="Subterraneo_capa_sub36_will" border="0" height="260" src="http://lh4.ggpht.com/-ysU_Cj7T41A/TkgE0Z0CoDI/AAAAAAAAARY/_bkhrL8IVU8/Subterraneo_capa_sub36_will_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" title="Subterraneo_capa_sub36_will" width="381" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um conceito totalmente equivocado mas bastante difundido, atribui ao mercado independente uma suposta responsabilidade sobre a “má qualidade” dos quadrinhos nacionais, à revelia de todas as provas de vitalidade e criatividade que ele tenha demonstrado nos últimos anos.&lt;br /&gt;Basta uma rápida visita aos diversos fóruns especializados em quadrinhos (em uma parte bastante especifica dos quadrinhos, é bom lembrar) para cruzarmos com palavras como “lixo”, “merda” e “mal feito”. Não discordo que parte de nossa produção não possua a devida qualidade, mas me pergunto: qual mercado não sofre o mesmo desequilibrio qualitativo em sua produção?&lt;br /&gt;Ou quem em sã consciência vai dizer que aquela aberração chamada &lt;i&gt;Saga do Clone&lt;/i&gt; é merecedora da enorme tradição de um dos personagens mais bacanas e populares de todos os tempos? E para não dizer que só pego no pé da Marvel, quem poderia prever, ao ler &lt;i&gt;O Derrotista&lt;/i&gt;, que o cara que escreveu aquilo seria no futuro o autor de &lt;i&gt;Palestina &lt;/i&gt;e&lt;i&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;Gorazde?&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Obras boas e ruins são comuns em qualquer mercado, mesmo nos mais estruturados, como o Oriental, o Americano ou o Franco-Belga (tá, lá é mais difícil, mas também acontece).&lt;br /&gt;O que não podemos é, sistematicamente, acreditar que os quadrinhos nacionais não possuem qualidade e que o mercado independente é o grande vilão da história.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/-PVctBM3m90E/TkgE0_FWeZI/AAAAAAAAARc/pAZbPldojqw/s1600-h/necro_02%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img align="left" alt="necro_02" border="0" height="248" src="http://lh6.ggpht.com/-e93onh6U-zY/TkgE1l5XpOI/AAAAAAAAARg/roq9GwOXHlU/necro_02_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; float: left; margin: 0px 12px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" title="necro_02" width="174" /&gt;&lt;/a&gt;Colin publicou durante anos no mercado independente.&lt;b&gt; Laudo Ferreira, André Diniz, Wellington Srbek, Danilo Beyruth&lt;/b&gt; e tantos outros nomes que hoje começam a ser apontados como referências nos quadrinhos nacionais, já publicavam excelentes trabalhos em gibis que variavam do papel jornal à xerox em A4 dobrado.&lt;br /&gt;Acontece que durante muito tempo, o mercado independente era a &lt;b&gt;única&lt;/b&gt; opção. E os caras tinham que sambar pra se fazerem ouvidos, pois as editoras só queriam (e muitas ainda só querem) um novo Maurício, um novo Ziraldo ou – o máximo da ironia – um novo trio de alucinados como Laerte, Angeli e Glauco (acho que não preciso contar aqui o barulho que eles fizeram na década de 80, vindos diretamente do mercado independente e com uma produção totalmente não convencional, muito mais próxima do &lt;i&gt;underground&lt;/i&gt; de &lt;b&gt;Crumb&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Shelton&lt;/b&gt;, do que o padrão &lt;i&gt;Turma da Mônica&lt;/i&gt;).&lt;br /&gt;Mas o rolo compressor chamado informática – e com ela a internet – tem mudado radicalmente a forma de se produzir quadrinhos. O barateamento dos processos gráficos que envolvem sua produção e a incorporação de softwares de edição e imagens no cotidiano dos profissionais tem proporcionado um &lt;i&gt;boom &lt;/i&gt;qualitativo no mercado independente. A xerox deixou de ser a principal opção e se tornou opção &lt;i&gt;estética.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Outro dia estava ali na &lt;b&gt;HQMix&lt;/b&gt;, fumando um cigarrinho com o &lt;b&gt;Gual&lt;/b&gt;, e conversávamos justamente sobre os meios de produção atuais, da facilidade em se produzir novos formatos, novas cores (não exatamente novas, as cores sempre estiveram por aí, mas agora conseguimos imprimi-las), quando nos chega um carinha barbudo, simpático, acompanhado de sua também simpática esposa.&lt;br /&gt;Após um abraço afetuoso no Gual, somos apresentados. O cara se chama &lt;b&gt;&lt;a href="http://quimicarafa.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Rafael Química&lt;/a&gt; &lt;/b&gt;e estava ali para apresentar o seu &lt;b&gt;Produto&lt;/b&gt;. Não, não é um trocadilho, o gibi do cara se chama &lt;b&gt;Produto&lt;/b&gt; e conta as desventuras de um tomate que sonhava ser modelo de natureza morta para algum pintor famoso.&lt;br /&gt;Idiota? Ingênuo? Uma “merda” como dizem os pseudo entendidos em quadrinhos?&lt;br /&gt;Não, na verdade está mais para genial. &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Química&lt;/b&gt; aproveita o mote &lt;i&gt;nonsense&lt;/i&gt; para produzir uma sarcástica história sobre como as coisas podem acontecer na indústria, seja ela qual for, e em como os sonhos e anseios de alguém podem dar terrivelmente errado – ou certo – nessas terríveis engrenagens que movem o &lt;i&gt;show business&lt;/i&gt;. Uma ácida crítica que nos leva a uma honesta reflexão sobre os meios de produção e seus valores éticos e financeiros.&lt;br /&gt;E tudo isso num bom humor de fazer inveja a qualquer um, a começar pela capa serigrafada, que simula uma banal caixinha de papelão dessas que habitam qualquer prateleira de supermercado (numa referência à maior e mais genial piada da história da arte). Dividido em duas histórias, &lt;b&gt;Produto &lt;/b&gt;nos mostra dois pontos de vista: o do surreal tomate e o de seu incansável agricultor. A mesma história, dois caminhos diferentes que se não levam ao mesmo lugar, levam à mesma constatação e que se desdobram em outros pontos de vista. &lt;br /&gt;Cínico, divertido e extremamente bem feito, &lt;b&gt;Produto&lt;/b&gt; corrobora tudo aquilo que disse sobre o equivocado conceito de que os quadrinhos nacionais não possuem qualidade e vai além: mostra que o mercado independente deixou de ser a única opção e é hoje (como sempre foi, mas hoje mais do que nunca) o principal veículo para aqueles que tem algo a dizer além da obviedade enlatada que (ainda) pretende imprimir um suposto padrão de qualidade aos quadrinhos e ditar as regras do que deve ou não ser lido.&lt;br /&gt;Como disse, às vezes não precisamos de mais do que alguns minutos para perceber que um cara ainda vai fazer barulho.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Rafael Química &lt;/b&gt;é um deles.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-6fNS4xZkI2U/TkgE3vTy2VI/AAAAAAAAARk/26n6EV26HFw/s1600-h/TOMATECUBO%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img alt="TOMATECUBO" border="0" height="415" src="http://lh4.ggpht.com/-dtDjRYDOeIU/TkgE4WMig2I/AAAAAAAAARo/Xfa-vHyK5yQ/TOMATECUBO_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" title="TOMATECUBO" width="396" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Para conhecer mais sobre o trabalho de rafael Química, acesse &lt;a href="http://quimicarafa.blogspot.com/" title="http://quimicarafa.blogspot.com/"&gt;http://quimicarafa.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-1661297761135870450?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/1661297761135870450/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/08/produtos-e-produtores.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/1661297761135870450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/1661297761135870450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/08/produtos-e-produtores.html' title='Produtos e Produtores'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/-ysU_Cj7T41A/TkgE0Z0CoDI/AAAAAAAAARY/_bkhrL8IVU8/s72-c/Subterraneo_capa_sub36_will_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-572577056658182636</id><published>2011-08-06T11:43:00.001-03:00</published><updated>2011-08-07T17:24:00.560-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Histórias Inesquecíveis'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neil Gaiman'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caçadores de Sonhos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sandman'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Yoshitaka Amano'/><title type='text'>Histórias Inesquecíveis: Caminhos escuros, sonhos que terminam e pessoas que se recusam a deixar de sonhar</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-SwJGUW8efd0/Tj1S403sC_I/AAAAAAAAAQs/QY15h5Pr0UM/s1600-h/imagesCA9U0FLL%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 12px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="imagesCA9U0FLL" border="0" alt="imagesCA9U0FLL" align="left" src="http://lh6.ggpht.com/-t-p1RW4_EwI/Tj1S5UGX-_I/AAAAAAAAAQw/1cSoxJDPu3s/imagesCA9U0FLL_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="193" height="291" /&gt;&lt;/a&gt;Quando crianças, somos capazes de coisas incríveis.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Faz parte da natureza humana a invenção, a criatividade, o sonho. E é nas crianças que isso se revela em sua forma mais pura e devastadora.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A imaginação de uma criança é capaz de tudo. E se o tudo não for o suficiente ela é capaz de ir além.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas crescemos e em algum momento de nossas vidas algo se quebra em nossa mente infantil. É geralmente o momento em que também começamos a crescer.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Algo sutil, que quase nunca podemos precisar quando e onde acontece. Mas é ali que iniciamos a demolição de todo o mundo idílico de nossa imaginação e começamos a nos tornar adultos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E essa é uma das vantagens de envelhecer. A memória se apura com a idade e coisas vem à tona. Geralmente as coisas que merecem ser lembradas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;17 de setembro de 1985. Falando assim parece apenas uma data. Era uma terça feira à noite e eu tinha acabado de completar 13 anos. Lembro muito bem porque tinha andado a pé 05 km até a casa da minha tia, no outro lado do morro que é a Vila Formosa, zona leste de capital paulista.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não tínhamos mais nenhum dinheiro em casa e minha irmã mais nova precisava de leite na manhã seguinte. E mais: ela completaria quatro anos naquela manhã e minha mãe queria fazer um bolo, então precísavamos mesmo daqueles litros de leite.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Eu, apesar da pouca idade, trabalhava como servente de pedreiro aos finais de semana com meu tio. Tinha ido receber os trocados que recebia como paga.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Até aí tudo bem, estava acostumado com o caminho e aos 13 anos realmente não me importava de andar toda aquele distância por algo que, em valores de hoje, não devia ultrapassar uns 20 contos. Ainda mais porque eles salvariam o parabéns a você da Foo (esse é o nome dela, tem outro na certidão de nascimento, mas raramente o usamos).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A merda toda aconteceu na volta. Minha memória me trai aqui, não consigo lembrar o horário, mas já era noite.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E de repente tudo ficou ainda mais escuro. A energia elétrica tinha ido pro saco.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Já estava no meio do caminho, no pé do morro onde termina a Vila Matias e começa a Vila Formosa. Foi quando caí na besteira de olhar para trás. Não era uma quadra ou duas sem energia, era tudo até onde a vista alcançava. Estávamos (e isso eu só soube depois) no primeiro grande blecaute que o país sofreu.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Se os mais novos acham assustador o blecaute de 2009, imaginem num tempo em que as ruas eram habitadas apenas por ônibus e um ou outro taxi, onde quem tinha um fusca ou uma brasília era abastado e praticamente só os hospitais tinham geradores próprios.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quando as pessoas que estavam nas ruas perceberam a extensão do apagão, começaram a correr. Alguns gritavam.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Na esquina, do outro lado da Avenida João XXIII, alguém armado com um pedaço de pau começou a espancar um orelhão enquanto gritava palavras de ordem contra o então presidente José Sarney.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Enfiei a mão no bolso e segurei firme as notas da paga. Corri o mais rápido que pude e não parei até chegar em casa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nunca em minha vida senti tanto medo como naquela noite. Medo do escuro, medo de homens que saíam das sombras, medo de não ter leite no dia seguinte, medo de estragar tudo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Naqueles&amp;#160; milhares de metros em carreira, deixei pra trás muito mais do que a escuridão. Deixava ali também a minha infância e a minha capacidade de sonhar.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-Zucbuuax1rI/Tj1S67VkeVI/AAAAAAAAAQ0/rKo_q5-R1Vg/s1600-h/dream-hunters%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="dream-hunters" border="0" alt="dream-hunters" src="http://lh4.ggpht.com/-_ZCGBzqz9dU/Tj1S7x67OKI/AAAAAAAAAQ4/b8qO_tQKz3s/dream-hunters_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="388" height="534" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Muitas coisas contribuíram para que esse blog existisse. Já falei sobre elas &lt;a href="http://gibirasgado.blogspot.com/2010/12/onde-fui-amarrar-meu-bode_201.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;, mas me esqueci de um fato banal, acontecido há cerca de dois anos, que na época me deixou bastante contente mas que havia permanecido escondido nessa coisa maluca chamada memória e que só agora vem à superfície. Algo extremamente importante nessa minha caminhada nos quadrinhos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Estava num sebo e começava a recobrar o gosto por colecionar esse troço a que chamamos de gibi quando encontrei &lt;strong&gt;Os Caçadores de Sonhos&lt;/strong&gt;, de &lt;strong&gt;Neil Gaiman e Yoshitaka Amano &lt;/strong&gt;(Editora Conrad, 2000).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Os mais puristas podem dizer que não se trata de quadrinhos. E, claro, estão cobertos de razão.&lt;strong&gt; Os Caçadores de Sonhos&lt;/strong&gt; é um conto ilustrado. Mas é um conto de &lt;strong&gt;Sandman&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quero que me digam um único cara que colecione Sandman e não o tenha em sua estante. Todos os fãs da epópeia do Senhor dos Sonhos conhecem a edição e são unânimes em afirmar que é uma das coisas mais lindas da saga.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não a li de imediato. No mundo dos quadrinhos existem coisas que não valem nem uma leitura rápida num ônibus parado no trânsito. Outras, entretanto, &lt;strong&gt;não merecem &lt;/strong&gt;ser lidas em tais condições. O livro de Gaiman e Amano pertence a segunda categoria.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Aguardei pacientemente 03 dias até que chegasse a sexta feira. Por volta das onze da noite minha esposa foi se deitar, ela trabalha aos sábados, eu não. Desliguei a TV, sentei-me no chão da cozinha, esquentei uma xícara de café e acendi um cigarro.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A leitura terminou as três da manhã. Muita coisa aconteceu naquele meio tempo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Para quem ainda não conhece a história, &lt;strong&gt;Os Caçadores de Sonhos&lt;/strong&gt; é baseado em um antigo conto japonês, traduzido para o Ocidente como &lt;em&gt;A Raposa, o Monge e o Mikado dos Sonhos. &lt;/em&gt;Melhor seria dizer que se baseia em vários&amp;#160; contos antigos, já que é um conto folclórico e, como tal, possui várias versões que se diferem entre si nos detalhes, nomes e lugares, mas que são semelhantes em sua essência. O conto fala sobre uma raposa que se apaixona por um solitário monge. No caminho desse amor impossível encontraremos um poderoso e atormentado feiticeiro que fará de tudo para encontrar a paz, inclusive matar.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;É surpreendente saber que a história existe há centenas, talvez milhares de anos, pois as coincidências com o mundo criado por Gaiman para sua versão de Sandman não são poucas.&amp;#160; O que prova a tese que as histórias estão por aí, assim como os pensamentos, basta que alguém entre na mesma sintonia e elas acontecerão.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E é essa sintonia que temos a rara oportunidade de presenciar na obra de Gaiman e Amano.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não vale aqui contar mais sobre a história. Ela é simples e desconfio que uma rápida busca no Google possa entregar muito mais do que eu ousaria. Vale a pena sim contar um pouco do que ela revela.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Os Caçadores de Sonhos&lt;/strong&gt; trata, principalmente, de onde até o amor pode chegar. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A raposa começa sua história tentando enganar o abnegado monge. Um ardil, uma trapaça para corromper uma alma, afinal, as raposas, em toda a história da humanidade, em milhares de contos de fadas, sempre foram associadas a astúcia e ao orgulho.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas o caráter dúbio da raposa, tantas vezes contado em prosa, não foi esquecido no conto japonês. Como na vida, o tiro sai pela culatra e a raposa, antes sedenta por ludibriar o monge, percebe suas qualidades e se apaixona.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E aí entra o talento narrativo de Gaiman e a explosão visual que são as ilustrações de Amano. Não é incorreto dizer que o inglês e o japonês conseguiram a façanha de traduzir para nosso tacanho e pragmático mundo ocidental as sutis metáforas tão comuns nas milenares histórias orientais.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Afinal, somos meio cegos e limitados nesse sentido, como prova o processo de construção da civilização ocidental, pródigo em destruir tudo aquilo que não pode ser encaixado em nossa egoísta visão de mundo, inclusive os sonhos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E são essas sutis metáforas que escondem a principal mensagem do conto: amar vale toda a viagem, viver e morrer por amor é apenas uma consequência natural da vida, pois tudo nasce, cresce e morre.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No fim, ao se cruzar aquela linha obscura entre a vida e a morte, independente do que digam as centenas de crenças religiosas, se haverá ou não um paraíso dos justos ou um julgamento final, o que fica são os sonhos que se distribuiu pela vida e o amor que sentiu por si mesmo e pelos outros.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A raposa, mesmo astuta, e o Monge, mesmo bondoso, aprendem isso da pior e da melhor maneira. E sofrem sim seu julgamento. Não o julgamento do Apocalipse, com seus terríveis anjos, trombetas e livros sobre nossos dias de vida. O julgamento mostrado em &lt;strong&gt;Os Caçadores de Sonhos&lt;/strong&gt; é muito mais sutil e cheio de significado. O que é pesado ali é o que somos e o que pensamos, não o que fizemos ou deixamos de fazer.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-zMlOr0PQAXI/Tj1S9wOICrI/AAAAAAAAAQ8/e6oWV3RGVfQ/s1600-h/sandman-the-dream-hunters%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="sandman-the-dream-hunters" border="0" alt="sandman-the-dream-hunters" src="http://lh5.ggpht.com/-8TZJdNCK1mI/Tj1S-hxJ7DI/AAAAAAAAARA/YPyA6hW-uIM/sandman-the-dream-hunters_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="392" height="295" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Conceito complicado num mundo em que somos comandados pelo relógio e tememos mais o desemprego e o carinha do farol do que o Apocalipse.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas claro que o amor tem o seu antagonista. Nossa pragmática obviedade aponta imediatamente para o ódio. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E aí somos surpreendidos novamente pela sabedoria oriental. Não é o ódio o principal vilão dessa história, mas sim o medo. Quem ama nada teme, nem a vida, nem a morte. Já quem tem medo nunca encontrará o amor e, por analogia, jamais poderá viver ou morrer plenamente.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E o medo é personificado no poderoso Mestre de Yin-Yang.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Rico, temido, conhecedor de profundos segredos sobre o mundo dos vivos e dos mortos mas atormentado pelo medo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E é o seu medo e sua incessante busca pela paz que o fará encontrar o monge e a raposa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No conflito interno existente em cada um dos personagens, somos pouco a pouco transportados para um mundo aparentemente fantasioso, habitado por seres mágicos e espíritos atormentados.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas é esse mundo de fábulas que reflete muito daquilo que vivemos e sentimos nesse moderno século XXI. Sobretudo o medo tão comum em nossa sociedade e essa inexplicável incapacidade de amar as coisas, que nos leva a uma espiral violenta contra tudo e todos, atacando outros seres humanos simplesmente por acreditarem em outro deus, por possuirem outra cor de pele ou por gostarem de coisas diferentes daquelas de que gostamos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Uma irracionalidade que nos leva a não mais ter fé na humanidade, a enxergarmos a miséria como algo comum e o ódio como virtude.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nesse sentido, o desfecho do belíssimo &lt;strong&gt;Os Caçadores de Sonhos&lt;/strong&gt; guardam um importante ensinamento. Uma lição que envergonhará aqueles que, como eu, encaram a literatura como reflexo da vida. A aqueles que acham que um livro (ou um gibi) não é mais que um monte de páginas costuradas ou grampeadas, &lt;strong&gt;Os Caçadores de Sonhos &lt;/strong&gt;será um livro incompreensível.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-RrPsoUC_jT8/Tj1S_cbVSXI/AAAAAAAAARE/MyQoUT3zUpw/s1600-h/2449303186_0fce8a436c%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="2449303186_0fce8a436c" border="0" alt="2449303186_0fce8a436c" src="http://lh4.ggpht.com/-3sxbCy4mHoY/Tj1TALbCQiI/AAAAAAAAARI/XwAih13xVSs/2449303186_0fce8a436c_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="398" height="283" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nunca poderemos precisar exatamente o momento em que deixamos de lado a beleza do mundo infantil e entramos nessa coisa maluca e egoísta a que chamamos mundo adulto. Eu escolhi o dia 17 de setembro de 1985 porque foi essa data que minha traiçoeira memória resolveu gravar. Com certeza meus sonhos começaram a morrer antes daquele blecaute. E só foram definitivamente enterrados algum tempo depois.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas é uma data tão boa quanto qualquer outra.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Assim como aquela madrugada, há cerca de dois anos, quando percebi que os sonhos e a beleza de se acreditar neles haviam voltado ao meu cotidiano.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E agradeci por existirem homens que se recusam a deixar de sonhar e produzem coisas como esse &lt;strong&gt;Os Caçadores de Sonhos&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um livro capaz de despertar reflexões profundas sobre como vivemos e até onde queremos (ou estamos dispostos) a chegar.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Uma história sobre escolhas difíceis entre opções simples. Sobre o que fazer quando temos que nos decidir se escolhemos viver e amar ou se nos esconderemos o resto de nossos dias entre as franjas do medo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Uma lanterna para as escuras estradas da alma.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Neil Gaiman e Yoshitaka Amano, munidos apenas de seus &lt;em&gt;chouchins,&lt;/em&gt; iluminaram meu caminho de volta daquela tenebrosa noite de setembro de 1985.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/-uNk0yBpHb_Y/Tj1TBjP7mQI/AAAAAAAAARM/hfafi44Q-bg/s1600-h/chouchin%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="chouchin" border="0" alt="chouchin" src="http://lh6.ggpht.com/-HhwO7HCjvfk/Tj1TCF5cmyI/AAAAAAAAARQ/IxDHd6aTAEU/chouchin_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="389" height="293" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-572577056658182636?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/572577056658182636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/08/historias-inesqueciveis-caminhos.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/572577056658182636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/572577056658182636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/08/historias-inesqueciveis-caminhos.html' title='Histórias Inesquecíveis: Caminhos escuros, sonhos que terminam e pessoas que se recusam a deixar de sonhar'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/-t-p1RW4_EwI/Tj1S5UGX-_I/AAAAAAAAAQw/1cSoxJDPu3s/s72-c/imagesCA9U0FLL_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-827783977495097582</id><published>2011-08-03T22:43:00.001-03:00</published><updated>2011-08-03T22:43:55.616-03:00</updated><title type='text'>Ops…</title><content type='html'>&lt;p&gt;Galera, a vida ficou enrolada nesta semana.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Culpa das profecias pré colombianas sobre o fim do mundo. O clima anda meio maluco e a sinusite pegou de jeito.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Então a postagem de hoje vai ter que ficar para sábado.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E falando nos compromissos de sábado, os paulistanos não tem do que reclamar.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Amanhã, dia 04/08, vai rolar lá na Livraria Saraiva do Shopping Pátio Higienópolis (Av. Higienópolis, 618 - loja 315 - Piso Higienópolis), o lançamento do ótimo &lt;strong&gt;Leonardinho – Memórias do Primeiro Malandro Brasileiro&lt;/strong&gt;, de &lt;strong&gt;Walter Pax &lt;/strong&gt;e &lt;strong&gt;Vicente Castro&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No sábado, à partir das 10 da manhã, vai rolar lá na Galeria do Rock (Rua 24 de Maio, 62 – 2º andar – Loja 329), em pleno Centrão, a inauguração de uma nova loja especializada em quadrinhos: &lt;strong&gt;O Cara dos Quadrinhos&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E pra fechar a noite em grande estilo, na HQMix (Praça Roosevelt, 142), à partir das 19:30, vai ter o lançamento de &lt;strong&gt;Auto da Barca do Inferno&lt;/strong&gt;, do &lt;strong&gt;Laudo.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Pra quem ainda não leu, veja a resenha &lt;a href="http://gibirasgado.blogspot.com/2011/07/barca.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um grande abraço a todos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;Lillo&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-827783977495097582?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/827783977495097582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/08/ops.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/827783977495097582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/827783977495097582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/08/ops.html' title='Ops…'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-1128456640724127958</id><published>2011-07-31T18:24:00.001-03:00</published><updated>2011-07-31T18:24:35.159-03:00</updated><title type='text'>Novidades da semana</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;font size="1"&gt;As postagens do &lt;strong&gt;Gibi Rasgado &lt;/strong&gt;acontecem todas as quartas a noite, aos sábados é dia de publicar resenha no &lt;/font&gt;&lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/"&gt;&lt;font size="1"&gt;Quadro a Quadro&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;font size="1"&gt;.&lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nesta semana, com um pequeno atraso, publiquei lá no &lt;strong&gt;Quadro a Quadro &lt;/strong&gt;a resenha do belíssimo &lt;strong&gt;&lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/?p=8553" target="_blank"&gt;Quando eu Cresci&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, do selo &lt;strong&gt;Agaquê.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um lançamento muito bem vindo e que demonstra o crescimento de um filão até então pouco explorado pelas editoras nacionais: as publicações européias.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Já aqui no &lt;strong&gt;Gibi Rasgado&lt;/strong&gt;, uma postagem extremamente pessoal sobre a acusação de plágio contra a &lt;strong&gt;Editora Conrad&lt;/strong&gt; e sua publicação de 2008, &lt;strong&gt;Chibata!&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um &lt;a href="http://gibirasgado.blogspot.com/2011/07/chibata-um-outro-lado-da-questao.html" target="_blank"&gt;depoimento pessoal&lt;/a&gt; sobre o grupo de teatro e a peça envolvida no embróglio, que pretende apresentar aos leitores e profissionais de quadrinhos um outro lado da questão.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Boa semana a todos e até quarta!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/-6Holbam5nwA/TjXIDN8EecI/AAAAAAAAAQk/TLkvJiwDutE/s1600-h/20101022-capa%252520perere%2525201%252520outubro%2525201960%252520WEB%25255B1%25255D%25255B4%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 12px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="20101022-capa%20perere%201%20outubro%201960%20WEB[1]" border="0" alt="20101022-capa%20perere%201%20outubro%201960%20WEB[1]" align="left" src="http://lh6.ggpht.com/-oso86_6k2XY/TjXIEbTXvlI/AAAAAAAAAQo/QTqYxZcmNhE/20101022-capa%252520perere%2525201%252520outubro%2525201960%252520WEB%25255B1%25255D_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="382" height="526" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-1128456640724127958?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/1128456640724127958/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/07/novidades-da-semana_31.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/1128456640724127958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/1128456640724127958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/07/novidades-da-semana_31.html' title='Novidades da semana'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/-oso86_6k2XY/TjXIEbTXvlI/AAAAAAAAAQo/QTqYxZcmNhE/s72-c/20101022-capa%252520perere%2525201%252520outubro%2525201960%252520WEB%25255B1%25255D_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-4285892142099793575</id><published>2011-07-27T00:15:00.001-03:00</published><updated>2011-07-27T00:21:15.610-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Trincheira Solitária'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Teatro Popular União e Olho Vivo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos Nacionais'/><title type='text'>Chibata: um outro lado da questão</title><content type='html'>&lt;p&gt;Hoje eu não vou falar de quadrinhos. Quer dizer, vou. Mas não diretamente.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Vou falar primeiro de teatro.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em fevereiro de 2000, após meses de insistência, &lt;strong&gt;César Vieira&lt;/strong&gt;, fundador e diretor artístico do &lt;strong&gt;Teatro Popular União e Olho Vivo&lt;/strong&gt;, ao telefone, pronunciou o que minha perseverança buscava ouvir:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;- Ok! Dá um pulo aqui domingo pra conhecer o grupo.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Começava ali uma experiência que mudaria o rumo da minha arte e da minha vida. Um caminho sem volta que, por mais estranho que possa parecer, me levou até esse blog nesta noite, até o gibi que estou fazendo para a &lt;strong&gt;Editora Nemo&lt;/strong&gt; e que também forjou o cara que sou agora.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O &lt;strong&gt;Teatro Popular União e Olho Vivo &lt;/strong&gt;(&lt;strong&gt;TUOV&lt;/strong&gt;, como o chamamos) não é um grupo qualquer de teatro. É outra coisa, por vezes inclassificável, mas que gravou à força e a sangue sua marca na história do teatro nacional nos últimos 50 anos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;A Origem&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O &lt;strong&gt;Teatro Popular União e Olho Vivo&lt;/strong&gt; – &lt;strong&gt;TUOV&lt;/strong&gt; – tem suas origens no ano de 1966, quando das primeiras reuniões objetivando as encenações de &lt;strong&gt;O Evangelho Segundo Zebedeu&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Corinthians Meu Amor&lt;/strong&gt;, ambas de &lt;strong&gt;César Vieira&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Embora ninguém soubesse à época, &lt;strong&gt;César Vieira &lt;/strong&gt;era o pseudônimo de &lt;strong&gt;Idibal Pivetta&lt;/strong&gt;, advogado, que passaria os vinte anos seguintes defendendo presos políticos perseguidos pelo regime militar, um dos poucos com coragem para isso naquela época.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em 1969 estreiou, pelo &lt;strong&gt;Teatro Casarão&lt;/strong&gt;, a peça &lt;strong&gt;Corinthians Meu Amor&lt;/strong&gt;. O espetáculo, devido ao seu tema, extrapolou a modesta sede do teatro na Avenida Brigadeiro Luiz Antonio e começou, sistematicamente, a se apresentar nas várias agremiações de nome “Corinthians” que existiam na década de 60.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em 1970, por um grupo de estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, auto intitulado &lt;strong&gt;Teatro do Onze&lt;/strong&gt; – uma alusão ao Grêmio Recreativo XI de Agosto, daquela instituição e ao qual era subordinado – estreiou o espetáculo &lt;strong&gt;O Evangelho Segundo Zebedeu&lt;/strong&gt;, que contava a história da Guerra de Canudos através da linguagem de cordel.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O espetáculo renovou a cena teatral paulistana ao apresentar em linguagem popular um exercício metalinguístico até então pouco visto no Teatro Nacional: a peça narrava a Guerra de Canudos através de uma história que ocorria dentro de um circo e se apropriava de elementos religiosos para contar a messiânica aventura de Antonio Conselheiro; não bastasse isso a encenação ocorreu dentro de um circo de verdade, no Parque do Ibirapuera.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O sucesso foi imediato e o grupo, mesmo sendo amador, ganhou todos os prêmios nacionais naquele ano, além de representar o país no Festival de Nancy, na França.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Anos Difíceis&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em 1971, quando acabou a carreira dos dois espetáculos, diversos&amp;#160; membros do &lt;strong&gt;Teatro Casarão&lt;/strong&gt; foram integrados ao&lt;strong&gt; Teatro do Onze&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Começaram então os ensaios para a peça &lt;strong&gt;Rei Momo&lt;/strong&gt;, que contaria a história do Brasil a partir da estrutura do Carnaval e propunha a eleição direta do Rei Momo do título, através de cédulas previamente entregues ao público.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O Espetáculo estrearia no ano seguinte e, novamente, foi convidado, pelo ineditismo de sua linguagem, a representar o país em outro festival internacional, desta vez o de WROCLAV, na Polônia.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No retorno, o Teatro do Onze se desvinculou do Grêmio Recreativo e começou a percorrer os bairros periféricos de São Paulo, já com o nome &lt;strong&gt;Teatro União e Olho Vivo&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A ousadia não passaria despercebida pelas autoridades militares que governavam o país. Em 1974 o &lt;strong&gt;Teatro União e Olho Vivo&lt;/strong&gt;, após uma apresentação num colégio da Vila Prudente, foi surpreendido por agentes militares infiltrados no público e&amp;#160; &lt;strong&gt;César Vieira&lt;/strong&gt; – dramaturgo do grupo – ficou mais de 90 dias sob os “cuidados” do &lt;strong&gt;DOPS&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Apesar das ameaças constantes de novas prisões, o grupo continuou se apresentando nos bairros populares e, em 1978 estreiou a peça &lt;strong&gt;Bumba, Meu Queixada&lt;/strong&gt;, contando as greves operárias ocorridas nas décadas de 50 e 60 em Contagem/MG e Perus/SP.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A feliz coincidência com o movimento operário que eclodia na mesma época no ABC paulista rendeu ao grupo alguns de seus melhores espetáculos, na sua imensa maioria encenados em sedes de sindicatos – clandestinas ou não.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No apagar das luzes do indecente regime político que vigorava no país, o &lt;strong&gt;Olho Vivo&lt;/strong&gt; ainda seria protagonista de mais um incidente: teve, em 1984, a estréia de seu espetáculo &lt;strong&gt;Morte aos Brancos – A Lenda de Sepé Tiaraju&lt;/strong&gt; adiada devido uma ameaça de bomba.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A denúncia anônima era clara: “vamos explodir essa merda de teatro subversivo e todos os que estiverem assistindo”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A ameaça, depois de minuciosa investigação policial no local, se provou falsa e o espetáculo estreou no final de semana seguinte.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;A Resistência Cultural&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Com a redemocratização do país e uma guinada cada vez maior das artes em geral a um caráter quase que exclusivamente comercial, o &lt;strong&gt;Teatro União e Olho Vivo&lt;/strong&gt; foi acusado por muitos de ser um grupo “ultrapassado” e representante de uma vertente teatral “em extinção”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Apesar das críticas, o grupo continuou se apresentando nos bairros periféricos de S.Paulo e não alterou suas opções estéticas, apresentando uma opção popular de teatro, comprometida com a ética e em prol da cultura brasileira.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Entre 1991 e 1996 estreou mais dois espetáculos: &lt;strong&gt;Barbosinha Futebó Crubi – Uma Estória de Adonirans&lt;/strong&gt;, contando a história do paulista Adoniran Barbosa, um dos maiores compositores nacionais, autor de &lt;em&gt;Saudosa Maloca&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Trem das Onze&lt;/em&gt; e outros imortais sucessos, e &lt;strong&gt;Us Juãos i os Magali&lt;/strong&gt;, representando a tresloucada tentativa de fundação de uma república independente em São Jorge dos Ilhéus/BA, pelo gaúcho Sebastião Magali, no começo do Século XX.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;A Descentralização da Cena Paulistana&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No final dos anos 80 e começo dos 90, começaram em S.Paulo, inspiradas nas experiências do&lt;strong&gt; Teatro União e Olho Vivo&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Teatro Vento Forte&lt;/strong&gt; – grupo da capital paulista, liderado pelo incansável &lt;strong&gt;Ylo Krugli&lt;/strong&gt; – diversas tentativas de descentralização da cultura, geralmente realizadas por jovens da periferia.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Foi então que surgiram importantes grupos, como a &lt;strong&gt;Brava Companhia, Teatro Pombas Urbanas&lt;/strong&gt; – hoje uma fundação com um reconhecido trabalho social na Cidade Tiradentes, no extremo leste da Capital – e &lt;strong&gt;Cia S.Jorge de Variedades&lt;/strong&gt;, entre outros.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O surgimento de tais grupos consolidou o trabalho iniciado nos idos de 1966 e criou uma importante rede de comunicação entre os coletivos paulistas na cena teatral da cidade, sobretudo na periferia, extremamente carente de iniciativas nesse sentido.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O &lt;strong&gt;Teatro Popular União e Olho Vivo&lt;/strong&gt; ainda apresentou, entre os anos de 2001 e 2010, o espetáculo &lt;strong&gt;João Cândido do Brasil – A Revolta da Chibata&lt;/strong&gt;, que narra a epopéia do marujo João Cândido Felisberto em sua luta pela abolição dos castigos corporais na Marinha de Guerra de 1910.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E é aí que voltamos à minha história dentro do &lt;strong&gt;Teatro Popular União e Olho Vivo&lt;/strong&gt;, e onde teatro e quadrinhos se misturam.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;João Cândido do Brasil – A Revolta da Chibata&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quando entrei no grupo, no início de 2000, ainda peguei a rabeira das pesquisas que resultariam no texto da peça sobre o Marinheiro que mudou a história do Brasil naquele começo de século XX.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Cheguei por lá antes da primeira cena ser escrita.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Eu era um dos poucos na época que possuíam computador em casa. Nada mais coerente portanto que eu fosse o encarregado de digitar os originais do &lt;strong&gt;César&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Atravessava as noites decifrando o caótico código de letras escritas com caneta de ponta porosa – a única que o &lt;strong&gt;César &lt;/strong&gt;consegue usar, devido à grave artrose que tem nas duas mãos, fruto direto das torturas a que foi submetido na temporada em que passou na cadeia.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Eram vários cadernos, com xerox de matérias de jornais da época, desenhos e fotos, tudo devidamente anotado e comentado. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Entre os recortes, diversas cenas, rabiscadas, corrigidas, reescritas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Digitei aquele texto inteiro pelo menos 03 vezes (ninguém fazia backup naquela época e os disquetes tinham o péssimo hábito de sumir do lugar onde foram guardados).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Tanto esforço me fez decorar cada uma das falas, de &lt;strong&gt;todas&lt;/strong&gt; as personagens, tornando-me assim um dos profundos conhecedores daquele texto, de sua estrutura narrativa e de todas suas cenas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O espetáculo estreiou em novembro de 2001, no Teatro Municipal de Santo André e é, sem dúvida, a mais longa e frutífera peça da história do grupo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Percorremos diversos estados com o espetáculo. Frequentamos os principais festivais do país, entre eles o Festival Internacional do Recife e o Poá EmCena. Mas sobretudo, fizemos &lt;strong&gt;mais de 500 apresentações gratuitas na periferia de São Paulo&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Uma marca surpreendente.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O texto da peça foi lançado em livro pela &lt;strong&gt;Editora Casa Amarela&lt;/strong&gt;, em 2003, e reeditado pela &lt;strong&gt;Prefeitura Municipal de Guarulhos&lt;/strong&gt; em 2008, numa coleção que trazia também todos os outros textos do grupo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sobre o texto, prefiro transcrever as palavras do professor &lt;strong&gt;Antonio Cândido&lt;/strong&gt;, um dos maiores nomes da Língua Portuguesa em todos os tempos e autor de &lt;strong&gt;Literatura e Sociedade, &lt;/strong&gt;extraídas do prefácio da publicação de 2003:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;“A escolha de César Vieira equivale a um convite para olhar a nossa história sem excluir os marginalizados pelas ideologias oficiais. Como sabemos, todas as providências foram tomadas para apagar da memória nacional a ação dos revoltosos de 1910 na Marinha de Guerra; para vilipendiar os seus participantes e tentar promover o esquecimento coletivo. Foi o que quase se conseguiu. Das franjas desse “quase” emergiram alguns homens lúcidos, como Edmar Morel, ou como o poeta surrealista francês Benjamin Péret, casado com brasileira, que esteve algum tempo no Brasil por volta de 1930, aqui militou na esquerda, aqui foi preso e viu apreendida e provavelmente destruída pela polícia a biografia que escrevera sobre João Cândido, intitulada O Almirante Negro. A eles se junta agora César Vieira, que recria a façanha de 1910 na chave da arte, jogando com a imaginação e a fantasia, que permitem realçar os traços da verdade. É o que faz essa peça por meio da música, da cor, do gesto organizado, da sátira, da indignação – dispostos em quadros sucessivos segundo um ritmo de vaivém no tempo, de maneira a modular uma espécie de grande parada histórica anticonvencional.”&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E ainda a observação aguda do historiador &lt;strong&gt;Clóvis Moura &lt;/strong&gt;(1925 – 2003) também autor de um dos prefácios, num de seus últimos textos publicados:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;“Dizemos que é, por isso, uma obra de teatro e não da história, embora a essência dramática, lírica e política se reflita no espetáculo. Muitos dos seus personagens, assim, são recriados, muitos são criação do autor da peça para dar ritmo dramático à sua estrutura, mas todos autênticos teatralmente pela verossimilhança com a estrutura dramática da peça. Muitos personagens atuam como contraponto que ligam os diversos fatos e atos da peça numa unidade de ação contínua, como convém ao teatro. O trabalho de César Vieira e do seu grupo União e Olho Vivo é um exemplo de ação coletiva em função da conscientização social e artística do nosso povo.”&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Pois foi a estrutura narrativa dessa peça e diversos personagens e situações &lt;strong&gt;ficcionais&lt;/strong&gt; que surgiram também na publicação de 2008 da &lt;strong&gt;Editora Conrad: &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Chibata! &lt;/strong&gt;João Cândido e a Revolta que Abalou o Brasil&lt;/em&gt;, de autoria de &lt;strong&gt;Olinto Gadelha&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Hemeterio.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sobre os autores e a Editora Conrad nada direi. Eles já foram condenados da acusação de plágio em 1ª instância e possuem meios legais para contestar a decisão judicial.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em relação ao &lt;strong&gt;Teatro Popular União e Olho Vivo&lt;/strong&gt;, posso dizer que este é apenas mais um episódio em sua história. Triste, é verdade, mas apenas mais um episódio de um história de luta, perseverança e ética.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Já de &lt;strong&gt;César Vieira&lt;/strong&gt;, a única coisa que posso dizer é que ele é o homem mais talentoso, corajoso, honesto e ético que tive o privilégio de conhecer. Prestes a completar 80 anos, é um homem que ainda acredita no ser humano e numa sociedade mais justa. Não é pouca coisa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Aos leitores que acompanharam esta postagem até o final só posso dizer obrigado. E aconselhar que antes de tomarem partido para qualquer um dos lados, leiam as duas obras e tirem suas próprias conclusões. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No final de 2010, por questões pessoais, tive que me afastar temporariamente do grupo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ironicamente acabei aqui, escrevendo sobre quadrinhos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O que não muda em nada a minha opinião, claramente expressa nesta postagem.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;Lillo Parra – Blogueiro e roteirista de quadrinhos – ou, como sou conhecido no teatro, Will Martinez – ator popular.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-74K-JgU0kNE/Ti-Cq8mF4rI/AAAAAAAAAQc/qasWZjIQjSY/s1600-h/simbolo03%25255B5%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="simbolo03" border="0" alt="simbolo03" src="http://lh3.ggpht.com/--S707tG709Q/Ti-CvT2a96I/AAAAAAAAAQg/eySocJFC6Ks/simbolo03_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" width="412" height="254" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-4285892142099793575?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/4285892142099793575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/07/chibata-um-outro-lado-da-questao.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/4285892142099793575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/4285892142099793575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/07/chibata-um-outro-lado-da-questao.html' title='Chibata: um outro lado da questão'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/--S707tG709Q/Ti-CvT2a96I/AAAAAAAAAQg/eySocJFC6Ks/s72-c/simbolo03_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-6785080435582798164</id><published>2011-07-23T11:57:00.001-03:00</published><updated>2011-07-23T11:57:05.628-03:00</updated><title type='text'>Novidades da Semana</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;font size="1"&gt;As postagens do &lt;strong&gt;Gibi Rasgado &lt;/strong&gt;acontecem todas as quartas a noite, aos sábados é dia de publicar resenha no &lt;/font&gt;&lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/" target="_blank"&gt;&lt;font size="1"&gt;Quadro a Quadro&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;font size="1"&gt;.&lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Nesta semana tivemos aqui no &lt;strong&gt;GR&lt;/strong&gt; a resenha de &lt;a href="http://gibirasgado.blogspot.com/2011/07/paquistaneses-atores-pornos-e-um-ronin.html" target="_blank"&gt;Zine Supreme&lt;/a&gt;, do &lt;strong&gt;Azeitona, Walter Pax&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Mateus Santolouco&lt;/strong&gt;. Gibi dos bons com uma pegada alucinada.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;No &lt;strong&gt;QaQ&lt;/strong&gt; publiquei a resenha do excelente &lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/?p=8273" target="_blank"&gt;A Balada de Johnny Furacão&lt;/a&gt;, do &lt;strong&gt;Sama&lt;/strong&gt;. Um gibi com vocação a clássico, com uma surpresa a cada página.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;E pra quem estiver aqui por Sampa nesse sábado, o programa é o lançamento de &lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/?p=7293" target="_blank"&gt;São Jorge da Mata Escura&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;, de &lt;strong&gt;Marcello Fontana, André Leal, Cedraz&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Naara Nascimento&lt;/strong&gt;. Quadrinhos baianos mostrando sua cara numa excelente história. Sincretismo religioso, periferia e fé.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Um grande abraço a todos e até quarta.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-XDyitAuWZkM/TirhNOga1YI/AAAAAAAAAQU/ZZpGWPqPvEU/s1600-h/untitled%25255B3%25255D.png"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="untitled" border="0" alt="untitled" src="http://lh3.ggpht.com/-KoSFb0hxPyc/TirhQGxsNxI/AAAAAAAAAQY/XKnuLqjea20/untitled_thumb%25255B1%25255D.png?imgmax=800" width="384" height="394" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-6785080435582798164?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/6785080435582798164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/07/novidades-da-semana_23.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/6785080435582798164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/6785080435582798164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/07/novidades-da-semana_23.html' title='Novidades da Semana'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/-KoSFb0hxPyc/TirhQGxsNxI/AAAAAAAAAQY/XKnuLqjea20/s72-c/untitled_thumb%25255B1%25255D.png?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-4475393824212885992</id><published>2011-07-20T23:29:00.001-03:00</published><updated>2011-07-20T23:29:40.912-03:00</updated><title type='text'>Paquistaneses, Atores Pornôs e um Ronin</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-Hm5yeLipz3o/TieO4z82yEI/AAAAAAAAAPs/4bvniBiW9d4/s1600-h/Pag_02%25255B4%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="Pag_02" border="0" alt="Pag_02" src="http://lh3.ggpht.com/-nmT2qDZM9GI/TieO5iMhi9I/AAAAAAAAAPw/6XETtFt2FsM/Pag_02_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" width="381" height="194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um grande amigo acabou de comprar seu primeiro apartamento.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não o invejo, sei a delicia e a loucura que ele enfrentará nos próximos meses.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Num bate papo por e-mail ele confidenciou: &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;“Sabe o que eu quero mesmo? Sentar uma hora, sozinho e ficar lendo um gibi. Só pelo prazer de ler.”&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A vida do cara começando a virar de ponta cabeça e ele anseia um momento de paz, só ele e um gibi. Isso diz muito do cara bacana que ele é. Mas também diz muito sobre um sentimento comum a todo mundo que continua lendo quadrinhos depois do contato natural durante a infância e adolescência.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nós cutimos quadrinhos…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Muitas vezes pegamos um gibi badaladíssimo e dizemos: &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;- Não é isso que eu tava esperando.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Pegamos o mesmo gibi anos depois e nos perguntamos:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;- Como eu não tinha percebido isso?&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E o inverso também é verdadeiro. Taxamos algo como a história definitiva, que nunca será superada. E anos depois nos envergonhamos quando um amigo comenta:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- &lt;em&gt;Não acredito que você gostava desse lixo!&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Desmentimos, claro. Muito mais por saber que ele está certo do que pela vergonha em si.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas uma coisa que nunca muda é o prazer de se ler um gibi. De se ter nas mãos histórias bem contadas. Talvez por isso meu amigo queira tanto um momento de sossego. Ele e seu gibi e mais ninguém pra encher o saco.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Eu conheço a sensação.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Na semana passada tive um desses momentos de prazer.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E não foi com uma maxi série que promete revolucionar o Universo Belê. Tampouco foi com aquele álbum europeu premiadíssimo no último Festival de Ângulo Lama. Também não foi nesses negócios que você lê de trás pra frente…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Foi num delicioso gibi independente, no melhor estilo fanzine, vindo diretamente do &lt;strong&gt;Rio Grande do Sul.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.mocambozines.blogspot.com/" target="_blank"&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-f-sNgQO_5UI/TieO77qe6ZI/AAAAAAAAAP0/E0QXv1gXXgQ/s1600-h/ZINE_SUPREME_CAPA%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 12px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="ZINE_SUPREME_CAPA" border="0" alt="ZINE_SUPREME_CAPA" align="left" src="http://lh4.ggpht.com/-i1koM3f9B5g/TieO8gRKaoI/AAAAAAAAAP4/Cbp00egh2Eo/ZINE_SUPREME_CAPA_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="213" height="321" /&gt;&lt;/a&gt;Zine Supreme&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, de &lt;strong&gt;&lt;a href="http://azeitona.daportfolio.com/" target="_blank"&gt;Azeitona&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://maquinafantasma.wordpress.com/" target="_blank"&gt;Pax&lt;/a&gt; &lt;/strong&gt;e &lt;strong&gt;&lt;a href="http://santolouco.com/" target="_blank"&gt;Santolouco&lt;/a&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não posso me defender na ignorância. Já conhecia o trabalho de dois dos três lunáticos que tiveram a ousadia de cometer &lt;strong&gt;Zine Supreme&lt;/strong&gt;. E o único que eu não conhecia podia muito bem ter deduzido, afinal, andando com os outros dois…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O fato é que &lt;strong&gt;ZS&lt;/strong&gt; é um baita gibizão em preto e branco, com três histórias curtas e aloprado até não poder mais.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas aloprado do jeito bom, que promove boas gargalhadas, com histórias bem feitas e inusitadas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-vK-skPqWKn8/TieO-4oWF8I/AAAAAAAAAP8/MVn0pRSV_3A/s1600-h/pagina_03%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 0px 0px 8px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="pagina_03" border="0" alt="pagina_03" align="right" src="http://lh4.ggpht.com/-4RlwiItewGk/TieO_ktGsdI/AAAAAAAAAQA/leiycSMZ3e4/pagina_03_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="202" height="305" /&gt;&lt;/a&gt;A primeira (esqueçam, nenhuma delas tem título) é do auto intitulado ex ator pornô &lt;strong&gt;Azeitona. &lt;/strong&gt;Um assassinato, três leões de chácara – embora um deles esteja mais para gatinho de chácara – e um artefato mágico.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E uma piração sem tamanho envolvendo muito sangue e viagens no tempo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A segunda conta com o belo e dinâmico traço de &lt;strong&gt;Walter Pax, &lt;/strong&gt;um ex-associado das hordas infernais que eu não entendi &lt;a href="http://lh3.ggpht.com/-7NTeezL3hfY/TiePBauCfOI/AAAAAAAAAQE/R_JMRjWt6Rw/s1600-h/Pag_03%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 0px 0px 8px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="Pag_03" border="0" alt="Pag_03" align="right" src="http://lh5.ggpht.com/--DS9J-TnXEY/TiePCAI137I/AAAAAAAAAQI/QbVHNUrv6sE/Pag_03_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="203" height="307" /&gt;&lt;/a&gt;muito bem porquê salvou a sociedade paquistanesa do tédio. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Uma história com muitos lobisomens. Eu diria que lobisomens demais.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sombria, soturna e… insana.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E a última é do ronin (aimeudeusdocéu) &lt;strong&gt;Mateus Santolouco. &lt;/strong&gt;Uma ficção científica com um malandro bastante folgado, uma gostosa de cabelo estranho e um taxista gente boa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-9p8-wYihdlc/TiePEM_Up9I/AAAAAAAAAQM/czUb_wagqMk/s1600-h/pagina_01%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 0px 0px 8px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="pagina_01" border="0" alt="pagina_01" align="right" src="http://lh3.ggpht.com/-CjnfcpYl0gw/TiePElfdqxI/AAAAAAAAAQQ/7Ml0aPwKyE8/pagina_01_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="200" height="301" /&gt;&lt;/a&gt;FC da melhor qualidade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas nem por isso menos doentia que suas antecessoras.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O que impressiona em &lt;strong&gt;Zine Supreme&lt;/strong&gt; é sua qualidade. Excelentes histórias, sem nenhum tipo de compromisso ou amarras com linhas editoriais, onde o prazer dos autores é visível em cada uma das páginas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O Rio Grande do Sul tem uma longa e marcante história dentro da história de nossos quadrinhos. &lt;strong&gt;Zine Supreme &lt;/strong&gt;só vem somar a essa tradição, com seu sarcasmo e humor nas medidas certas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Azeitona, Santolouco &lt;/strong&gt;e&lt;strong&gt; Pax&lt;/strong&gt; mostram em &lt;strong&gt;Zine Supreme&lt;/strong&gt; como é bacana ler um gibi que só se propõe a isso: ser lido.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Meu amigo ainda vai demorar um tempo até conseguir ficar tranquilo em sua casa nova e desfrutar de um momento de sossego ao lado de um bom gibi.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Até lá eu descolo outro exemplar e mando de presente pra ele.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-4475393824212885992?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/4475393824212885992/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/07/paquistaneses-atores-pornos-e-um-ronin.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/4475393824212885992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/4475393824212885992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/07/paquistaneses-atores-pornos-e-um-ronin.html' title='Paquistaneses, Atores Pornôs e um Ronin'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/-nmT2qDZM9GI/TieO5iMhi9I/AAAAAAAAAPw/6XETtFt2FsM/s72-c/Pag_02_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-478964461213088724</id><published>2011-07-16T16:05:00.001-03:00</published><updated>2011-07-17T12:15:57.626-03:00</updated><title type='text'>Novidades da Semana</title><content type='html'>&lt;p&gt;As postagens do &lt;strong&gt;Gibi Rasgado &lt;/strong&gt;acontecem todas as quartas a noite, aos sábados é dia de publicar resenha no &lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/" target="_blank"&gt;Quadro a Quadro&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Nesta semana tivemos aqui no &lt;strong&gt;GR&lt;/strong&gt; a resenha de &lt;strong&gt;&lt;a href="http://gibirasgado.blogspot.com/2011/07/barca.html" target="_blank"&gt;Auto da Barca do Inferno&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, a excelente adaptação da peça de &lt;strong&gt;Gil Vicente&lt;/strong&gt; por &lt;strong&gt;Laudo Ferreira&lt;/strong&gt;, publicado pela Peirópolis.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Hoje publiquei no &lt;strong&gt;QaQ&lt;/strong&gt; a resenha de &lt;strong&gt;&lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/?p=7979" target="_blank"&gt;Morro da Favela&lt;/a&gt;, &lt;/strong&gt;do &lt;strong&gt;André Diniz.&lt;/strong&gt; Sem dúvida alguma o melhor lançamento do ano até aqui.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Um grande abraço a todos e até quarta.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Lillo&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/-mWp3RG8now8/TiHhAzVZ_AI/AAAAAAAAAPk/kk-15sa5qx4/s1600-h/gibi_01%25255B5%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 17px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="gibi_01" border="0" alt="gibi_01" align="left" src="http://lh3.ggpht.com/-PVov1TyZXFY/TiHhB69G8ZI/AAAAAAAAAPo/6aYf0eDA39o/gibi_01_thumb%25255B3%25255D.jpg?imgmax=800" width="393" height="502" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-478964461213088724?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/478964461213088724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/07/novidades-da-semana.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/478964461213088724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/478964461213088724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/07/novidades-da-semana.html' title='Novidades da Semana'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/-PVov1TyZXFY/TiHhB69G8ZI/AAAAAAAAAPo/6aYf0eDA39o/s72-c/gibi_01_thumb%25255B3%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-173460084067279529</id><published>2011-07-13T21:49:00.001-03:00</published><updated>2011-07-14T01:03:24.254-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Laudo Ferreira'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Auto da Barca do Inferno'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos Educativos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos Nacionais'/><title type='text'>À Barca!</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/-eNwzPbzY2kQ/Th49G0KJjEI/AAAAAAAAAPM/odFIRXWX14Q/s1600-h/AutoBarcaInferno%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 12px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="AutoBarcaInferno" border="0" alt="AutoBarcaInferno" align="left" src="http://lh6.ggpht.com/-ApfFW2jQJXs/Th49Hw0chwI/AAAAAAAAAPQ/deqYYWEAhmA/AutoBarcaInferno_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="232" height="306" /&gt;&lt;/a&gt;Em dez anos de &lt;strong&gt;Teatro Popular União e Olho Vivo&lt;/strong&gt;, vi pelo menos umas vinte adaptações – amadoras e profissionais – de obras do nosso dramaturgo, &lt;strong&gt;César Vieira&lt;/strong&gt;. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Aos que estão perguntando: sim, o mesmo que processou a &lt;strong&gt;Conrad &lt;/strong&gt;e os autores de &lt;strong&gt;Chibata&lt;/strong&gt; por plágio. Pois é, faço resenhas de quadrinhos, estou produzindo um roteiro para a &lt;strong&gt;Editora Nemo&lt;/strong&gt;, mas também sou ator de teatro e, por acaso, participei da montagem de &lt;strong&gt;João Cândido do Brasil – A Revolta da Chibata&lt;/strong&gt; desde o rascunho do texto. Mas isso é matéria para uma futura postagem.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Voltando ao assunto, vi excelentes adaptações de nossas peças, outras nem tanto. A explicação não é simples mas é clara.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Apesar da excelência do texto, uma montagem – por mais fiel que seja – traz em seu bojo a visão do diretor ou produtor, a performance dos atores, o talento do cenógrafo, do iluminador e do figurinista e mais um monte de coisas que envolvem mais uma centena de variantes que podem influenciar o trabalho de mil formas diferentes. E por aí vai…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O que fica? O resultado, que pode ser bom ou ruim.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A mesma lógica se aplica às adaptações de peças ou de obras literárias para qualquer outra mídia.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Na história do cinema temos um sem número de exemplos de ótimas e péssimas adaptações. Na história da televisão também. No teatro, quando adaptam obras que não em seu formato original, a história se repete.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nos quadrinhos não poderia ser diferente.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas ao contrário de outras mídias, o aquecimento do mercado de quadrinhos nacionais e o consequente aumento de adaptações literárias por essa mídia, sintoma direto do recente interesse do governo na compra de produtos de tal segmento, parece despertar o preconceito daqueles que as atribuem a uma suposta desmoralização da literatura.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Na minha opinião, tal preconceito faz parte de um sentimento muito maior, que pretende colocar os quadrinhos numa categoria desonrosa entre as diversas formas de expressão e arte.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O fato, que convenientemente é esquecido por quem segue essa linha de pensamento, é que uma história em quadrinhos não é um livro e não pode ser tratado como tal. Em muitos aspectos é superior e em outros muitos, inferior à literatura.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Simplesmente porque não é literatura. São histórias em quadrinhos e possuem características e signos próprios. Assim como um texto de uma peça não é a peça em si até ser encenada (seu veículo original), uma adaptação em quadrinhos de uma obra literária não é a obra, mas uma interpretação dela para um outro meio.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E é aí que caímos num puta dum avião apertado, na última fileira (aquela que não permite que você recoste o banco), numa viagem de São Paulo a Salvador.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;É sério, qualquer um enlouqueceria. Duas horas de viagem, sem o menor espaço para ligar o notebook e com o ipod serenamente repousado no colo de minha esposa, seis fileiras à frente. Sim, porque eu sou um viciadinho em coisas tecnológicas. Mas as uso para entretenimento e conhecimento, porque assim é o mundo hoje. O que não me impede de ler um bom livro, diga-se.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas também não tinha nenhum bom livro por perto.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Então me lembrei que havia contrabandeado dentro da bolsa do note o &lt;strong&gt;Laudo&lt;/strong&gt;. Não ele literalmente, é claro. Refiro-me a &lt;strong&gt;Auto da Barca do Inferno&lt;/strong&gt;, de &lt;strong&gt;Gil Vicente&lt;/strong&gt;, adaptado por &lt;strong&gt;&lt;a href="http://blogmamao.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Laudo Ferreira&lt;/a&gt; &lt;/strong&gt;(Editora Peirópolis, R$ 35,00).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Como sempre faço, li o texto da quarta capa, as orelhas e a introdução. Nunca deixo de fazer isso e sempre aconselho as pessoas que não o fazem a adquirirem o hábito. Esses textos, cada vez mais presentes nos álbuns de quadrinhos, trazem pistas preciosas sobre o que você está prestes a ler.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/-W_VCD5XWEXA/Th49IelTyuI/AAAAAAAAAPU/eIHgJBpT7dw/s1600-h/AutoBarcaInferno1%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="AutoBarcaInferno1" border="0" alt="AutoBarcaInferno1" src="http://lh6.ggpht.com/-TgDCkOr3_-I/Th49JWimGtI/AAAAAAAAAPY/nHR-ChLHJ6U/AutoBarcaInferno1_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="392" height="508" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Começada a leitura, não precisei de mais de cinco páginas para xingar o &lt;strong&gt;Laudo&lt;/strong&gt; de tudo o que é nome. Como assim texto original em português do século XVI? Já não basta essa senhora, dormindo desaforadamente com o banco reclinado sobre o meu joelho, esse ármário ao meu lado (coitado, como se o cara tivesse culpa de ter, sei lá, uns 03 metros de altura) e eu ainda vou ter que ler um gibi num português que não é praticado há pelo menos 200 anos?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas eu tinha nas mão um gibi do &lt;strong&gt;Laudo,&lt;/strong&gt; o mesmo cara que teve a ousadia de adaptar a vida de Cristo nos dois belíssimos volumes de &lt;strong&gt;Yeshuah&lt;/strong&gt;. A mesma história, contada e repisada milhares de vezes, mas que ele contou de uma maneira totalmente inesperada.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Uma história que me &lt;a href="http://gibirasgado.blogspot.com/2011/01/yeshuah.html" target="_blank"&gt;emocionou&lt;/a&gt; como poucas coisas que li na vida.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ainda restava cerca de uma hora e meia até Salvador…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Decidi ver até onde o &lt;strong&gt;Laudo &lt;/strong&gt;iria me levar dessa vez. &lt;strong&gt;Auto da Barca do Inferno&lt;/strong&gt; em texto original? Vai pra mais de vinte anos que li isso. Resolvi confiar no Barqueiro, digo, no artista.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O &lt;strong&gt;Neriney Moreira&lt;/strong&gt; – um dos fundadores do &lt;strong&gt;Teatro União e Olho Vivo&lt;/strong&gt; em 1966 e que está conosco até hoje – sempre nos ensinou:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;“Um texto de teatro possui uma musicalidade própria. Se você achar o tom, poderá fazer o que quiser com ele”.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um sábio ensinamento, para quem lê textos teatrais ou – como acabei descobrindo – para quem lê qualquer texto.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E para se ler &lt;strong&gt;Auto da Barca do Inferno&lt;/strong&gt; isso foi fundamental. O segredo está na capacidade individual de imersão do leitor. Quanto mais ele “entrar” dentro da história, mais fácil será o entendimento.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Afinal, por mais séculos que separem o autor português do gibi do &lt;strong&gt;Laudo&lt;/strong&gt;, ainda é língua portuguesa. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Foi só criar vozes distintas na minha cabeça (sempre tive facilidade com isso) e começar a viagem.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E senhores, eu posso garantir, ler a &lt;strong&gt;Barca&lt;/strong&gt; num avião que não parava de sacolejar, na situação em que eu me encontrava foi uma experiência inesquecível.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;De um lado o próprio diabo: &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;- À barca, à barca, boa gente, que queremos dar a vela!&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E do outro a aeromoça com aquele sorriso demoníaco:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;- O senhor aceita uma balinha?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E de repente a viagem começou a ficar muito divertida.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A forma como &lt;strong&gt;Laudo &lt;/strong&gt;recriou o texto de &lt;strong&gt;Gil Vicente&lt;/strong&gt; é assombrosa. Para quem ainda não conhece a história, temos um cais no fim do mundo, onde estão atracadas duas barcas. Elas estão ali para dar passagem aos recém falecidos. Uma das barcas, cujo barqueiro é o próprio demônio, levará os malditos, os impuros, os ladrões e assasinos, as prostitutas, os corruptos, os… bem vocês já entenderam, né? Pois bem, essa primeira barca levará tais desafortunados ao inferno. A segunda barca – a da Glória – tem como barqueiro um Anjo do Senhor, e embarcará aqueles que são dignos do paraíso celestial.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Todo o sarcasmo do autor português, que enviava à barca infernal pessoas que existiam de verdade na sociedade portuguesa daquele começo de século XVI, são magistralmente recriadas por &lt;strong&gt;Laudo&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A sutil ironia escondida entre uma palavra e outra e entre os diálogos, os momentos de silêncio, os olhares, as investidas do diabo, o contra ponto cômico na trama… &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não há um único detalhe que tenha passado desapercebido por &lt;strong&gt;Laudo&lt;/strong&gt;. Prova inequívoca que uma boa adaptação precisa sim de muito estudo, mas sobretudo, precisa de um olhar artístico diferenciado.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E nisso &lt;strong&gt;Laudo&lt;/strong&gt; fez o papel de um verdadeiro diretor de teatro. E não só dele. Pois se analisarmos o gibi, veremos que &lt;strong&gt;Laudo &lt;/strong&gt;foi também cenógrafo e figurinista, além de diretor de atores de toda a peça. Só não foi iluminador porque no caso das cores utilizadas contou com o também talentosíssimo &lt;strong&gt;Omar Vinole&lt;/strong&gt;, velho parceiro de outros mares.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E soube como niguém distribuir um texto pesadíssimo pelas mais de 40 páginas da adaptação. Não por acaso, lá pela vigésima página ainda que inconscientemente, acabei me vingando do ármario ao meu lado (coitado) e da dorminhoca à minha frente.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Começou baixinho, quase imperceptível. E antes que eu me desse conta, já estava recitando o texto de &lt;strong&gt;Gil Vicente &lt;/strong&gt;em voz alta! O cara do meu lado começou a me olhar como se eu tivesse alguma doença contagiosa e inexplicavelmente diminuiu o tamanho de seus ombros. A dorminhoca que a essa hora já estava acordada por conta daquele negócio que chamam de lanche (“aceita um hot-dog senhor?”) não conseguiu mais dormir.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E eu me divertindo como nunca.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Auto da Barca do Inferno&lt;/strong&gt;, de &lt;strong&gt;Gil Vicente&lt;/strong&gt;, por &lt;strong&gt;Laudo Ferreira&lt;/strong&gt; é tudo o que uma adaptação pode ser e é ainda mais: é uma história de quadrinhos de verdade, com quadros, balões, sarjetas, recordatórios, enquadramentos, onomatopéias…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não pretende substituir o original, mas sim mostrar de uma forma diferente, todo o seu valor e suas nuances.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-Haihtb7cZHQ/Th49Kdmd4NI/AAAAAAAAAPc/r1cUma79OMY/s1600-h/Detalhe%252520Auto%252520da%252520Barca%25255B5%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 12px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="Detalhe Auto da Barca" border="0" alt="Detalhe Auto da Barca" align="left" src="http://lh3.ggpht.com/-nVlGFr0U1lE/Th49LEu0BOI/AAAAAAAAAPg/kNoavt1stJA/Detalhe%252520Auto%252520da%252520Barca_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" width="190" height="282" /&gt;&lt;/a&gt;E num tempo em que cada um diz o que quer, inclusive taxar como criminosas adaptações feitas por profissionais competentes e honestos, que estão apenas aproveitando uma oportunidade de mercado, &lt;strong&gt;Auto da Barca do Inferno &lt;/strong&gt;é uma aula de quadrinhos e das possibilidades ilimitadas desse meio.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Justamente por não ser literatura, mas sim uma coisa bem diferente.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="1"&gt;Para conhecer mais sobre a obra de &lt;strong&gt;Laudo Ferreira&lt;/strong&gt;, acesse o &lt;strong&gt;&lt;a href="http://blogmamao.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Blog Mamão&lt;/a&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="1"&gt;Para ler a matéria &lt;strong&gt;Os quadrinhos podem matar a literatura&lt;/strong&gt;, de autoria de &lt;strong&gt;Luís Antônio Giron &lt;/strong&gt;e publicada no site da &lt;strong&gt;Revista Época&lt;/strong&gt;, &lt;a href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI244437-15230,00-OS+QUADRINHOS+PODEM+DESTRUIR+A+LITERATURA.html" target="_blank"&gt;clique aqui&lt;/a&gt;.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-173460084067279529?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/173460084067279529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/07/barca.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/173460084067279529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/173460084067279529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/07/barca.html' title='À Barca!'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/-ApfFW2jQJXs/Th49Hw0chwI/AAAAAAAAAPQ/deqYYWEAhmA/s72-c/AutoBarcaInferno_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-1214602559906752558</id><published>2011-07-05T23:14:00.001-03:00</published><updated>2011-07-06T00:01:14.454-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Will'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Wellington Srbek'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos Infantis'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos Nacionais'/><title type='text'>Brincando de Aro</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/-min0E0MmmwU/ThPE3zxg0uI/AAAAAAAAAOs/4KvOSkOB0Rs/s1600-h/Coraci%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 12px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="Coraci" border="0" alt="Coraci" align="left" src="http://lh3.ggpht.com/-6_yQEzwyYmM/ThPE55v4-_I/AAAAAAAAAOw/pg6LUqaMoqw/Coraci_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="203" height="262" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;“Você não sabe nada sobre isso, é uma criança!”&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Fernanda é minha sobrinha, uma doce menina de 10 anos de idade. Filha da Zanze e irmã da Francine, outra graça e no auge de seus 15 anos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Francine é bela, loira, magra, falastrona, inteligente, vivaz, espirituosa e, em poucos meses na nova escola, já havia se tornado uma das mais populares. É e sempre foi assim, nunca vai mudar. É um daqueles seres iluminados.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Fernanda é bem diferente. Quieta, introspectiva e genial, não há palavras para defini-la. Com apenas 10 anos desenha de uma forma que eu nunca aprendi, mesmo tendo feito artes plásticas. Sua noção de equilíbrio numa composição é assustadora para alguém de tão pouca idade. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E também lê de tudo. E mais, cria histórias em sua cabeça. Devora um gibi da Turma da Mônica Jovem em poucos minutos. E não se contenta. Peça para ela contar qualquer história que acabou de ler e você terá uma grata surpresa: ela conta a história pontuando os momentos chaves, dimensionando a personalidade das personagens e traçando a linha narrativa da história, com climax e tudo!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Fernanda ensinou-me algo que intuitivamente já sabia, mas não enxergava: &lt;strong&gt;as crianças são muito mais do que aparentam ser.&lt;/strong&gt; Subestimá-las é um desrespeito, além de ser uma crueldade que pode, muitas vezes, destruir toda uma vida.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Infelizmente, esse pensamento arcaico foi amplamente disseminado nos mais variados meios culturais. Quando não está focado numa sexualização precoce, está centrado numa idiotização da capacidade intelectual da molecada.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nos quadrinhos não é diferente. Os exemplos mais óbvios – Disney e Maurício – não nos dão a medida exata do que acontece. Ambos estão internalizados na memória das crianças desde os tempos em que nossos avós usavam fraldas (no caso do primeiro) ou, como no caso do segundo, desde que eu era um feto (e olha que não sou mais nenhum garotinho). E como tudo o que se mantém há tanto tempo, alternam momentos ruins em suas produções com fases absolutamente geniais.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas via de regra, a produção de quadrinhos infantis possui a tendência de ser pouco interessante ao público que realmente interessa: as crianças. O que parece um contrassenso num país que possui Lobato, Maurício, Ziraldo e mais um montão de gente boa. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mentalidade dos editores? Não sei. Entraria num campo que desconheço e seria leviano culpar alguém. Só sei que passei a infância sem quadrinhos de qualidade, exceção feita aos já mencionados pais do pato e da dentuça. Tinha também Ziraldo, mas esse só me foi apresentado quando eu já era um adulto.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas ao que tudo indica, esse cenário começa a mudar, na esteira de um mercado que vem se mostrando cada vez mais atraente já temos alguns ótimos exemplos de quadrinhos infanto-juvenis.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Os dois últimos foram lançados nesse fim de semana e são excepcionais: &lt;strong&gt;Ciranda Coraci &lt;/strong&gt;e &lt;strong&gt;O Senhor das Histórias&lt;/strong&gt;, ambas de &lt;strong&gt;&lt;a href="http://maisquadrinhos.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Wellington Srbek&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;&lt;a href="http://sideralman.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Will&lt;/a&gt; &lt;/strong&gt;(Editora Nemo, R$ 19,00 cada).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-wa2kwylPeXQ/ThPE6tR61QI/AAAAAAAAAO0/okz-A0wJje8/s1600-h/Ciranda_capa%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 0px 0px 8px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="Ciranda_capa" border="0" alt="Ciranda_capa" align="right" src="http://lh4.ggpht.com/-dfyX2lwOOcM/ThPE7aJD59I/AAAAAAAAAO4/8QcXfzyYzIY/Ciranda_capa_thumb.jpg?imgmax=800" width="175" height="244" /&gt;&lt;/a&gt;Pertencentes à coleção &lt;strong&gt;Mitos Recriados em Quadrinhos&lt;/strong&gt;, são o cartão de visitas da estreante &lt;strong&gt;Editora Nemo&lt;/strong&gt;. E ela começa muitíssimo bem.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;“Não julgue um livro pela capa”,&lt;/em&gt; dizia a minha avó. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;(Mentira. Não dizia, ela mal sabe ler. Mas é um dos ditados que ela com certeza diria e que, geralmente, é verdade.)&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas não nesse caso. Os dois álbuns saltam aos olhos já na apresentação, com um acabamento de primeira e um preço pra lá de honesto. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-4thBbIo6d4c/ThPE8W2oh4I/AAAAAAAAAO8/3qdjWbSs2fo/s1600-h/SENHOR%25257E1%25255B2%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 12px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="SENHOR~1" border="0" alt="SENHOR~1" align="left" src="http://lh5.ggpht.com/-cu9d9KIHgBY/ThPE_rCTx9I/AAAAAAAAAPA/f6FgKEeiTM0/SENHOR%25257E1_thumb.jpg?imgmax=800" width="175" height="244" /&gt;&lt;/a&gt;Mas não são nas edições bem cuidadas que reside a força desses dois álbuns e sim na qualidade do conteúdo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Ciranda Coraci&lt;/strong&gt; conta a versão indígena da história da Criação, do Sol e da Lua. Já &lt;strong&gt;O Senhor das Histórias &lt;/strong&gt;nos traz um dos contos do mito africano &lt;strong&gt;Anansi&lt;/strong&gt;, também conhecido como Deus-Aranha e o tal senhor das histórias do título.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;São histórias infantis sobre mitos cujas origens se perdem no tempo. Escritas numa linguagem acessível à gurizada, num primeiro momento sequer mereceriam uma folheada mais séria destes senhores tão acostumados a Gaimans e Moores.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E é aí que todos se enganam, eu inclusive. Os dois álbuns são uma aula de quadrinhos, equilibrando na medida exata narrativa e desenhos e tornando as histórias atrentes para crianças e adultos de todas as idades.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O talento do roteirista mineiro &lt;strong&gt;Wellington Srbek&lt;/strong&gt; é inquestionável. Ganhador de inúmeros prêmios &lt;strong&gt;HQMix&lt;/strong&gt; e autor de alguns dos mais belos trabalhos dos últimos 15 anos, Srbek vem há algum tempo dedicando uma boa parcela de sua produção ao público infantil.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Na série institucional &lt;strong&gt;&lt;a href="http://itatiaia.com.br/pratiquegentileza/" target="_blank"&gt;Pratique Gentileza&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, criou uma personagem adorável: o grandalhão e simpático robô &lt;strong&gt;Urbanoide&lt;/strong&gt;. Com distribuição gratuita e falando de cidadania, a série tem tudo para se tornar clássica. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ali ele aprimorou muitos recursos narrativos próprios da literatura infantil, sobretudo na utilização formal da lingua portuguesa e no ritmo narrativo diferenciado para aquele público alvo, e conseguiu um resultado de rara qualidade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E é essa experiência que ele agora aplica de forma desconcertante em &lt;strong&gt;Ciranda Coraci &lt;/strong&gt;e &lt;strong&gt;O Senhor das Histórias&lt;/strong&gt;. As quatro primeiras páginas do mito contado em &lt;strong&gt;Ciranda &lt;/strong&gt;são primorosas. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um roteiro que em nenhum momento desrespeita a inteligência das crianças, tratanto de temas curiosos a quem tem mais porquês do que respostas em sua curta existência, mas sempre com leveza e muita diversão.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E tocando em temas bastantes sérios também, como morte, doença e miséria, sem entretanto, cair nas óbvias “lições de moral” ou respostas fáceis.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;“Gibi para crianças que não são bobocas”,&lt;/em&gt; diria a Fernanda. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;(E diria mesmo, desta vez não é mentira.)&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas Srbek não é apenas um bom roteirista.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Dizem que mineiro é desconfiado, que fala pouco e fica ali na dele, só observando, esperando o momento certo de entrar na conversa ou tomar uma atitude. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Folclores regionalistas à parte, o mineiro Srbek realmente ficou bastante quietinho e esperou sim o momento certo para dar o bote.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E o bote nesse caso foi o desenhista paulista &lt;strong&gt;Will&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Olhando os dois álbuns, ninguém acredita.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/-SMdYhCOF2yo/ThPFBybk7BI/AAAAAAAAAPE/-__v823qWkQ/s1600-h/Anansi%25255B4%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 12px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="Anansi" border="0" alt="Anansi" align="left" src="http://lh4.ggpht.com/-0zZRtIFNcV0/ThPFCotmNmI/AAAAAAAAAPI/7sqfOezVwbQ/Anansi_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" width="239" height="310" /&gt;&lt;/a&gt;Como é possível que um talento do tamanho desse desenhista tenha ficado restrito nos últimos anos ao mercado independente? Como nenhuma editora reparou nesse egresso do mercado editorial, que resolveu fazer quadrinhos por curtir o negócio?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não há como negar o talento de Will. Não há páginas ruins nos álbuns, sequer existem as menos bonitas. Em &lt;strong&gt;Ciranda &lt;/strong&gt;e &lt;strong&gt;O Senhor &lt;/strong&gt;só temos páginas belíssimas e algumas simplesmente geniais.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Cor, traço, equilíbrio… Tudo no trabalho de Will parece fluir naturalmente. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Os jovens adultos com menos de 30 talvez nunca tenham visto isso, mas no meu tempo de moleque era comum rodarmos a Vila atrás de pneus velhos, jogados em terrenos baldios ou às margens dos corrégos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas não era qualquer pneu. Tinha que ser de bicicleta, mas os mais cobiçados eram os das “motocas”. Pegávamos o pneu e um cabo de vassoura qualquer. Rolávamos o dito cujo ladeira abaixo e íamos controlando sua direção com o cabo de vassoura. Aquilo era uma das melhores diversões que existiam. Enquanto “dirigíamos” o pneu podíamos ser qualquer pessoa, fosse o “Fitipaldi” ou um piloto de foguete. Não havia limites à imaginação. Chamávamos isso de brincar de “aro” (aro mesmo, a base que mantém a forma do pneu).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A arte do Will é isso. É brincar de “aro”. É ir até onde a imaginação alcançar.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Ciranda Coraci &lt;/strong&gt;e &lt;strong&gt;O Senhor das Histórias&lt;/strong&gt; são o casamento perfeito entre um roteiro inteligente e um traço mágico.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Infelizmente, jamais verei a Fernanda (e creio que nenhuma outra criança) brincando de aro pelas asfaltadas ruas de São Paulo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas ao menos poderei presenteá-la com uma coisa que não havia na minha infância: uma viagem por mundos mágicos em forma de histórias em quadrinhos.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-1214602559906752558?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/1214602559906752558/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/07/brincando-de-aro.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/1214602559906752558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/1214602559906752558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/07/brincando-de-aro.html' title='Brincando de Aro'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/-6_yQEzwyYmM/ThPE55v4-_I/AAAAAAAAAOw/pg6LUqaMoqw/s72-c/Coraci_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-4269553408990765323</id><published>2011-06-26T17:41:00.001-03:00</published><updated>2011-06-26T17:42:42.256-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Will'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos Europeus'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Wellington Srbek'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos Nacionais'/><title type='text'>E a Nemo estréia no mercado.</title><content type='html'>&lt;p&gt;Há pouco mais de um mês, a &lt;strong&gt;Editora Nemo&lt;/strong&gt;, do Grupo Editorial&lt;strong&gt; Autêntica&lt;/strong&gt;, anunciou que começaria suas atividades no mercado de quadrinhos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Com uma proposta editorial que encheu os olhos de todos, a Nemo anunciou os nomes de Moebius e Hugo Pratt, além de quatro coleções de produções totalmente nacionais: História &amp;amp; Quadrinhos, Shakespeare em Quadrinhos, Versão em Quadrinhos e a série Mitos Recriados em Quadrinhos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Pois a espera acabou! Dia &lt;strong&gt;02 de julho&lt;/strong&gt;, na &lt;strong&gt;Livraria HQMix&lt;/strong&gt;, em São Paulo, à partir da &lt;strong&gt;19:00&lt;/strong&gt; horas, serão lançados os álbuns &lt;strong&gt;Ciranda Coraci&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;O Senhor das Histórias&lt;/strong&gt;, ambos de autoria de &lt;strong&gt;Wellington Srbek&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Will&lt;/strong&gt;, que estarão presentes no lançamento, e também o álbum europeu mais aguardado dos últimos 30 anos: &lt;strong&gt;Arzach&lt;/strong&gt;, de&lt;strong&gt; Moebius&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a class="thickbox" href="http://lh5.ggpht.com/-1jPpYlgnJJE/TgeZWm77HnI/AAAAAAAAAOM/0KaljfCuuV8/s1600-h/Lan%2525C3%2525A7amento%25255B7%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 0px 15px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="Lançamento" border="0" alt="Lançamento" src="http://lh5.ggpht.com/-W6FoOa7c7_8/TgeZXjrvVkI/AAAAAAAAAOQ/kxyPrj3Sb5Q/Lan%2525C3%2525A7amento_thumb%25255B4%25255D.jpg?imgmax=800" width="388" height="484" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;CIRANDA CORACI&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A história do herói Coraci (o Sol) e de sua noiva Jaci (a Lua) é recriada numa HQ repleta de cor e movimento. Nas páginas desta Ciranda Coraci, personagens e ambientes, mitos e lendas ganham vida através de um texto poético e belas imagens. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;a class="thickbox" href="http://lh5.ggpht.com/-7auUhoL-MzY/TgeZYipDIwI/AAAAAAAAAOU/FLShcuq8UTw/s1600-h/Ciranda%252520Coraci%25255B7%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 14px 15px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="Ciranda Coraci" border="0" alt="Ciranda Coraci" src="http://lh6.ggpht.com/-o8UDLU_5W1I/TgeZZUDFuzI/AAAAAAAAAOY/MvESvcdGMXA/Ciranda%252520Coraci_thumb%25255B5%25255D.jpg?imgmax=800" width="393" height="549" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;O SENHOR DAS HISTÓRIAS&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nas páginas deste álbum, conheça Anansi: O Senhor das Histórias. Em sua companhia, numa fantástica aventura de sabedoria e coragem, descubra a resposta para a pergunta: “de onde vêm as histórias?”&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a class="thickbox" href="http://lh6.ggpht.com/-YqYTl0wyeIs/TgeZaCqCUII/AAAAAAAAAOc/27qkjCHj4BE/s1600-h/Senhor%252520das%252520Hist%2525C3%2525B3rias%25255B6%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 0px 15px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="Senhor das Histórias" border="0" alt="Senhor das Histórias" src="http://lh4.ggpht.com/-Fd1uVaDqBVw/TgeZbBzkRzI/AAAAAAAAAOg/6yvvIlf81DY/Senhor%252520das%252520Hist%2525C3%2525B3rias_thumb%25255B4%25255D.jpg?imgmax=800" width="392" height="549" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;ARZACH&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Finalmente chega ao Brasil uma das HQs mais influentes e revolucionárias da história dos quadrinhos. Neste primeiro volume da &lt;i&gt;Coleção Moebius&lt;/i&gt;, publicado com alta qualidade gráfica e no formato europeu original, encontramos todas as histórias clássicas de &lt;i&gt;Arzach&lt;/i&gt; e ainda mais. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a class="thickbox" href="http://lh5.ggpht.com/-qqGGbtdvKLA/TgeZc1_ewVI/AAAAAAAAAOk/Y2lc2rjPyTk/s1600-h/Arzach%25255B7%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 0px 15px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="Arzach" border="0" alt="Arzach" src="http://lh5.ggpht.com/-ijD8e5ufanA/TgeZdtN30RI/AAAAAAAAAOo/VdvHNtsGuEc/Arzach_thumb%25255B5%25255D.jpg?imgmax=800" width="403" height="538" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-4269553408990765323?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/4269553408990765323/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/06/e-nemo-estreia-no-mercado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/4269553408990765323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/4269553408990765323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/06/e-nemo-estreia-no-mercado.html' title='E a Nemo estréia no mercado.'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh5.ggpht.com/-W6FoOa7c7_8/TgeZXjrvVkI/AAAAAAAAAOQ/kxyPrj3Sb5Q/s72-c/Lan%2525C3%2525A7amento_thumb%25255B4%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-2023800847248618490</id><published>2011-06-19T20:47:00.001-03:00</published><updated>2011-06-19T21:56:45.193-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Histórias Inesquecíveis'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos'/><title type='text'>Histórias Inesquecíveis: Aberrações no Coração da América</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-KqVnnfKAo1c/Tf6KetEP07I/AAAAAAAAANs/t3bNXOhLKjE/s1600-h/capa%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 12px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="capa" border="0" alt="capa" align="left" src="http://lh3.ggpht.com/-pHk1MiCefAs/Tf6KfSf_FKI/AAAAAAAAANw/7Ndxsc3IdH4/capa_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="168" height="256" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Comprei &lt;strong&gt;Aberrações no Coração da América&lt;/strong&gt; (Devir Livraria – 2005) por um único motivo: o nome de &lt;strong&gt;Steve Niles&lt;/strong&gt; na capa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Estava num sebo e o preço era ótimo. As belíssimas ilustrações de &lt;strong&gt;Greg Ruth&lt;/strong&gt; pesaram bastante na decisão. Mas era o que o nome de Niles me lembrava o que eu queria ver na história. O cara havia criado a melhor história de vampiros que eu havia lido em muito tempo. Seu &lt;strong&gt;30 Dias de Noite&lt;/strong&gt; é uma paulada. Esqueçam o filme. Apesar de uma adaptação razoável, não chega nem aos pés do gibi feito em parceria com &lt;strong&gt;Ben Templesmith.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E daí eu cruzo com um gibi escrito pelo mesmo cara, com a palavra “Aberrações” no título…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Pois bem. Não era nada do que esperava. Nada de vampiros, nada de monstros como o título sugeria.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas o que encontrei foi muito melhor…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A história toda começa numa cidadezinha de fim de mundo dos Estados Unidos, quando, anos antes, várias mulheres deram à luz ao mesmo tempo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas algo soava horrivelmente errado. Seus filhos não eram normais, eram disformes, estranhos. A decisão tomada foi o assassinato daqueles horrendos bebês.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas nem todos morreram, alguns foram criados às escondidas, em porões e celeiros, numa situação sub humana. E agora eles estavam crescidos, e loucos para conhecer o mundo lá fora…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E aqui terminamos o que vou contar sobre o enredo da história. Mais que isso já estaria fazendo um resumo, não uma resenha.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Vamos falar das coisas que tem ali dentro o do que elas revelam.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-XuJXBmxaMoQ/Tf6KgelMpHI/AAAAAAAAAN0/Ra2YAhA-UUU/s1600-h/prev_aberra_1g%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 0px 0px 10px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="prev_aberra_1g" border="0" alt="prev_aberra_1g" align="right" src="http://lh4.ggpht.com/-DAk80bNO_u4/Tf6KhbT0XgI/AAAAAAAAAN4/y31empGnKXU/prev_aberra_1g_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="191" height="287" /&gt;&lt;/a&gt;O roteiro aparentemente aponta para aqueles filmes de ficção científica da década de 50, recheados de monstros vingativos e sem qualquer explicação plausível para a origem de tão horrendas criaturas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Realmente, o roteiro de Niles não explica absolutamente nada sobre as terríveis deformações das crianças ou o motivo delas terem nascido ao mesmo tempo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A intenção ali não é fornecer aos leitores qualquer dado científico mentiroso que justifique o surgimento das ditas “aberrações”. A história é o que é.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A metáfora é muito mais poderosa. Trata do rito de passagem entre a fase infantil e a adulta e como as coisas podem dar terrivelmente errado. A relação de amor e descoberta vivenciadas por Trevor (o irmão mais velho) e Will (o mais novo e uma das crianças indesejadas) é delicada e trágica. Nesse sentido, &lt;strong&gt;Aberrações no Coração da América&lt;/strong&gt; é uma história sobre a vida e seu aprendizado, com amores e decepções típicas da adolescência.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas a história também estabelece uma sutil relação com renascimento da nação norte americana pós grande depressão, se aproximando assim do romance &lt;strong&gt;Homens e Ratos&lt;/strong&gt;, de John Steinbeck, de 1937. As próprias características físicas e psicológicas de Trevor e Will nos remete aos personagens Lennie e George, protagonistas do romance.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/-xAGV7Wf5kWA/Tf6KitUKVxI/AAAAAAAAAN8/pECkW_qrfx0/s1600-h/prev_aberra_4g%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 12px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="prev_aberra_4g" border="0" alt="prev_aberra_4g" align="left" src="http://lh4.ggpht.com/-Bas83XZECrg/Tf6Kjk6b0uI/AAAAAAAAAOA/z8GN1mWyaXc/prev_aberra_4g_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="159" height="242" /&gt;&lt;/a&gt;É a mentalidade do velho sistema de vida norte americano condenando-se a uma morte lenta, à medida que uma nova, poderosa e irresistível vivacidade tomava conta do povo estadunidense. Essa sutil relação é exteriorizada no discurso do jovem Trevor para xerife Tuck, já nas últimas páginas do gibi, e no trágico destino deste pelas mãos de Bo Clague, pai de Maggie e Roy, outras duas crianças da trama.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas &lt;strong&gt;Aberrações no Coração da América&lt;/strong&gt; fala principalmente da intolerância. Ao tornar alvo do ódio crianças inocentes apenas porque são diferentes daquilo que almejamos, Niles cria uma ferrenha e mordaz crítica ao racismo, qualquer que seja a maneira em que ele se apresente.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Num tempo em que fechamos os vidros quando vemos um guri no farol ou – pior – o pré julgamos um assaltante ou assassino sem ao menos lhe oferecermos qualquer chance de um destino diferente, num tempo em que cobramos segurança pública mas não nos interessamos pela qualidade da educação formal fornecida a aquelas crianças cujos pais não podem pagar a irreal mensalidade de um colégio particular, &lt;strong&gt;Aberrações no Coração da América&lt;/strong&gt; deixa de ser um gibi ( na acepção pejorativa que normalmente dão ao termo) e se torna uma mensagem poderosa e trágica.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;As crianças nos faróis, com seus mal aprendidos malabares, não pediram a situação que lhes foi imposta por séculos de corrupção e mau uso do erário público. Seus pais, seja qual for a culpa que carregam, são inocentes em pelo menos uma questão: a de não conseguirem quebrar padrões de comportamento que se repetem por gerações e que agora se transmutam em truques circenses desesperados por um trocado, por um momento de atenção.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E nesse sentido, &lt;strong&gt;Aberrações no Coração da América&lt;/strong&gt; fala muito mais sobre o que somos do que uma simples história em quadrinhos poderia sugerir.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um gibi obrigatório, gostemos de quadrinhos ou não.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-3l9v6Q2dD6Y/Tf6Kke1EBMI/AAAAAAAAAOE/lgxAfG4saUQ/s1600-h/prev_aberra_2g%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="prev_aberra_2g" border="0" alt="prev_aberra_2g" src="http://lh4.ggpht.com/-v-Pm1ThJXE8/Tf6KlUr40rI/AAAAAAAAAOI/t9ECI3sKEGE/prev_aberra_2g_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="394" height="616" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="1"&gt;Esta resenha foi escrita ao som de &lt;a href="http://www.umlabirintoemcadape.blogspot.com/"&gt;Um Labirinto em Cada Pé&lt;/a&gt;, de &lt;strong&gt;Romulo Fróes&lt;/strong&gt;, e Feito pra Acabar, de &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.marcelojeneci.com.br/site/"&gt;Marcelo Jeneci&lt;/a&gt;.&lt;/strong&gt;&amp;#160; &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="1"&gt;Para ler outras resenhas minhas ou saber o que rola no mundo dos quadrinhos acesse o &lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/"&gt;Quadro a Quadro&lt;/a&gt;.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-2023800847248618490?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/2023800847248618490/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/06/historias-inesqueciveis-assombracoes-no.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/2023800847248618490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/2023800847248618490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/06/historias-inesqueciveis-assombracoes-no.html' title='Histórias Inesquecíveis: Aberrações no Coração da América'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/-pHk1MiCefAs/Tf6KfSf_FKI/AAAAAAAAANw/7Ndxsc3IdH4/s72-c/capa_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-3824101900609880255</id><published>2011-06-05T13:13:00.001-03:00</published><updated>2011-06-05T13:15:24.809-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos Nacionais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Julius Ckvalheiyro'/><title type='text'>Todos os corpos do mundo.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a class="thickbox" href="http://lh5.ggpht.com/-tmeoFnp_NZ4/TeurJs8LXRI/AAAAAAAAANU/o8iQzYvCL9o/s1600-h/Desfile%252520Nazista.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 0px 15px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" border="0" alt="Desfile Nazista" src="http://lh5.ggpht.com/-0zwJAhcV81c/TeurKSXYv2I/AAAAAAAAANY/W3gTamy56EY/Desfile%252520Nazista_thumb.jpg?imgmax=800" width="417" height="286" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Imbecilidade, intolerância, crueldade e morte.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Fome, doença, ódio e arrogância.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Poder, sobretudo ele, ditando o rumo de milhões de vidas num tempo em que o mundo perdeu qualquer traço de humanidade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A 2ª Guerra Mundial não foi apenas uma guerra, foi a mutilação de tudo aquilo que nos torna humanos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Graças ao cinema e a filmes como &lt;i&gt;A Ponte do Rio Kwai &lt;/i&gt;ou &lt;i&gt;O Mais Longo dos Dias, &lt;/i&gt;crescemos com aquela soberba visão dos heroicos aliados lutando contra o mal nazista. E por aliados entendam-se os norte americanos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ainda nos remetendo às películas, os recentes &lt;i&gt;O Resgate do Soldado Ryan, A Lista de Schindler, Além da Linha Vermelha &lt;/i&gt;e o excelente &lt;i&gt;O Pianista &lt;/i&gt;nos ajudam a entender que nem todo comandante em guerra é John Wayne e que nem todo alemão é um nazista cruel e desumano.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas o cinema precisou de mais de meio século para alcançar maturidade suficiente para apresentar tais roteiros, histórias despidas da hipocrisia que nos fazia enxergar o holocausto, mas não a covardia de uma arma nunca antes vista na história da humanidade, lançada contra milhares de civis indefesos em Hiroshima e Nagasaki. A mesma hipocrisia que nos enoja com os experimentos conduzidos por médicos alemães, mas nos fecha os olhos para o questionável e omisso comportamento de Eugênio Pacelli – o Papa Pio XII.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nos quadrinhos não foi diferente.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a class="thickbox" href="http://lh4.ggpht.com/-dKEk8gKHDuw/TeurMZAzV9I/AAAAAAAAANc/hyH10OP9DV0/s1600-h/captainamerica1%25255B1%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 10px 12px 15px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; float: left; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" border="0" alt="captainamerica1" align="left" src="http://lh3.ggpht.com/-JJi6PDYWNio/TeurNbyuwZI/AAAAAAAAANg/LUIGCt39MhA/captainamerica1_thumb.jpg?imgmax=800" width="182" height="244" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Do Capitão América e seus similares aos gibis nacionais que povoavam as bancas das décadas de 50 e 60, o comportamento heroico das forças aliadas era sempre enaltecido e a vilania dos nazistas execrada. De um maniqueísmo quase infantil, os nazistas sempre perdiam. Se a Guerra de verdade tivesse acontecido como nas páginas daqueles gibis, teria durado 20 dias. Mas não durou.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Os alemães desenvolveram uma força bélica surpreendente e mortal e dobrou os joelhos do mundo. Foram necessários anos até que a balança das forças começasse a se equilibrar. Governantes caíram e o mapa mundial foi redefinido à custa de milhões de vidas inocentes.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nenhum escudo de aço indestrutível, com a bandeira norte americana pintada, protegeu a cabeça da jovem judia. Nenhuma amazona resgatou qualquer um dos homossexuais ou deficientes físicos condenados sumariamente à morte. Décadas se passaram até que gibis como &lt;i&gt;Maus&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;A Guerra de Alan&lt;/i&gt; fossem produzidos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No Brasil, ainda que o gênero tenha comportado gênios como Rodolfo Zalla, a situação não era muito diferente.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Os motivos políticos foram deixados de lado nos quadrinhos, algo bastante apropriado para um governo que lançou ao esquecimento as tropas brasileiras que atuaram no conflito. É verdade que o público alvo era outro, naquela época composto em sua maioria por jovens guris. O mercado também não estava interessado em quadrinhos adultos, sobretudo os políticos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas assim como no mundo, no Brasil (embora em menor escala), com uma pitada mais séria aqui, um pouco de humor ali, o tema voltou a ser abordado após décadas de esquecimento.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O recente aquecimento de um mercado adulto de quadrinhos nacionais permitiu que chegasse a público no ano passado o excelente &lt;b&gt;Jambocks&lt;/b&gt;, de &lt;b&gt;Celso Menezes&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Felipe Massafera&lt;/b&gt;, que conta justamente a Campanha da Força Expedicionária Brasileira no palco de operações italiano.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E agora a Conrad acerta em cheio com &lt;b&gt;Guerra: 1939 – 1945&lt;/b&gt; de &lt;b&gt;Julius Ckvalheiyro &lt;/b&gt;(Conrad Editora - R$ 30,00).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;a class="thickbox" href="http://lh6.ggpht.com/-TfICcyaTl9M/TeurOWmBAjI/AAAAAAAAANk/5vzOZogdgww/s1600-h/GUERRA_1939_1945_capa__.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 0px 15px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" border="0" alt="GUERRA_1939_1945_capa__" src="http://lh3.ggpht.com/-P9ut5AEXTHY/TeurPCGPdmI/AAAAAAAAANo/J_90IrUbRio/GUERRA_1939_1945_capa___thumb.jpg?imgmax=800" width="389" height="495" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Guerra&lt;/b&gt; é, em todos os sentidos, um gibi excepcional.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A opção estética do autor surpreende pela maturidade e correção histórica. Ao invés de produzir histórias de guerra como antigamente, contando a óbvia visão dos vencedores, Ckvalheiyro optou por contar a guerra dos vencidos e dos vencedores, do herói e do canalha, do crente e do cético. O resultado emociona pela sinceridade e por mostrar a exata medida de toda aquela imbecilidade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Os capítulos foram divididos de acordo com os anos em que ocorreram. Pesquisador aplicado, cada capítulo é habilmente contextualizado pelo autor, nos situando no momento histórico e político dentro da guerra, tornando a leitura dos quadrinhos que se seguirão muito mais proveitosa e prazerosa. E isso num texto ágil e incisivo, sem firulas, sem valores de juízo, mas também sem o ranço didático tão comum nesse tipo de expediente.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A leitura dos textos introdutórios consegue a proeza de nos fazer passear pela guerra e entender suas motivações políticas, nos mostrando uma face do conflito que comumente não é abordado no ensino fundamental. Os textos, quando aliados às histórias que os ilustram, fazem o gibi ir além: &lt;b&gt;trazem o leitor para dentro da guerra&lt;/b&gt;. Algo nada desprezível nesses tempos em que o Ministério da Educação finalmente começa a perceber o poder de infiltração e absorção dos quadrinhos em salas de aula.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas é na narrativa gráfica que Ckvalheiyro mostra a que veio. As histórias – curtas, não mais de que um punhado de páginas cada – surpreendem pela beleza e emoção. Num traço realista, obtido através do estudo e utilização de fotos do conflito, em preto e branco, produz um resultado plasticamente desnorteante e é responsável por páginas belíssimas. Entretanto, a utilização de alguns efeitos às vezes confunde um leitor menos treinado, dificultando a localização dos elementos gráficos na página. Felizmente, essa falha é observada em apenas meia dúzia de quadros e não prejudica em nada o entendimento geral das histórias.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O passeio pela guerra continua também na estrutura narrativa: as 03 primeiras histórias apresentam os grandes vilões do conflito. Um nazista cruel mas não caricato, como estamos acostumados, já nos dá o tom, logo nas primeiras páginas, do que veremos em todo o restante do álbum. Um piloto nazista extremamente lúcido de seu dever nos mostra um outro tipo de guerra, um outro tipo de soldado, em contraponto ao combatente da primeira história. Um recurso genial para dimensionar exatamente o que era crueldade e o que era dever. E por fim um piloto de um caça japonês, que em apenas 08 páginas nos mostra um resumo de milênios de anos de cultura oriental, personificados num único homem.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em seguida somos apresentados a um dos grandes heróis da guerra, que a história ocidental fez questão de colocar em segundo plano por conta da “ameaça” que representou ao mundo nos anos posteriores ao conflito: a União Soviética.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E o autor faz questão de mostrar que o papel dela não só não foi pequeno como também fundamental para a vitória das forças aliadas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E então os judeus.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E aí não há palavras suficientes para justificar o tamanho da crueldade cometida naqueles anos. Algo que o mundo não pode esquecer.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Apresentar o holocausto é a obrigação mínima de cada um dos artistas que se aventurem por essa seara. O alerta continua válido, principalmente com a recente escalada de forças nacionalistas na Europa, onde alguns grupos, inclusive, tentam disseminar a ideia de que o massacre sistemático de judeus durante o confronto não passa de uma “invenção” histórica.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O alerta também continua válido para o povo judeu, que esquecendo o mal que sofreu, se comporta de forma perigosamente semelhante – com a inexplicável conivência das grandes nações – em relação ao povo palestino, isolando-os (geograficamente e socialmente) e os condenando à fome, miséria e morte.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E por fim os americanos, numa macabra simetria com as duas primeiras histórias do álbum. Um toque de sutileza do autor para mostrar que a grande vitória americana também foi uma grande derrota – em todos os sentidos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Uma única falta é sentida: não há qualquer menção a Campanha da FEB na Itália. Uma história sobre a participação brasileira no conflito – que também não foi desprezível, sobretudo para o avanço das forças aliadas por aquela porta de entrada no velho continente – teria tornado o gibi perfeito (sobretudo para fins didáticos). Fica a sugestão para um provável segundo volume.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não há uma única história ruim, mas três merecem destaque e habilitam o álbum a ser uma das melhores publicações do ano: o piloto japonês, o soldado russo e a nova arma americana.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não são histórias de guerra, são poesias gráficas sobre o ser humano, seus valores, sua beleza e o tamanho de sua crueldade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ckvalheiyro conseguiu com isso produzir um gibi belíssimo sobre a maior tragédia da história da humanidade, de forma séria, didática e – principalmente – estética e artisticamente impecável.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não é pouca coisa.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-3824101900609880255?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/3824101900609880255/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/06/todos-os-corpos-do-mundo.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/3824101900609880255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/3824101900609880255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/06/todos-os-corpos-do-mundo.html' title='Todos os corpos do mundo.'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh5.ggpht.com/-0zwJAhcV81c/TeurKSXYv2I/AAAAAAAAANY/W3gTamy56EY/s72-c/Desfile%252520Nazista_thumb.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-3044062498524287013</id><published>2011-05-29T16:08:00.001-03:00</published><updated>2011-05-29T16:08:52.966-03:00</updated><title type='text'>O Gibi Rasgado está fazendo aniversário!</title><content type='html'>&lt;p&gt;Domingo que vem, dia 05 de junho, o Gibi Rasgado fará 01 ano de existência.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Por que criar um blog? E – mais absurdo ainda – por que mantê-lo durante um ano inteiro? E ainda mais sobre quadrinhos?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Pensei muito nisso durante os últimos doze meses.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E, claro, não cheguei a nenhuma conclusão.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O ser humano, quando não encontra razões para justificar seus próprios atos, possui a insistente mania de culpar os outros. Da irmã mais velha à crise na China, há sempre um culpado que não ele próprio.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Como todos os dias, hoje pela manhã, ao escovar os dentes, verifiquei minuciosamente se meus olhos não haviam ficado violetas e se não tinham me aparecido escamas no rosto ao invés de barba.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Como não virei a Liz Taylor e também continuo humano, resolvi culpar algumas pessoas por esse blog existir.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O primeiro da lista é meu&lt;strong&gt; pai&lt;/strong&gt;. Lia tanto gibi que acabou registrando isso no código genético, sei lá. De alguma forma me passou esse negócio. Um dia terei filhos também e espero que tenham o mesmo fúnebre destino.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Minha &lt;strong&gt;mãe&lt;/strong&gt; também é culpada. Onde já se viu comprar gibi pro filho, naquela pindaíba em que vivíamos? Culpada sem direito a defesa por ter alimentado o filho com sonhos ao invés de mortadela barata.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E nesse veredicto incluo minhas duas&lt;strong&gt; irmãs&lt;/strong&gt;, por terem sido coniventes com o crime.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E a lista se estenderia por páginas inteiras se eu incluísse aí todos os moleques que emprestaram ou pegaram emprestado os milhares de gibis da minha adolescência.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas darei um salto de décadas e me concentrarei apenas naqueles de quem tenho provas claras da culpa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Lucas Pimenta&lt;/strong&gt;, com seu jeito de bom baiano, resolveu se aproximar dos seus colegas de classe virtual no curso de roteiro do SENAC.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;“Por que você não faz um blog?” , “Dá uma olhada nesse blog, é bem bacana”, “Cê já entrou no meu blog?”, “É muito fácil fazer, você devia tentar…”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não acredito até agora que caí nessa conversa mole. Devia ter desconfiado mas, crédulo que sou, confiei nesse sórdido sujeito.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Marcello Fontana&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Sergio Barreto&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Carlos Portilho&lt;/strong&gt;, ao que tudo indica, também foram vítimas das artimanhas desse vil senhor pois juntos inauguramos o &lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/"&gt;Quadro a Quadro&lt;/a&gt;. Culpado 04 vezes. E a lista não pára de crescer: &lt;strong&gt;Eve&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Dadal&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Dan&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Sou&lt;/strong&gt; também estão no QaQ, por maior ou menor influência dele. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um inocente e-mail (iniciativa minha, confesso), começou uma intensa troca de correspondências com o roteirista mineiro &lt;a href="http://maisquadrinhos.blogspot.com/"&gt;Wellington Srbek&lt;/a&gt;. O blog também só ficou esse tempo todo no ar graças a esse senhor. A lista dele também não é pequena, observem:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Culpado por escrever tão bem e produzir histórias fantásticas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Culpado por ter um blog excelente e inspirar a linha deste.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Culpado por responder meus e-mails e comentários (todos, sem exceção).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Culpado também por comentar neste blog.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E agora, imperdoavelmente culpado por confiar a mim o roteiro de uma &lt;a href="http://maisquadrinhos.blogspot.com/2011/05/shakespeare-em-quadrinhos.html"&gt;adaptação de William Shakespeare&lt;/a&gt; em quadrinhos (essa é indefensável).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E para não dizer que eu entrego apenas quem está em outro estado, em São Paulo poderemos encontrar na Praça Roosevelt o &lt;a href="http://graffitv.blogspot.com/"&gt;Gual&lt;/a&gt;, a &lt;a href="http://www.facebook.com/#!/profile.php?id=100000714365877"&gt;Dani&lt;/a&gt; e o &lt;a href="http://florealandrade.blogspot.com/"&gt;Floreal&lt;/a&gt;. Todos culpados por serem donos e colaboradores da HQMix Livraria.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Onde já se viu honestos comerciantes e trabalhadores serem amigos de seus clientes? E pior, pararem seus afazeres pra ficar batendo deliciosos papos sobre quadrinhos?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Por terem ensinado este humilde blogueiro muito sobre as tendências, a técnica e a história dos quadrinhos nacionais, os considero culpados também por este aniversário.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E por fim, a &lt;strong&gt;Cátia&lt;/strong&gt; – esposa e companheira há 15 anos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Culpada por ser uma pessoa tão interessante. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Culpada pelo conluio com o Lucas pra que eu fizesse esse blog.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Culpada por me dar coragem em escrever pro Srbek.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Culpada por ler todas as postagens.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Culpada por ficar uma década inteira acreditando que eu pudesse voltar a escrever quando eu mesmo já tinha esquecido que era capaz.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Culpada por ser o motivo de eu acordar todas as manhãs e culpada, principalmente, por me fazer crer que o mundo não valeria a pena sem ela.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Como disse, sempre há um culpado.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No caso deste blog existem vários.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E sou imensamente grato a cada um deles.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Muito obrigado por acreditarem no Gibi Rasgado.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-3044062498524287013?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/3044062498524287013/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/05/o-gibi-rasgado-esta-fazendo-aniversario.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/3044062498524287013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/3044062498524287013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/05/o-gibi-rasgado-esta-fazendo-aniversario.html' title='O Gibi Rasgado está fazendo aniversário!'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-4801372096945557579</id><published>2011-05-22T17:31:00.001-03:00</published><updated>2011-05-22T17:32:57.931-03:00</updated><title type='text'>Noturno e soturno.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a class="thickbox" href="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TdlygDWCnqI/AAAAAAAAAM0/4d4hZwZzfUE/s1600-h/20110521_Noturno2.png"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px auto 15px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" border="0" alt="20110521_Noturno" src="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TdlyjyZZagI/AAAAAAAAAM4/a5NjHkPPrlQ/20110521_Noturno_thumb1.png?imgmax=800" width="400" height="531" /&gt;&lt;/a&gt;Estava concentradíssimo numa planilha lá no trampo quando ouvi a pergunta: quanto no Barça e Real?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Bolão de futebol é coisa comum num banco. Campeonato Paulista, Carioca, Gaúcho, Brasileiro e até Europeu! Pensei por 03 segundos, “O Barça acabou de perder a Copa do Rei pro Real, não vai perder a 2ª seguida”&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Bota aí: dois a zero pro Barça!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E ainda cravei: dois gols do argentino.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Só eu e o Cidão acertamos: R$ 88,50 para cada um.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Já dizia com seu sotaque carregado a velha Joana, minha bisavó, na sabedoria dos seus 97 anos: “Dinero de juego suço (sujo), não pode ficar en las manos…”. Como não sou de desobedecer os mais velhos – ainda mais os mortos – separei os R$ 3,00 do investimento original e torrei os R$ 85,50 restantes.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Metade foi gasto na Cacau Show, numas caixas de bombons bem bacanas pra Cátia – a minha patroa. A outra metade foi pro vício.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E já que era o Messi que estava pagando, por coerência comprei um gibi argentino:&lt;strong&gt; Noturno&lt;/strong&gt;. E todo o humor da situação acaba aqui.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Noturno&lt;/strong&gt; (Zarabatana – Coleção Fierro nº1 – R$ 41,00) não é um gibi comum, pelo menos não por essas bandas de cá. Primeiro porque foi feito por um argentino e no geral temos a péssima mania de achar que só os americanos e japoneses fazem quadrinhos – o talentoso Salvador Sanz – segundo porque não estamos acostumados aos quadrinhos de lá.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E nosso desconhecimento da produção vizinha pode causar algumas surpresas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mafalda é uma velha conhecida, mas a invasão de quadrinhos como &lt;strong&gt;Macanudo&lt;/strong&gt; (Liniers)&amp;#160; e a revista &lt;strong&gt;Fierro&lt;/strong&gt; (que traz um monte de gente bacana) nos mostra o quanto ainda podemos aprender com nossos &lt;em&gt;hermanos. &lt;/em&gt;Os quadrinhos argentinos são ótimos e lhes transferir a velha richa existente entre Brasil e Argentina seria – para se dizer o mínimo – infantil.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E de infantil esse belíssimo álbum da Zarabatana não tem absolutamente nada. &lt;strong&gt;Noturno&lt;/strong&gt; conta a história de uns pássaros grandões, vindos de um mundo antigo e estranho e que pretendem invadir a terra. Para isso trocam de corpos com uns humanos que não sabem direito o que está acontecendo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Satisfeito? Então pode parar de ler a resenha porque o gibi é isso mesmo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não está satisfeito né? Então vamos lá…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a class="thickbox" href="http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TdlymOLJ91I/AAAAAAAAANM/K3LA0MG4GBo/s1600-h/nocturno7.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 0px 15px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" border="0" alt="nocturno7" src="http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TdlynJxJeUI/AAAAAAAAANQ/pMetoi0Aloo/nocturno7_thumb.jpg?imgmax=800" width="399" height="292" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A história toda gira em torno de Lucia e Lucio, dois espectadores de um show de magia, que não se conheciam até subirem ao palco como voluntários para um dos quadros do espetáculo: serem transformados em pássaros de fogo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O Mágico – um cara estranho, com penas no pescoço e uma máscara em bico – promete magia de verdade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A partir daí teremos uma história alucinante.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A magia, é claro, era verdadeira e Lucia e Lucio começam – cada um em sua rotina – a viverem experiências inexplicáveis. Lapsos de memórias e sonhos estranhos, com ovos servindo de incubadora, pássaros assustadores e árvores gigantescas. Os sonhos transformando-se em pesadelos numa velocidade vertiginosa. E tão rápido quanto, os pesadelos viram realidade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Num preto e branco de traços belíssimos, Salvador Sanz nos leva a um passeio pela moderna Buenos Aires, sempre na companhia de Lucio ou Lucia. E nos mostra como uma vida comum, de jovens comuns, pode ser uma maldição quando o fator sobrenatural é introduzido.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um raça antiquissíma flerta com os humanos há tempos. Suas intenções são postas à mesa: tudo faz parte de um plano para uma invasão em massa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;De um lado uma força primitiva, feroz, inteligente e mágica, personificada por pássaros enormes, com anatomias bastante adequadas às suas personalidades.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Do outro dois jovens que não se conhecem mas estão ligados por uma maldição que os coloca em meio a um turbilhão de acontecimentos que pode mudar os rumos da humanidade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No meio, ora transitando num lado, ora no outro, um ser mágico que não é nem homem, nem pássaro, com inseguranças bastantes humanas e uma ansiedade crescente em retornar ao seu mundo; um cara normal, com uma vida banal, mas que sonha em se tornar um daqueles bichos também (tal qual as menininas de hoje, que sonham com a vida eterna prometida em Crepúsculo), uma força militar que sabe mais do que aparenta e milhares de outros jovens estigmatizados com a mesma desgraça de Lucio e Lucia.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E referências à cultura pop, dezenas delas. Do &lt;em&gt;O Exorcista&lt;/em&gt; a &lt;em&gt;O Enigma de Outro Mundo&lt;/em&gt;, passando por &lt;em&gt;Aliens&lt;/em&gt;&amp;#160; e &lt;em&gt;Um Lobisomem Americano em Londres&lt;/em&gt;, mas sem nunca perder de vista &lt;strong&gt;Borges, Cortázar&lt;/strong&gt; e toda a enorme tradição argentina na literatura fantástica, &lt;strong&gt;Noturno &lt;/strong&gt;é um espetáculo aos fãs de uma boa história.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Até o final – aparentemente água com açúcar – é uma homenagem aos velhos filmes B da décadas de 50, com sua mudança de situação surpreendentemente divertida.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas &lt;strong&gt;Noturno&lt;/strong&gt; não é um gibi engraçado, sua mistura de sexo, horror, realidade e fantasia se equilibram e se transformam durante a leitura, nos divertindo e nos causando medo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;É fantasia de verdade, de um jeito bom e com um senso de humor estranho. Repugnante e atrente ao mesmo tempo, esteticamente &lt;strong&gt;Noturno&lt;/strong&gt; se aproxima muito dos belíssimos &lt;a class="thickbox" href="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TdlypDwykqI/AAAAAAAAANE/b3oaomJevRM/s1600-h/PAG_4-capitulo-2%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 11px 0px 15px 8px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; float: right; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" border="0" alt="PAG_4 capitulo 2" align="right" src="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/Tdlyp1Sh7eI/AAAAAAAAANI/tpfWpt5AYvk/PAG_4-capitulo-2_thumb.jpg?imgmax=800" width="219" height="283" /&gt;&lt;/a&gt;álbuns europeus das décadas de 70 e 80, como &lt;strong&gt;Os Imortais &lt;/strong&gt;(Bilal), &lt;strong&gt;Drunna&lt;/strong&gt; (Serpieri) e &lt;strong&gt;Ranxerox &lt;/strong&gt;(Libertarore e Tamburini), sem nunca desonrar a própria tradição argentina no gênero, imortalizada pelo El Eternauta (de outro gênero – a Ficção Científica – mas ainda assim o maior expoente da fantasia argentina e uma das melhores coisas produzidas nos quadrinhos em todos os tempos).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A &lt;strong&gt;Zarabatana Books &lt;/strong&gt;merece todos os elogios pelo excelente projeto editorial que vem fazendo. Os quadrinhos argentinos são uma atraente opção de leitura e esse &lt;strong&gt;Noturno&lt;/strong&gt; em especial não é o tipo de gibi que se vê todo dia.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Tá… O Messi também merece um certo crédito, afinal foi ele quem pagou a conta.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-4801372096945557579?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/4801372096945557579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/05/noturno-e-soturno.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/4801372096945557579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/4801372096945557579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/05/noturno-e-soturno.html' title='Noturno e soturno.'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TdlyjyZZagI/AAAAAAAAAM4/a5NjHkPPrlQ/s72-c/20110521_Noturno_thumb1.png?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-8209684269268869725</id><published>2011-05-17T22:18:00.001-03:00</published><updated>2011-05-17T22:22:14.300-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Editora Nemo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Wanderson de Souza'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sonho de Uma Noite de Verão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Shakespeare'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Wellington Srbek'/><title type='text'>Editora Nemo: e não é que eu vou fazer um gibi?</title><content type='html'>&lt;p&gt;Dez anos no &lt;strong&gt;Teatro União e Olho Vivo&lt;/strong&gt; ensinaram-me uma porção de coisas…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Assisti centenas de peças, conheci milhares de pessoas que fazem, respiram e pensam teatro, rodei o país em festivais e perdi as contas das apresentações que fizemos em toda a periferia da Grande São Paulo nesta última década.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E aprendi muito. Conheci os textos de Brecht, Ionesco, Miller e os clássicos gregos. De &lt;strong&gt;César Vieira&lt;/strong&gt;, nosso dramaturgo, li todos (inclusive aqueles que nunca foram publicados) e também Guarnieri, Boal e Qorpo Santo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E &lt;strong&gt;Shakespeare&lt;/strong&gt;, como não poderia deixar de ser.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Só nunca imaginei que minha vida no teatro cruzaria com minha paixão por quadrinhos. Isso é algo que definitivamente eu não esperava.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas a vida é um troço engraçado: fiz um blog de quadrinhos, as pessoas acessaram, começaram a curtir o que eu andava postando e de tanto escrecer &lt;em&gt;sobre&lt;/em&gt; quadrinhos, acabei convidado a &lt;em&gt;escrever&lt;/em&gt; quadrinhos. No caso a adaptação da peça &lt;strong&gt;Sonho de Uma Noite de Verão.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O convite partiu do roteirista &lt;strong&gt;Wellington Srbek&lt;/strong&gt;, agora editor da novíssima &lt;strong&gt;Editora Nemo&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O traço ficará a cargo do talentosíssimo &lt;strong&gt;Wanderson de Souza&lt;/strong&gt;, conhecido colaborador da &lt;strong&gt;Nanquim Descartável&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E como eu já falei demais sobre mim, segue a apresentação oficial da &lt;strong&gt;Nemo&lt;/strong&gt;:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;font color="#008000" size="4"&gt;Quadrinhos: a nova aposta do Grupo Editorial Autêntica&lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Editora NEMO &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;reúne nomes mundialmente consagrados e        &lt;br /&gt;grandes talentos brasileiros das HQs&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Após a ampliação de seu escritório em São Paulo e da equipe que vai trabalhar exclusivamente com a Editora Gutenberg, o Grupo Editorial Autêntica parte, em 2011, para uma nova empreitada: os quadrinhos. E para abarcar as obras dessa fascinante forma de arte, chega ao mercado a Editora NEMO, que lançará seus primeiros títulos no mês de julho. A proposta da nova marca é reunir nomes consagrados das HQs e autores brasileiros contemporâneos, valorizando essa linguagem artística repleta de preciosidades. Entre os autores que vão compor nosso catálogo, estão os consagrados Jean Giraud, francês conhecido internacionalmente pelo pseudônimo Moebius, e o italiano Hugo Pratt, autor do clássico personagem Corto Maltese, além de vários talentos dos quadrinhos brasileiros.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Com a coordenação de Wellington Srbek, roteirista, editor e pesquisador de quadrinhos, a Editora NEMO publicará suas obras no formato álbum. “Optamos inicialmente pelo formato conhecido na Europa e no Brasil como &lt;i&gt;álbum&lt;/i&gt;, que nos Estados Unidos é chamado de &lt;i&gt;graphic novel&lt;/i&gt;. Publicados nos tamanhos 20 cm x 28 cm ou 24 cm x 32 cm, os álbuns da NEMO primam pela qualidade artística, reunindo nomes consagrados das HQs e também talentos surgidos no mercado brasileiro. Aliás, uma marca registrada de nossa editora de quadrinhos é justamente a valorização da produção nacional, com a maioria dos álbuns e coleções sendo produzida por autores nacionais”, explica ele.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ainda de acordo com Wellington Srbek, as HQs da NEMO serão divididas nas coleções &lt;i&gt;Moebius&lt;/i&gt;,&lt;i&gt; História &amp;amp; Quadrinhos&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Versão em Quadrinhos &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;Shakespeare em Quadrinhos&lt;/i&gt;, além das séries&lt;i&gt; Corto Maltese &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;Mitos Recriados em Quadrinhos.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A direção executiva da nova editora ficará a cargo de Arnaud Vin, francês radicado no Brasil há mais de 20 anos. Arnaud é também o responsável pelo desenvolvimento das versões digitais dos títulos da nova editora, que serão disponibilizadas muito em breve para as plataformas iOS (iPhone, iPad) e Android, nas versões português, inglês, espanhol e francês.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Conheça a nova marca do Grupo Editorial Autêntica, &lt;b&gt;&lt;i&gt;Editora NEMO&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TdMeRMO1_FI/AAAAAAAAAMc/7mBukP5M8Pc/s1600-h/logo%5B2%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-top: 0px; margin-right: auto; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="logo" border="0" alt="logo" src="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TdMeR7OnuEI/AAAAAAAAAMg/4adEENT9aL4/logo_thumb.jpg?imgmax=800" width="178" height="177" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Confira as novidades da Editora:&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TdMeTopzboI/AAAAAAAAAMk/AdSN-TLGYHc/s1600-h/Arzach_capa%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 10px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="Arzach_capa" border="0" alt="Arzach_capa" align="left" src="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TdMeUc-Ii3I/AAAAAAAAAMo/8rGhwgzuB_I/Arzach_capa_thumb.jpg?imgmax=800" width="185" height="244" /&gt;&lt;/a&gt;COLEÇÃO MOEBIUS: Arzach&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; - &lt;i&gt;Autor: Moebius&lt;/i&gt; - Finalmente chega ao Brasil uma das HQs mais influentes e revolucionárias da história dos quadrinhos. Neste primeiro volume da &lt;i&gt;Coleção Moebius&lt;/i&gt;, publicado com alta qualidade gráfica e no formato europeu original, encontramos todas as histórias clássicas de &lt;i&gt;Arzach&lt;/i&gt; e ainda mais. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;CIRANDA CORACI (Série Mitos Recriados em Quadrinhos)&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; - &lt;i&gt;Autores: Wellington Srbek e Will&lt;/i&gt; - A história do herói Coraci (o Sol) e de sua noiva Jaci (a Lua) é recriada numa HQ repleta de cor e movimento. Nas páginas desta &lt;i&gt;Ciranda Coraci&lt;/i&gt;, personagens e ambientes, mitos e lendas ganham vida através de um texto poético e belas imagens. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;O SENHOR DAS HISTÓRIAS (Série Mitos Recriados em Quadrinhos)&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; - &lt;i&gt;Autores: Wellington Srbek e Will&lt;/i&gt; - Nas páginas deste álbum, conheça Anansi: &lt;i&gt;O Senhor das Histórias&lt;/i&gt;. Em sua companhia, numa fantástica aventura de sabedoria e coragem, descubra a resposta para a pergunta: “de onde vêm as histórias?”&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TdMeV6dg22I/AAAAAAAAAMs/gtXRJqK8rw8/s1600-h/CORTO_capa%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 0px 0px 8px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="CORTO_capa" border="0" alt="CORTO_capa" align="right" src="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TdMeWjpMFZI/AAAAAAAAAMw/WiVJZTzJtm8/CORTO_capa_thumb.jpg?imgmax=800" width="183" height="244" /&gt;&lt;/a&gt;CORTO MALTESE: A Juventude&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; - &lt;i&gt;Autor: Hugo Pratt&lt;/i&gt; - Inédita no Brasil, a aventura que mostra Corto Maltese em sua juventude chega com as características da edição europeia, em cores e capa dura. Um álbum perfeito para novos leitores e indispensável para os fãs da obra-prima de Hugo Pratt.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;DOM CASMURRO de Machado de Assis&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; - &lt;i&gt;Autores: Wellington Srbek e José Aguiar&lt;/i&gt; - Um dos principais clássicos de nossa literatura ganha &lt;i&gt;Versão em Quadrinhos&lt;/i&gt;, numa bela e fiel adaptação produzida por dois autores de destaque das HQs brasileiras.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;COLEÇÃO MOEBIUS: Pesadelo Branco &amp;amp; Outras Histórias&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt; - &lt;/b&gt;&lt;i&gt;Autor: Moebius&lt;/i&gt; - Neste segundo volume da &lt;i&gt;Coleção Moebius&lt;/i&gt;, encontramos algumas das HQs mais ousadas do gênio francês dos quadrinhos de ficção científica e fantasia.&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;COLEÇÃO SHAKESPEARE EM QUADRINHOS     &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;Os principais clássicos de um dos maiores nomes da literatura internacional ganham a forma de belas HQs produzidas por novos talentos dos quadrinhos brasileiros.&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Romeu e Julieta&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;b&gt;- &lt;/b&gt;&lt;i&gt;Autores: Marcela Godoy e Roberta Pares&lt;/i&gt;&lt;b&gt;     &lt;br /&gt;&lt;i&gt;Sonho de uma Noite de Verão&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;b&gt;- &lt;/b&gt;&lt;i&gt;Autores: Lillo Parra e Wanderson de Souza&lt;/i&gt;&lt;b&gt;     &lt;br /&gt;&lt;i&gt;Otelo&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;b&gt;- &lt;/b&gt;&lt;i&gt;Autores: Jozz e Akira Sanoki&lt;/i&gt;&lt;b&gt;     &lt;br /&gt;&lt;i&gt;Hamlet&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;b&gt;- &lt;/b&gt;&lt;i&gt;Autores: Wellington Srbek e Alex Shibao&lt;/i&gt;&lt;b&gt;     &lt;br /&gt;&lt;i&gt;Macbeth&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;; &lt;b&gt;&lt;i&gt;Rei Lear&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;; &lt;b&gt;&lt;i&gt;A Tempestade&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;.&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;COLEÇÃO HISTÓRIA &amp;amp; QUADRINHOS&lt;/b&gt;&lt;b&gt;     &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;Coleção de álbuns inéditos que narram alguns dos momentos mais marcantes de nossa história.&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;A Guerra de Palmares&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;; &lt;b&gt;&lt;i&gt;A Luta Contra Canudos&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-8209684269268869725?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/8209684269268869725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/05/editora-nemo-e-nao-e-que-eu-vou-fazer.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/8209684269268869725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/8209684269268869725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/05/editora-nemo-e-nao-e-que-eu-vou-fazer.html' title='Editora Nemo: e não é que eu vou fazer um gibi?'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TdMeR7OnuEI/AAAAAAAAAMg/4adEENT9aL4/s72-c/logo_thumb.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-8777876219773020938</id><published>2011-05-15T16:41:00.001-03:00</published><updated>2011-05-15T16:43:30.507-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Aguiar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biscaia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Terror'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='DW'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos Nacionais'/><title type='text'>Tapa na cara - Dentada no cérebro</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TdAscKnmyII/AAAAAAAAAME/9a5CbIIPg8c/s1600-h/tirapromo_vigor_1-copy%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="tirapromo_vigor_1-copy" border="0" alt="tirapromo_vigor_1-copy" src="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TdAsc8IIwMI/AAAAAAAAAMI/DnTSRhq1vyo/tirapromo_vigor_1-copy_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="379" height="151" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quando moleque (mas moleque mesmo, com 9 ou 10 anos), costumava pegar um gibi de forma desencanada. Lia por puro prazer de juntar as palavras e descobrir como aqueles balõezinhos&amp;#160; formavam vozes na minha cabeça.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Vozes que eu – claro – reproduzia nas minhas solitárias brincadeiras ao pé da escada lá de casa (23 degraus, não me esqueço, tenho uma cicatriz para cada um deles). Vozes que décadas mais tarde seriam fundamentais em minha carreira no teatro.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Claro que isso foi antes de Frank Miller virar de cabeça para baixo o mundo dos comics. Era um tempo em que o gibi era só um gibi. Simples assim.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não havia tantas reviravoltas, sagas intermináveis, 617 títulos diferentes interligados na mesma história e essas mortes e ressurreições que já perderam totalmente a credibilidade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A história era aquilo que era. No máximo continuava na edição seguinte.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Por isso me incomoda demais a insistente mania que muita gente tem de transformar o quadrinho nacional em um mundo habitado de super seres. É gente demais querendo ser Frank Miller e quase ninguém querendo ser Flávio Colin.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Então quando pego um gibi desencanado, cheio de bom humor e falando português de um jeito que a gente entenda, comemoro. Não é coisa que acontece todo dia, mas felizmente tem acontecido cada vez mais nos últimos tempos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TdAsdjDifSI/AAAAAAAAAMM/WKclRP9ngzY/s1600-h/vigor_mortis%5B5%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 13px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="vigor_mortis" border="0" alt="vigor_mortis" align="left" src="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TdAseCJ7VSI/AAAAAAAAAMQ/GULMyghqzl0/vigor_mortis_thumb%5B3%5D.jpg?imgmax=800" width="223" height="289" /&gt;&lt;/a&gt;Esse é o caso de &lt;strong&gt;Vigor Mortis Comics&lt;/strong&gt; (Zarabatana Books, R$ 30,00). &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sei, latim e inglês no título…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas não se enganem, Vigor Mortis está lá na capa porque é o nome da &lt;a href="http://www.vigormortis.com.br" target="_blank"&gt;Cia de Teatro Vigor Mortis&lt;/a&gt;. Já o Comics do título, bem, isso é só uma das muitas piadas do gibi e faz referência direta aos pulps de terror que embalaram milhares de moleques nas décadas de 40 e 50.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Vocês podem estar se perguntando: Companhia de Teatro? Gibi? Mas que troço é esse?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Explico: Vigor Mortis é o nome de um grupo teatral curitibano, que se inspirou no Tréâtre du Grand Guignol parisiense ( o clássico Teatro dos Horrores ) e que há 14 anos brinda o público com encenações banhadas de sangue e bom humor, com uma estética que se utiliza, se inspira e abusa de elementos próprios dos quadrinhos. Uma mistura doida de teatro, quadrinhos e cultura pop, sem perder a identidade nacional. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Se ficasse só no teatro já seria bom. Mas eis que Paulo &lt;strong&gt;Biscaia&lt;/strong&gt; Filho, dramaturgo e diretor do grupo, resolveu transformar seus seres cênicos em carinhas bidimensionais, com balões simulando falas, sarjetas, quadros e recordatórios…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não se trata de uma adaptação de uma das peças do grupo, mas sim de uma extensão às montagens, do aproveitamento das personagens numa outra forma de arte. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E o resultado é surpreendente, divertido e, por mais estranho que possa parecer, teatral! Seus zumbis, vampiros (no caso uma vampira com uma dúvida do tamanho da Transilvânia) e demais neuróticos de plantão se sentem bastante à vontade no gibi, como se desde sempre estivessem por ali. &lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;A impressão que se tem ao ler o gibi é que alguma desgraça nuclear ou radioativa atingiu o teatro em que a Companhia ensaiava, transformando os atores nas personagens que representavam e que todos juntos – após um daqueles dias pesados de trabalho – resolveram sair pela noite curitibana pra tomar uma cerveja, arrumar uma trepada, matar um ou outro abusado e comer alguns cérebros.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;E para isso Biscaia contou com o talento de &lt;strong&gt;José Aguiar&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;DW&lt;/strong&gt;, velhos conhecidos de quem curte quadrinhos nacionais e também colaboradores do grupo em diversas encenações. O casamento (ou funeral, dependendo do humor de quem lê) é perfeito.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;A revista é toda em preto, branco e… vermelho! A mistura valoriza tanto a temática quanto o traço estilizado de Aguiar e a &lt;a href="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TdAsexYKKyI/AAAAAAAAAMU/sDgX6R9k11w/s1600-h/tn_280_651_Vigor_Mortis_1_14-04%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 0px 0px 6px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="tn_280_651_Vigor_Mortis_1_14-04" border="0" alt="tn_280_651_Vigor_Mortis_1_14-04" align="right" src="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TdAsfTG4euI/AAAAAAAAAMY/a0ONdlStL54/tn_280_651_Vigor_Mortis_1_14-04_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" width="222" height="303" /&gt;&lt;/a&gt;beleza plástica de DW. &lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Um gibi imperdível, com gosto de gibi de verdade, pra se ler num fôlego só. &lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Vigor Mortis desencavou uma tradição dos quadrinhos há muito esquecida. Sem dúvida alguma um tapa na cara das pretensiosas produções da Brodway, digo, da maior parte da produção nacional. Principalmente se acompanhado, claro, de uma boa dentada no cérebro.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-8777876219773020938?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/8777876219773020938/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/05/tapa-na-cara-dentada-no-cerebro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/8777876219773020938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/8777876219773020938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/05/tapa-na-cara-dentada-no-cerebro.html' title='Tapa na cara - Dentada no cérebro'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TdAsc8IIwMI/AAAAAAAAAMI/DnTSRhq1vyo/s72-c/tirapromo_vigor_1-copy_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-4089750161270996018</id><published>2011-04-30T16:31:00.001-03:00</published><updated>2011-04-30T17:55:37.870-03:00</updated><title type='text'>Almas Públicas: um copo de cerveja e um pandeiro na mão…</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;font size="1"&gt;Em parceria com o &lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/"&gt;QUADRO A QUADRO&lt;/a&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Aos vinte e poucos anos eu tinha o cabelo comprido, a orelha cravejada de brincos e passava as noites ouvindo rock e bebendo cerveja num inferninho qualquer. Para piorar, fazia teatro. Confesso: eu era um estereótipo ambulante.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TbxjdByjW2I/AAAAAAAAALs/-Mc8QmjL3OA/s1600-h/capa%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 10px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="capa" border="0" alt="capa" align="left" src="http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TbxjeJ6qFPI/AAAAAAAAALw/W3OS4XYcBy4/capa_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="191" height="249" /&gt;&lt;/a&gt;Meu ingresso no &lt;strong&gt;Teatro Popular União e Olho Vivo&lt;/strong&gt;, no começo de 2000, descortinou-me um mundo improvável, que eu nunca havia observado, apesar de ter crescido nele.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um mundo onde a cultura popular é muito mais forte e influente do que uma canção do Roberto ou uma novela da Globo. Foi no &lt;strong&gt;União e Olho Vivo&lt;/strong&gt; que aprendi a ouvir as vozes gritadas na periferia mas pouco ouvidas no Centro. Meu conceito – acadêmico, obtido na Faculdade de Belas Artes – do que era ou não arte virou de ponta cabeça.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E entre as muitas surpresas que tive uma delas se destaca, seja pela sua obviedade, seja pela sua inusitada aderência a um cara que é (ainda hoje) fã de Iggy Pop e Black Sabath: &lt;strong&gt;o Samba&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O samba é o resumo da raça e da arte. Não importa se está sendo acompanhado por uma caixa de fósforos ou por um conjunto de cordas de violinos: o samba tudo comporta. É a mais pura tradução do povo brasileiro.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Uma coisa que a indústria fonográfica não entende nessa sua incessante busca pelo lucro é que o samba não pode ser domado ou rotulado pela quantidade de brincos de diamantes ou de roupas caras que os recentes grupos de “samba” usam quando se apresentam no circo de aberrações que é a TV aberta no Brasil.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O samba – o bom samba – é muito mais do que isso.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;É o copo americano de cerveja no canto da mesa e é o braço abaixado tocando um pandeiro. É aquela senhora que não é bonita, mas que quando samba naquele pagode em cima da laje, na casa sem reboco, se torna a coisa mais linda da festa. O samba é a cabeça do sambista ninando no corpo da cuíca.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E foi com esse sentimento e lembrando dos belos versos de “Samba da Antiga”, imortalizados na voz de &lt;strong&gt;Candeia&lt;/strong&gt;, que voltava pra casa naquele dia. Em minhas mãos o recém devorado &lt;strong&gt;Almas Públicas&lt;/strong&gt;, de &lt;a href="http://www.granadilhasemanal.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Marcello Quintanilha&lt;/a&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;(Editora Conrad, R$ 39,90). Pela janela a paisagem mudava rapidamente dos luxuosos prédios do Jardim Anália Franco, na região do caro bairro do Tatuapé, para a arquitetura caótica de Artur Alvim, já quase em Itaquera.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/Tbxjfw6-u_I/AAAAAAAAAL0/_By84lMwaFk/s1600-h/AlmasPublicas_MIOLO-22g%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="AlmasPublicas_MIOLO-22g" border="0" alt="AlmasPublicas_MIOLO-22g" src="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/Tbxjhe03zQI/AAAAAAAAAL4/N5D9wkZfuOE/AlmasPublicas_MIOLO-22g_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="385" height="495" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mundos cruzados num vagão superlotado. Os últimos finos pares de sapatos desceram na Estação Guilhermina Esperança. À partir dali, só casas alugadas e apertadas, coxinhas na padaria antes da aula, dois dedos de uma branquinha pra abrir o apetite, cachorros felizes rasgando sacos de lixo e sorrisos furtivos entre os reflexos dos vidros do ônibus. Um mundo onde as aparências importam menos do que um bom pagode ou do que uma verdade dita “na cara, pois aqui tem é homem, não tem moleque não”. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O meu mundo, aquele onde cresci e tenho orgulho de dizer que é meu.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ao meu lado no vagão Acirzinho, o melhor beque do Rio de Janeiro, que começou a carreira lá na Cia Manufatora Fluminense de Tecidos. Do outro lado Macarrão, sambista dos bons que morreu em 1966. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em pé na porta estava o Agnaldo, que mora lá no sertão da Bahia. Agnaldo é jogador também – não sei se é melhor do que o Acir – e já tá com 30 anos. Mas ainda sonha com em jogar no Corinthia ou Palmeira.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um cara fortão levantou assim que nos aproximamos do Metrô Itaquera. Se secada matasse o cara caía duro ali mesmo, porque o Tião Pomba Gira não tirava o olho da bunda dele. Naquela hora o Tião ainda não sabia, mas ele morreu (ou se suicidou) embaixo das rodas de um taxista, como última prece um pedido de perdão pela culpa de ter causado um acidente parecido a um amigo meses antes.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Tudo bem, esses caras não poderiam estar todos juntos naquele&amp;#160; vagão. E realmente não estavam. São todos personagens do excelente &lt;strong&gt;Almas Públicas&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas também são as mesmas pessoas que voltam todos os dias para casa naquele metrô infernal, que se sentam ao meu lado no ônibus, que estão na fila da padaria pra pagar o cafézinho que serve de desjejum.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Marcello Quintanilha&lt;/strong&gt; nos mostra que um gibi é muito mais do que um colant apertado e um “S” no peito. Seu &lt;strong&gt;Almas Públicas&lt;/strong&gt; pulsa vivo em nossas mãos, possui uma realidade que transborda de suas páginas e invade nossas vidas, nos fazendo enxergar ali a nossa própria realidade. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ler &lt;strong&gt;Quintanilha&lt;/strong&gt; nos faz elevar os quadrinhos a um outro patamar, inclassificável, emocionante, sensível e trágico. Em cada rosto, em &lt;a href="http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/Tbxjj7FX3OI/AAAAAAAAAL8/8UaWLPM_7Fk/s1600-h/dp_22%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 8px 0px 0px 8px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="dp_22" border="0" alt="dp_22" align="right" src="http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/Tbxjk7V3DbI/AAAAAAAAAMA/hKW1Y3Y_tig/dp_22_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" width="205" height="261" /&gt;&lt;/a&gt;cada cômodo das apertadas casas, em cada situação extremamente banal, &lt;strong&gt;Marcello &lt;/strong&gt;enxerga beleza e poesia.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Pouco importa se é o copo de pinga no balcão do boteco ou o gol perdido com o goleiro já vendido num campo pelado de grama, tudo é história nas mãos desse excepcional artista.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Marcello Quintanilha&lt;/strong&gt; faz gibi como quem faz um bom Samba…&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-4089750161270996018?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/4089750161270996018/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/04/almas-publicas-um-copo-de-cerveja-e-um.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/4089750161270996018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/4089750161270996018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/04/almas-publicas-um-copo-de-cerveja-e-um.html' title='Almas Públicas: um copo de cerveja e um pandeiro na mão…'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TbxjeJ6qFPI/AAAAAAAAALw/W3OS4XYcBy4/s72-c/capa_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-5720283718589326683</id><published>2011-04-23T01:19:00.002-03:00</published><updated>2011-04-30T00:29:32.990-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Yslaire'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sambre'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos Europeus'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Balac'/><title type='text'>Sambre: Olhos de Sangue</title><content type='html'>&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TbJTkpZQXgI/AAAAAAAAALU/9GfXEvfK2Ws/s1600-h/Couverture_bd_2723406415%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img align="left" alt="Couverture_bd_2723406415" border="0" height="263" src="http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TbJTlcE7auI/AAAAAAAAALY/4oJ5gUnvSoo/Couverture_bd_2723406415_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" style="background-image: none; border-width: 0px; display: inline; float: left; margin: 0px 10px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" title="Couverture_bd_2723406415" width="198" /&gt;&lt;/a&gt;Tem cada coisa que acontece…&lt;br /&gt;Véspera de feriado, dinheiro curto e muito trabalho pela frente.&lt;br /&gt;E a besta faz o quê? Vai pra HQMix na quarta a noite…&lt;br /&gt;Não tem jeito, nunca saio de lá com as mãos vazias. É simplesmente impossível. Bate papo com a Dani (esposa do Gual), dou uma fuçada numa estante, na outra, e o pensamento fixo em não gastar (muito).&lt;br /&gt;Daí tropeço num canto obscuro daquele estranho universo que é a HQMix. Odeio quando tropeço em qualquer canto obscuro de qualquer lugar mágico, geralmente saio ferido (no bolso, é claro).&lt;br /&gt;E dou de cara com &lt;strong&gt;Sambre – Olhos de Sangue &lt;/strong&gt;, de &lt;strong&gt;Yslaire e Balac&lt;/strong&gt;, numa bonita edição portuguesa da Witloof a um preço inacreditável (e continuará assim, inacreditável mas sem nenhuma cifra, já que minha esposa lê todas as minhas postagens e eu ainda tenho um pouco de juizo nessa brilhante careca).&lt;br /&gt;Comprei achando que era uma história de vampiro.&lt;br /&gt;Tinha toda a pinta: título bacana, ambientação no século XIX, clima sombrio, uma mina com os olhos vermelhos…&lt;br /&gt;O fato é que não conhecia a história, nunca sequer havia ouvido falar. Mais do que ignorância, confesso ser um pecado.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sambre&lt;/strong&gt; é sombria mas nada poderia ser mais afastado do gênero horror do que essa excepcional história. Na verdade, &lt;strong&gt;Olhos de Sangue&lt;/strong&gt; é uma história sobre uma família, sua queda, seus amores e seus inimigos.&lt;br /&gt;A trama começa em &lt;strong&gt;1848&lt;/strong&gt;, com a morte do patriarca da família – Hugo Sambre. Consumido pela loucura, dedicou seus últimos anos em escrever um livro chamado “A Guerra dos Olhos”, nunca terminado. Lá, dizia o velho, estranhos seres de olhos vermelhos eram os maiores inimigos da humanidade e somente a força conjunta dos homens de olhos verdes, azuis e castanhos seria capaz de destruir a ameaça. E ia ainda mais longe: um dos “olhos vermelhos” seria responsável pela derrocada da família Sambre, numa sutil metáfora à situação conturbada na França daqueles anos.&lt;br /&gt;Obviamente, ninguém acredita em tamanha sandice. A não ser sua filha.&lt;br /&gt;É no funeral de Hugo que a trama principia. Um filho rebelde, uma filha crente na verdade de seu pai e uma viúva sem recato.&lt;br /&gt;É lá, entre a amargura da jovem Sarah e a indiferença da víúva, que o revoltado Bernard conhece Julie, uma bela e jovem camponesa de olhos vermelhos…&lt;br /&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TbJTl63DxuI/AAAAAAAAALc/OwS5dlmv7tI/s1600-h/sambre-tome-1---yslaire--balac%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img alt="sambre-tome-1---yslaire--balac" border="0" height="236" src="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TbJTmfpQ3kI/AAAAAAAAALg/1lFP6tWfrwQ/sambre-tome-1---yslaire--balac_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" style="background-image: none; border-width: 0px; display: inline; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" title="sambre-tome-1---yslaire--balac" width="394" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A partir daí temos uma sucessão de encontros e desencontros contados com uma beleza gráfica e uma destreza narrativa invejáveis. Um jogo de sedução, amor, loucura e ódio que culminará numa esperada – mas não menos surpreendente – tragédia.&lt;br /&gt;Essa primeira história é de 1986 e teve mais quatro capítulos, além de alguns &lt;em&gt;prequels &lt;/em&gt;(quando acharemos um termo adequado em português para isso?). Inexplicavelmente a série nunca foi publicada em terras brasileiras, as únicas edições que encontrei em minhas pesquisas são portuguesas e ainda assim esgotadas. O que é sem dúvida um pecado muito maior do que aquele cometido pela minha ignorância.&lt;br /&gt;Na internet pode-se encontrar bastante material sobre a série, embora nem todas as matérias sejam elogiosas, sobretudo no que diz respeito ao 5º e último capítulo e ao estranho fato de &lt;strong&gt;Yslaire&lt;/strong&gt; já ter redesenhado (?!) sua obra em pelo menos duas oportunidades. Mas todos dão como certo que esse é um dos maiores clássicos dos quadrinhos contemporâneos – o que deve ser realmente verdade, se tomarmos como parâmetros a verdadeira legião de fãs que a série possui e as dezenas de prêmios que coleciona.&lt;br /&gt;O que posso dizer é que &lt;strong&gt;Olhos de &lt;a href="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TbJTnunpGlI/AAAAAAAAALk/OZykocm5yV0/s1600-h/Sambre_vol_4%5B5%5D.jpg"&gt;&lt;img align="right" alt="Sambre_vol_4" border="0" height="229" src="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TbJToMQlmbI/AAAAAAAAALo/0n7YgxHEmKE/Sambre_vol_4_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" style="background-image: none; border-width: 0px; display: inline; float: right; margin: 14px 9px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" title="Sambre_vol_4" width="167" /&gt;&lt;/a&gt;Sangue&lt;/strong&gt; é uma das histórias mais bem contadas em que botei os olhos.&lt;br /&gt;Ainda assim não acredito que nossos editores um dia publicarão esse material.&lt;br /&gt;Como disse, odeio quando tropeço em qualquer canto obscuro de qualquer lugar mágico, geralmente saio ferido. Só que dessa vez não foi no bolso mas sim na certeza que dificilmente poderei concluir a leitura de uma série tão instigante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-5720283718589326683?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/5720283718589326683/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/04/sambre-olhos-de-sangue.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/5720283718589326683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/5720283718589326683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/04/sambre-olhos-de-sangue.html' title='Sambre: Olhos de Sangue'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TbJTlcE7auI/AAAAAAAAALY/4oJ5gUnvSoo/s72-c/Couverture_bd_2723406415_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-2710646957999168089</id><published>2011-04-13T23:25:00.000-03:00</published><updated>2011-04-14T01:05:34.570-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos Europeus'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cyril Pedrosa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fábulas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Três Sombras'/><title type='text'>Sombras e Sonhos</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TaZYaXU3lcI/AAAAAAAAAK8/zNuI1R6lDRE/s1600-h/capa%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="capa" border="0" alt="capa" src="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TaZYbVVlZoI/AAAAAAAAALA/DW699kjPNoU/capa_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="385" height="515" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Trabalho na Praça da Sé. Você não precisa ser paulistano para ter ouvido falar dela. Ela é famosa, já foi palco de lutas pela democracia, de assassinatos, de shows… Tem uma catedral lindíssima, notória por sua arquitetura confusa e multiplural e exatamente por isso uma das mais belas do país.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas a Praça da Sé também tem coisas estranhas, que possuem um código próprio. São seus meninos banhando-se na fonte e assaltando os passantes, seus bêbados, seus ambulantes e até seus vigaristas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E tem também as pessoas que moram por lá, dormindo debaixo de marquises ou nos bancos ao relento. E algumas delas são fascinantes.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Tem um cara que eu chamo de “Espanhol”. O chamo assim porque ele cismou que sou filho de um espanhol que ele conheceu quando ainda era guri, lá nos anos 40. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Vive me filando um cigarro, mas não me importo. Ele é uma figura e merece esse pequeno e desgraçado prazer.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E é louco de pedra também (mesmo), do tipo que não fala coisa com coisa. Daí outro dia, entre uma visão apocalíptica e outra, ele simplesmente pára, arranca uma margarida do canteiro e a coloca carinhosamente entre os cabelos de uma bebezinha que passava por ali com a mãe.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Fico imaginando o que fez um homem capaz de um gesto desses enlouquecer. Ou então se uma gentileza desse tamanho não é simplesmente mais um ato de loucura. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Que tipo de sombra seria tão forte a ponto de destruir os sonhos de um homem e tirar-lhe a razão?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nunca saberei. Mas nesse fim de semana tive uma oportunidade para refletir sobre o assunto. E a fonte da reflexão veio de algo insuspeito e – obviamente – maravilhoso exatamente pela sua aparente insuspeição.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Três Sombras&lt;/strong&gt;, de &lt;strong&gt;Cyril Pedrosa&lt;/strong&gt; (Quadrinhos na Cia, R$ 39,50) é um gibi poderoso, como poucos nos últimos anos. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O francês de nome estranho para um francês também produziu uma história estranha pra um gibi.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O casal Louis e Lise vive tranquilamente com seu pequeno filho Joachim. Isolados no bosque, tocam tranquilamente suas vidas, repletas de pequenos prazeres, até que um dia avistam três sombras no alto da colina. Começa ali o pesadelo particular de cada um e uma luta desesperada pela vida.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não há como não ficar curioso. É uma idéia atraente, cheia de possibilidades… Mas também com tudo pra ser um fracasso, se não fosse absolutamente genial.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TaZYcOOVNHI/AAAAAAAAALE/MyerhXOHf_o/s1600-h/9782756004709_3%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="9782756004709_3" border="0" alt="9782756004709_3" src="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TaZYcyX7goI/AAAAAAAAALI/IIeQyLl_wo8/9782756004709_3_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="404" height="282" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Como disse, a vida de Louis e Lise e de seu pequeno Joachim seguia tranquila até a aparição das sombras. Elas surgem sem aviso e não dizem a que vieram. E é nessa dúvida e em sua inevitável descoberta que toda a estrutura narrativa da história é montada. Contar mais que isso comprometeria de forma definitiva as surpresas reservadas ao leitor.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas sempre há um jeito de contar o que não deve ser contado e ainda assim manter intactas as surpresas. Aliás, é esse um dos melhores recursos narrativos utilizados por Pedrosa: suas pistas entregam a história antes do primeiro terço do gibi, mas tudo é tão bem contado que você não as percebe e é exatamente em suas descobertas que residem as maiores doses de emoção dessa encantadora fábula.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Três sombras é ambientada em uma época imprecisa. Algumas pistas indicam que a história se passa em algum ponto entre os séculos XVI e XVII, seja pela utilização de caravelas no transporte de passageiros (a maior contribuição náutica dos portugueses ao mundo), seja na já existência de armas de fogo portáteis (ambas invenções surgidas no século XV) ou ainda na estrutura das cidades, bem mais sofisticadas que os feudos medievais. Um lugar perfeito para despertar a imaginação do leitor e propício ao clima sobrenatural que Cyril imprime em sua fábula.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Pedrosa é um narrador habilidoso e parece saber disso. Ao situar sua história num período tão impreciso mas ainda assim reconhecível, a torna propriedade de qualquer povo ocidental, seja francês, português, italiano ou espanhol e – por extensão histórica e cultural – americano (de Américas, e não apenas a de nossos pretensiosos primos do norte).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Outra preciosa pista flutua nas águas que permeiam toda a narrativa. Elas possuem ligação intíma com as sombras do título e são alusivas às principais obras da literatura medieval e renascentista, de Gil Vicente a Dante, passando obrigatoriamente pelo emblemático Os Lusíadas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas a maior e mais sutil delas reside em um diálogo entre Louis e o contramestre do navio que os transporta para longe das sombras. É ali que Cyril revela toda a beleza da trama, dando razão ao desesperado Louis ao mesmo tempo que lhe nega qualquer chance de sucesso.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TaZYd_IcIqI/AAAAAAAAALM/BUFPO7ut55Y/s1600-h/130_Trois_Ombres_400%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="130_Trois-Ombres.TIF" border="0" alt="130_Trois-Ombres.TIF" src="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TaZYevtjpLI/AAAAAAAAALQ/yxXyPL9XQk8/130_Trois_Ombres_400_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="399" height="386" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Pedrosa também não poupa habilidade na construção de seus personagens coadjuvantes: a velha mística, conhecedora dos caminhos entre a vida e a morte, o inescrupuloso mercador de escravos, a ofendida cigana e a desesperançosa negra algemada, o sórdido vendedor de bilhetes ou o traiçoeiro barão. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nenhum deles está ali gratuitamente. Todos sofrem os efeitos de suas ações, mesmo que tal ação seja ter vivido demais – para o bem e para o mal. Até o cão da família possui seu papel, em mais uma entre tantas sutilezas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Três Sombras é uma história sobre o valor da vida e sua finitude. Sobre o amor sem limites e sua cegueira. Três Sombras nos ensina que a vida pode ser irremediavelmente arruinada, mas também nos mostra como cada minuto de nossa breve existência é importante, em como o amor pode enlouquecer e de que forma a loucura pode ser curada através desse mesmo amor que desgraçou qualquer traço de racionalidade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Três Sombras é uma poderosa alegoria sobre a vida, que nos faz refletir sobre qual caminho estamos tomando em busca de uma suposta felicidade que, no final das contas, pode nem estar onde achamos que esteja.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Cyril criou um clássico que será lido por muitas gerações.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E na Praça da Sé, uma mãe revoltada arranca violentamente uma flor dos cabelos negros de sua pequena filha. O Espanhol fica ali olhando, o cigarro pendendo da boca, sem entender bem porque uma flor tão bonita está no chão e não nos cabelos da criança.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No segundo seguinte volta às suas profecias apocalípticas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A mulher não entendeu que a vida é feita de sombras e sonhos. O Espanhol, por sua vez, nunca esquecerá…&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-2710646957999168089?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/2710646957999168089/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/04/sombras-e-sonhos.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/2710646957999168089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/2710646957999168089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/04/sombras-e-sonhos.html' title='Sombras e Sonhos'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TaZYbVVlZoI/AAAAAAAAALA/DW699kjPNoU/s72-c/capa_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-6949196763114719438</id><published>2011-04-07T23:36:00.001-03:00</published><updated>2011-04-07T23:36:20.250-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eerie'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Kripta'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Terror'/><title type='text'>“Qualquer dia é sexta-feira, qualquer hora é meia-noite”</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TZ50aa_xNeI/AAAAAAAAAKE/FWQOkXw_J6c/s1600-h/Kripta020%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 9px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="Kripta020" border="0" alt="Kripta020" align="left" src="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TZ50axfIZRI/AAAAAAAAAKI/GoQPFqO-5-M/Kripta020_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="106" height="116" /&gt;&lt;/a&gt;Nunca escondi minhas preferências. Quem acompanha o GR desde o começo sabe que meu gênero preferido sempre foi o terror. É só se lembrar da antiga imagem no topo do blog (uma capa rasgada da Kripta) ou prestar atenção na atual.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Já falei de &lt;a href="http://gibirasgado.blogspot.com/2010/06/um-frankenstein-diferente_8165.html"&gt;Frankestein&lt;/a&gt; e declarei minha paixão sobre a magnífica produção da dupla &lt;a href="http://gibirasgado.blogspot.com/2010/11/doce-de-leite-cafe-forte_7062.html"&gt;Srbek &amp;amp; Colin&lt;/a&gt;, confidenciei quando ganhei &lt;a href="http://gibirasgado.blogspot.com/2010/07/minha-primeira-calafrio_7060.html"&gt;minha primeira Calafrio&lt;/a&gt;, declarei abertamente minha satisfação com &lt;a href="http://gibirasgado.blogspot.com/2011/03/pequenos-prazeres.html"&gt;Máquinha Fantasma&lt;/a&gt; e – mesmo resenhando apenas aquilo que leio e gosto – não resisti e meti o pau no recente lançamento &lt;a href="http://gibirasgado.blogspot.com/2011/02/no-tempo-em-que-as-trevas-dominavam-as.html"&gt;Marvel Terror&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E ainda pretendo falar do &lt;strong&gt;Necronauta&lt;/strong&gt; do Danilo Beiruth e do impressionante &lt;strong&gt;Prontuário 666&lt;/strong&gt; do Samuel Casal, mas não agora.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Agora é um momento de celebração.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TZ50bldrxpI/AAAAAAAAAKM/wMOUK8voRZ0/s1600-h/Cripta_Volume_1_capa%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 0px 0px 6px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="Cripta_Volume_1_capa" border="0" alt="Cripta_Volume_1_capa" align="right" src="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TZ50cAsbXiI/AAAAAAAAAKQ/jd6XXnmTCsE/Cripta_Volume_1_capa_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="213" height="284" /&gt;&lt;/a&gt;Sim meus senhores e senhoras, celebração. Ergam suas taças de groselha imitando sangue, coloquem suas dentaduras de vampiro compradas a &lt;em&gt;dois real&lt;/em&gt; numa loja mequetrefe de brinquedos, estourem a pipoca e separem todos os DVDs do Romero e do Argento…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Finalmente, após quase um ano de atraso, saiu o primeiro volume da coleção “Eerie Archives”, ou, como foi carinhosamente batizada nestas terras brasileiras, simplesmente &lt;strong&gt;Cripta – volume I&lt;/strong&gt; (Mythos Editora, R$ 49,00).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não conhece a Cripta? E se eu escrevesse “Kripta”, soaria mais familiar?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Se a grafia com K não lhe despertou nenhuma lembrança, corra agora a uma banca e se prepare para o melhor investimento no gênero em anos. E se o nome lhe for familiar, por que raios ainda não desligou o computador e foi voando comprar seu exemplar?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A proposta da edição é bastante simples: trazer ao público brasileiro a recente compilação das histórias originais da revista Eerie, publicada pela Warren Publishing entre as décadas de 60 a 80 e recentemente relançadas pela Dark House.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Seria só mais um lançamento. Se Eerie não fosse considerada por muitos – ao lado de sua irmã Creepy (da mesma editora e apenas alguns meses mais velha) – como a melhor revista de terror de todos os tempos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E não é para menos. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quem acompanha os encadernados das séries históricas dos comics norte americanos já ouviu nomes como Steve Ditko (um dos criadores do Homem Aranha), Gene Colan (outro que fez fama na Marvel, inclusive com o cabeça de teia), Berni Wrigtson (aquele do Monstro do Pântano) ou Archie Goodwin (um dos criadores do selo Epic). &lt;a href="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TZ50emLVyvI/AAAAAAAAAKU/DeaeMFmwZ40/s1600-h/ditko%5B5%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 10px auto; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="ditko" border="0" alt="ditko" src="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TZ50fdgA3jI/AAAAAAAAAKY/91rSoI0upGA/ditko_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" width="353" height="488" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quem é fã de magia e aventura, com certeza já cruzou com alguma das centenas de belíssimas capas de Frank Frazzetta (inclusive do Conan e do Thor). Dê uma olhada na satânica gata aí do lado… Quem vê uma das mulheres de Frazzetta nunca mais a esquece.&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TZ50gsNY53I/AAAAAAAAAKc/AaTUhGpDzFo/s1600-h/frank_frazetta_themoonmaid%5B5%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 10px auto; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="frank_frazetta_themoonmaid" border="0" alt="frank_frazetta_themoonmaid" src="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TZ50hbMx3fI/AAAAAAAAAKg/-L69j-hXBP8/frank_frazetta_themoonmaid_thumb%5B3%5D.jpg?imgmax=800" width="347" height="439" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sua praia é ilustração e design? Então com certeza já ouviu falar de Richard Corben, um pioneiro na manipulação de imagens e precursor de tudo aquilo que hoje fazemos com dois cliques no phothoshop. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TZ50idqJ2_I/AAAAAAAAAKk/XdBwbe_UNeY/s1600-h/0uro0037__Richard_Corben__spookies%5B10%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-top: 0px; margin-right: auto; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="0uro0037__Richard_Corben__spookies" border="0" alt="0uro0037__Richard_Corben__spookies" src="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TZ50i-5yHII/AAAAAAAAAKo/RdXGhWuj67w/0uro0037__Richard_Corben__spookies_thumb%5B4%5D.jpg?imgmax=800" width="345" height="466" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Tá bom, você não curte nada disso, né? Seu negócio é animação. Então com certeza já assistiu clássicos como Herculóides, Johny Quest, Space Ghost… Pois é, um dos responsáveis por todos esses desenhos (e muitos outros da Hannah Barbera) chamava-se Alex Toth. Adivinha onde ele também desfilava seu genial traço?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TZ50lOZdqRI/AAAAAAAAAKs/M8OOi53ac18/s1600-h/spaceghost%5B2%5D.png"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-top: 0px; margin-right: auto; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="spaceghost" border="0" alt="spaceghost" src="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TZ50mGQy1KI/AAAAAAAAAKw/SGHS45tr6UA/spaceghost_thumb%5B2%5D.png?imgmax=800" width="352" height="463" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Isso sem falar de um sem número de artistas inagualáveis, que fizeram da Eerie e da Creepy publicações únicas, com histórias inovadoras e artes deslumbrantes.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nesse primeiro volume, temos na íntegra as edições 01 a 05 da Eeerie. Embora essas primeiras edições, todas datadas de 1965, ainda não possuam a excepcional qualidade que a revista apresentaria alguns anos mais tarde, já temos um desfile de geniais histórias como Alma do Horror, Debaixo da Pele e Medo Corrosivo. Isso sem contar as capas originais de Frazzetta e o talento de Goodwin, Ditko, Colan, Toth, Joe Orlando… &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TZ50oEGEGfI/AAAAAAAAAK0/uUyLdMY9gdk/s1600-h/I1%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 10px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="I1" border="0" alt="I1" align="left" src="http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TZ50oyyxwVI/AAAAAAAAAK4/63O6D4haaMw/I1_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="190" height="260" /&gt;&lt;/a&gt;No Brasil, parte desse material foi publicado na extinta revista Kripta, da RGE, entre os anos de 1976 e 1981. E, claro, deixou saudades.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Agora os fãs antigos podem matar a saudade. E para aqueles que nunca leram o material uma oportunidade imperdível: conhecer algo único na história dos quadrinhos mundiais, só comparável a lendária Heavy Metal.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Porque, como dizia a campanha publicitária já na década de 70, com Cripta (com C ou com K) &lt;strong&gt;qualquer dia é sexta feira, qualquer hora é meia noite…&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-6949196763114719438?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/6949196763114719438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/04/qualquer-dia-e-sexta-feira-qualquer.html#comment-form' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/6949196763114719438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/6949196763114719438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/04/qualquer-dia-e-sexta-feira-qualquer.html' title='“Qualquer dia é sexta-feira, qualquer hora é meia-noite”'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TZ50axfIZRI/AAAAAAAAAKI/GoQPFqO-5-M/s72-c/Kripta020_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-4318115734584647733</id><published>2011-03-26T23:55:00.001-03:00</published><updated>2011-03-26T23:55:56.858-03:00</updated><title type='text'>A beleza de se ler Pessoa e outros Pessoas</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TY6nJQ2pfOI/AAAAAAAAAJs/LuM-i6mR5DE/s1600-h/capa%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 10px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="capa" border="0" alt="capa" align="left" src="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TY6nKBHBBTI/AAAAAAAAAJw/Lo4KC73qTBM/capa_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="190" height="276" /&gt;&lt;/a&gt;Tem algo que eu preciso confessar a vocês: eu sempre fui um mau aluno. Não estou brincando, sempre fui medíocre. Os mais próximos dirão que meus boletins desmentem essa afirmação e o que eu estou querendo mesmo é confete.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não é. As boas notas de meu histórico escolar são frutos de uma farsa elaborada e praticada à exaustão desde a mais tenra idade. Nunca estudei, decorava ali três ou quatro conceitos básicos e o resto confiava à minha habilidade em escrever. Por isso não tenho vergonha nenhuma em dizer que nunca conheci a fundo a obra de Fernando Pessoa (nem a dele e nem de ninguém que não usasse quadros e balões de fala em suas obras). Nunca tive a disciplina necessária para aprender as características e sutilezas de um poeta que eram vários. Meus contatos com a obra de Pessoa se resumiam a encontros fortuitos: os clássicos versos do poeta fingidor na escola, as inserções nas músicas da Bethânia e um livro comprado num sebo, lido e relido até as páginas se soltarem.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A única vez que havia visto Pessoa em quadrinhos foi na surreal aventura &lt;strong&gt;O Poeta&lt;/strong&gt;, do Laerte. Um clássico dos Piratas do Tietê. Quem não viu ainda não perca tempo, está no volume 2 da recente coleção lançada pela &lt;a href="http://www.devir.com.br/hqs/piratas_v1.php"&gt;Devir&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas nessa semana cruzei com algo realmente inesperado: &lt;strong&gt;Fernando Pessoa e outros Pessoas&lt;/strong&gt;, do &lt;strong&gt;Guazzelli&lt;/strong&gt;, com roteiro do &lt;strong&gt;Davi Fazzolari&lt;/strong&gt; (&lt;a href="http://www.editorasaraiva.com.br/"&gt;Editora Saraiva&lt;/a&gt;, R$ 34,90).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não há como os autores se justificarem por essa adaptação. Eles podem alegar que só quiseram mostrar a cidade em que Pessoa viveu, que quiseram prestar uma homenagem, que são fãs de poesia ou que o contrato com a Saraiva era bom. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não vai adiantar. Outros Pessoas chega a ser ofensivo de tão bonito que é.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Guazzelli já havia nos dado um belo presente no ano passado com &lt;strong&gt;Demônios&lt;/strong&gt;, adaptação de um conto fantástico de Aluísio Azevedo, mas desta vez ele resolveu nos dar algo muito maior: um gibi feito de sonhos e poesia, mas sobretudo, um gibi feito de silêncios.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sua arte exuberante, aliada aos competentes recortes efetuados na poesia de Pessoa pelo Davi, é um convite à reflexão.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TY6nK347uyI/AAAAAAAAAJ0/MZHGAlz279o/s1600-h/fernando-pessoa-lisboa%5B2%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 0px 0px 8px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="fernando-pessoa-lisboa" border="0" alt="fernando-pessoa-lisboa" align="right" src="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TY6nMDhmtTI/AAAAAAAAAJ4/PimPM2fvPDg/fernando-pessoa-lisboa_thumb.jpg?imgmax=800" width="166" height="244" /&gt;&lt;/a&gt;Fernando Pessoa era um cara estranho. Cismou de criar outros caras dentro de si e os colocou a escrever. Gente de mentira que se tornou verdadeira através da poesia: &lt;strong&gt;Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro&lt;/strong&gt;. E a eles chamamos heterônimos. Não me peçam para explicar o por quê ele fez isso ou como cada um desses caras escrevia, não conseguiria.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sempre na companhia de Pessoa – ou de algum outro Pessoa – somos apresentados à Lisboa retratada em clássicos como Tabacaria e Livro do Desassossego. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E é por essa Lisboa desses poetas tão diferentes e ainda assim tão únicos num único Pessoa, que Guazzelli nos guia. Por suas ruas estreitas, pelos seus estabelecimentos, pela sua gente na janela olhando as pessoas que passam ou param… &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A poesia de Pessoa na adaptação de Guazzelli e Davi, tal qual ocorre na música de Maria Bethânia, assume outra forma, gera novos conceitos, nos convida a outros olhares e nos traz aquela solidão amarga de tardes de domigo. Uma saudade louca de um Portugal que não conhecemos mas que também é nosso.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não importa o quanto você conheça a obra do poeta português, Fernando Pessoa e outros Pessoas é algo novo, belo, que merece ser lido, seja com um cigarro aceso numa mesa de um Café ou sentado numa escadaria ao fim da tarde.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nunca perdoarei Guazzelli e Davi pelo que fizeram, pois revelaram que aquele farsante que tirava dez em Literatura, no fim das contas, enganou somente a si próprio.&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TY6nNrAYOFI/AAAAAAAAAJ8/1973Tyta3HQ/s1600-h/fernando_pessoa%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="fernando_pessoa" border="0" alt="fernando_pessoa" src="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TY6nOtSEq_I/AAAAAAAAAKA/24OeKAEmD38/fernando_pessoa_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="388" height="610" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-4318115734584647733?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/4318115734584647733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/03/beleza-de-se-ler-pessoa-e-outros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/4318115734584647733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/4318115734584647733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/03/beleza-de-se-ler-pessoa-e-outros.html' title='A beleza de se ler Pessoa e outros Pessoas'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TY6nKBHBBTI/AAAAAAAAAJw/Lo4KC73qTBM/s72-c/capa_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-4127831710459662724</id><published>2011-03-20T16:02:00.000-03:00</published><updated>2011-03-20T16:02:45.224-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias de um Gibizeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos Nacionais'/><title type='text'>Pequenos Prazeres</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Diversão que faz bem&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Existem sentimentos bons e ruins. E dentro deles coisas grandes e pequenas. Por exemplo: quando nasce um filho é, via de regra, um sentimento bom e dos grandes, quando morre alguém querido é uma coisa ruim – e bem grande também.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas vamos ficar só nas coisas boas. E bem pequenas…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TYZO1RNaxVI/AAAAAAAAAJA/JE1uTHzdWKg/s1600-h/boo%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 10px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="boo" border="0" alt="boo" align="left" src="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TYZO2EzHskI/AAAAAAAAAJE/JKis0frVLyI/boo_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="213" height="150" /&gt;&lt;/a&gt;O prazer de um gol no futebol de fim de semana, a diversão de um escorregão na grama molhada do parque, o riso solto quando um desconhecido resolve contar para todo mundo, em plena segunda de manhã naquele ônibis lotado, a desgraça que foi seu fim de semana ao lado da sogra…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Coisas divertidas, banais, mas que quando somadas definem se você tem ou não uma vida feliz.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E nesse nosso multiplural mundinho de nerds isso também acontece. Tem gente de todo tipo: quem só lê quadrinhos nas tiras de jornais, quem adora a Turma da Mônica e não suporta a idéia de que eles ficaram adolescentes e estão em preto e branco, o cara que acha que quadrinhos de super heróis de verdade só existiram até a década de 80, gente que acha que o cara que curte os heróis dos 80 é um velho retrógrado, tem quem só lê os europeus, tem quem prefira Tex, outros preferem o Ken Parker e há quem não goste de nenhum dos dois e se diverte mesmo com um bom gibi de zumbi.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas uma coisa acontece com todos nós, independente de suas preferências: o prazer inesperado de cruzar com uma boa história.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sabe aquele gibi que você viu na banca ou na comic shop, que nem faz muito sua cabeça mas você comprou só pra ver qual é que era? Dai você coloca na pilha de coisas pra ler e acaba se esquecendo dele?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E num belo dia, organizando sua coleção, aquele danado daquele gibi cai de algum lugar. Você olha para ele, tentando se lembrar quando e onde aquilo veio parar em suas mãos. Como todo bom colecionador, você pára de arrumar sua coleção para ler o gibi (isso acontece no mínimo 19 vezes num período de 04 horas).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E aí você cruza com uma baita história bacana, que te arranca um sorriso e faz você se lembrar porque ama esse negócio chamado gibi.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Acho que sou um cara de sorte, porque isso aconteceu comigo duas vezes nessa semana…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;1º Sorriso&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TYZO3Zk__sI/AAAAAAAAAJI/gc7K48Apb2Q/s1600-h/capa%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 0px 0px 8px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="capa" border="0" alt="capa" align="right" src="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TYZO4GwjtrI/AAAAAAAAAJM/kBbzTpz_e-w/capa_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="178" height="258" /&gt;&lt;/a&gt;A primeira surpresa foi realmente inesperada, pois veio de algo que definitivamente não teria comprado, simplesmente porque não teria visto na banca. Por indicação dos amigos &lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/?page_id=614" target="_blank"&gt;Marcelo Fontana e Lucas Pimenta&lt;/a&gt;, umas 03 semanas atrás, comprei um gibi da Disney – coisa que não fazia há muito tempo. No caso a edição nº 821 do Mickey (que nem é o meu preferido da turma).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um gibi de R$ 2,95 e que deve ter passado despercebido pela maior parte dos caras que lêem quadrinhos, mas que trazia em sua capa algo que chamaria a atenção de qualquer um: “Obra Prima: Disney encontra Salvador Dalí”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A história intitulada &lt;strong&gt;Mickey e a Viagem Surreal pelo Destino&lt;/strong&gt; conta o encontro do pintor surrealista Salvador Dalí com Walt Disney, que ocorreu realmente em 1945 e rendeu a animação &lt;strong&gt;Destino&lt;/strong&gt;, iniciada a partir daquele encontro mas só concluída em 2003. Só que nessa história, além de Disney e Dalí, temos também a participação de Mickey, Pateta e Donald.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Imaginem vocês o atrapalhado trio dentro de pinturas como “A Persistência da Memória” ou “A Tentação de Santo Antonio”. Mas só ao ler a história que você percebe a genialidade da idéia. Uma ótima viagem para quem curte os personagens Disney ou pra quem curte quadrinhos e arte em geral, além de ser uma excelente introdução ao fantástico mundo do pintor catalão, sobretudo para as crianças.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E isso executado com maestria pelo roteirista&lt;strong&gt; Roberto Gagnor &lt;/strong&gt;e o desenhista &lt;strong&gt;Giorgio Cavazzano&lt;/strong&gt;, ambos da Disney italiana. Aliás a arte merece um comentário à parte: toda feita em estilo retrô, cria o clima perfeito para uma história que se passa na década de 40.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E além da história, mais dez páginas de extras. Obra Prima? Não. Obra Prima é o Tio Patinhas de Carl Barks. Mas por R$ 2,95, meu irmão, não tem desculpa pra não adquirir uma história maravilhosa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TYZO60Z4wUI/AAAAAAAAAJQ/HEJl2FuyKOg/s1600-h/digitalizar0007%5B5%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="digitalizar0007" border="0" alt="digitalizar0007" src="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TYZO76bGJOI/AAAAAAAAAJU/yj_z9tp4IhY/digitalizar0007_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" width="394" height="370" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;2ª Surpresa (com direito a uma gargalhada daquelas)&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A outra surpresa veio de um lugar que eu sabia que tinha coisa boa, só não imaginava que cruzaria com uma história excepcional. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TYZO99PqnwI/AAAAAAAAAJY/Gh8E65MRNq4/s1600-h/Capas_A3__2_-_1%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 0px 0px 8px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="Capas_A3__2_-_1" border="0" alt="Capas_A3__2_-_1" align="right" src="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TYZO-qiF6dI/AAAAAAAAAJc/rJTJZMGWJz0/Capas_A3__2_-_1_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="233" height="189" /&gt;&lt;/a&gt;Editada com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de Uberlândia, a ótima &lt;a href="http://revistaa3.wordpress.com/" target="_blank"&gt;Revista A3&lt;/a&gt; chega ao seu segundo número. A publicação é a prova que alguma coisa está errada na política cultural da maior parte das cidades brasileiras, inclusive as grandes metrópoles.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O roteirista e jornalista &lt;strong&gt;Matheus Moura&lt;/strong&gt; reuniu um time de peso e trouxe ao público, por módicos R$ 3,50, ótimas histórias de terror,&amp;#160; ficção e aventura. São mais de 100 páginas de quadrinhos por edição, a cores e p&amp;amp;b. Fomento à produção de quadrinhos, com qualidade e preço acessível (mesmo) a qualquer um… Quero ver os caras que cobram 60 contos por um encardenado com material gringo fazerem melhor.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A má notícia? O projeto só previa dois números e o futuro da excelente publicação é incerto. Se não conseguir garfar nenhum outro edital, é provável que não volte a ser publicada, pelo menos não com o mesmo custo/benefício. O que seria uma pena.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas nesse segundo número, cruzei com a excelente &lt;strong&gt;O Exorcismo de Rosinha&lt;/strong&gt;, da série &lt;strong&gt;Máquina Fantasma&lt;/strong&gt;, criação de &lt;a href="http://maquinafantasma.wordpress.com/" target="_blank"&gt;Walter Pax&lt;/a&gt;, com roteiro de &lt;a href="http://jerridias.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Jerri Dias&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E desafio qualquer um a me provar que essa não é uma das melhores e mais divertidas histórias de terror publicada nos últimos dez anos. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Brasileiríssima, irreverente, cruel e – principalmente – bem contada.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TYZPBlzPkjI/AAAAAAAAAJg/XD2NXPc_k5g/s1600-h/Maquina%5B5%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 10px 1px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="Maquina" border="0" alt="Maquina" align="left" src="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TYZPCH33zhI/AAAAAAAAAJk/CNFWVoRPDqE/Maquina_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" width="209" height="316" /&gt;&lt;/a&gt;Uma surreal Kombi modelo anos 60, soltando fumaça preta e tossindo mais que fumante de 70 anos, cruza uma dessas estradas típicas do interior brasileiro, onde não tem nada de lado nenhum da pista e cujo único destino só pode ser o fim do mundo. Seu piloto é uma mistura de Keith Richards com Valdique Soriano e seu único passageiro um enorme dog alemão preto. Ou seria um pastor belga? Sei lá, sei que o bicho é grande.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sua missão? Tirar o demônio do corpo de uma gostosa, digo, de uma donzela numa dessas cidadezinhas esquecidas desse Brasilzão de meu Deus.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E para isso o estranho exorcista se utilizará de métodos, digamos, nada convencionais…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sem um único diálogo, se utilizando apenas de signos nos balões de fala, temos uma história que só pode ser comparada com um bom e velho rock and roll do Black Sabath.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O insólito exorcista de Máquina Fantasma podia dar uma carona em sua Kombi para o Necronauta* (que anda com seu necrodisco meio zoado) e ir tomar uma cachaça na casa do Zé do Caixão, do Prontuário 666**, pra comemorarem essa nova geração do terror nacional.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Excelente, além de ter me rendido a melhor gargalhada que dei com um gibi nos últimos tempos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Como disse no início, são em situações banais que vamos somando alguns dos melhores sentimentos que temos na vida.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;“Mickey e a Viagem Surreal pelo Destino” e “Maquina Fantasma” são exemplos desses pequenos prazeres que fazem nossa vida um pouquinho mais feliz.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E, ao menos pra mim, possuem o mesmo sabor de escorregar morro abaixo, na grama molhada, trepado num pedaço de fórmica…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;* Necronauta é um dos mais originais personagens brasileiros dos últimos tempos e uma criação de &lt;a href="http://evilking.net/" target="_blank"&gt;Danilo Beyruth&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;** Prontuário 666 é o nome do excelente álbum que conta os anos de cárcere de Zé do Caixão, do impressionante e versátil &lt;a href="http://www.samuelcasal.com/" target="_blank"&gt;Samuel Casal&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;            &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 12px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="QaQ2" border="0" alt="QaQ2" align="left" src="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TYZPCvbfAXI/AAAAAAAAAJo/C71crLyHZuo/QaQ2%5B6%5D.png?imgmax=800" width="77" height="77" /&gt;&lt;/a&gt;Essa resenha também está disponível no &lt;strong&gt;&lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/"&gt;Quadro a Quadro&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, novo site de notícias sobre quadrinhos. Não deixem de acessar.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-4127831710459662724?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/4127831710459662724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/03/pequenos-prazeres.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/4127831710459662724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/4127831710459662724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/03/pequenos-prazeres.html' title='Pequenos Prazeres'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TYZO2EzHskI/AAAAAAAAAJE/JKis0frVLyI/s72-c/boo_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-314964587826992358</id><published>2011-03-13T22:10:00.001-03:00</published><updated>2011-03-13T22:10:44.487-03:00</updated><title type='text'>Mondo Urbano e o Complexo de Vira-latas</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;em&gt;Eu vos digo: o problema do escrete não é mais de futebol, nem de técnica, nem de tática. Absolutamente. É um problema de fé em si mesmo. O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-latas e que tem futebol para dar e vender, lá na Suécia. Uma vez que se convença disso, ponham-no para correr em campo e ele precisará de dez para segurar, como o chinês da anedota. Insisto: para o escrete, ser ou não ser vira-latas, eis a questão. &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;Nelson Rodigues – 31/05/1958.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TX1q_lPh38I/AAAAAAAAAIo/vOv6WR7uCGQ/s1600-h/mondourbanocapa%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 0px 0px 10px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="mondourbanocapa" border="0" alt="mondourbanocapa" align="right" src="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TX1rAqXgrPI/AAAAAAAAAIs/EKOG-S8s378/mondourbanocapa_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="185" height="279" /&gt;&lt;/a&gt;Concordo. Não é usual começar uma crônica sobre quadrinhos com uma crônica sobre futebol. Ainda mais citando um gênio como Nelson Rodrigues, mas é nisso que dá quando um ator se mete a besta em escrever sobre quadrinhos.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Acabei de ler &lt;a href="http://www.mondourbano.com/" target="_blank"&gt;Mondo Urbano&lt;/a&gt;, do trio gaúcho &lt;strong&gt;Rafael Albuquerque, Eduardo Medeiros e Mateus Santolouco&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Já sei, estou atrasado…&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Na verdade, bastante atrasado.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Mondo Urbano vem sendo publicada no circuito independente desde 2008. Primeiro nas edições Power Trio, Overdose, Cabaret e Encore, e recentemente compiladas numa única edição pela Devir, após terem sido publicadas lá nos States…&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Explicação razoável, afinal os autores possuem uma carreira já muito bem iniciada na terra dos super heróis. Mas ou a conta não fecha ou eu sou um asno da matemática. Ou nenhuma das duas coisas e o asno é outro…&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;O fantasma de Nelson Rodigues já começa a me puxar pelo pé e eu sou obrigado a mandar ele esperar mais um pouco, porque agora eu vou falar do gibi.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TX1rB_0bsGI/AAAAAAAAAIw/kXCuYf49JzA/s1600-h/Cabaret_Cover_by_rafaelalbuquerqueart%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 10px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="Cabaret_Cover_by_rafaelalbuquerqueart" border="0" alt="Cabaret_Cover_by_rafaelalbuquerqueart" align="left" src="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TX1rC7P4S4I/AAAAAAAAAI0/T4ZnF8fFkJQ/Cabaret_Cover_by_rafaelalbuquerqueart_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="139" height="213" /&gt;&lt;/a&gt;Mondo Urbano é formidável. Um gibi inteligente, bem humorado, com uma arte pra lá de atraente e um roteiro engraçadíssimo, onde cada parte da história possui qualidade suficiente para se manter fechada em si só, mas que ao mesmo tempo amarra-se a outro capítulo, muitas vezes nos obrigando a voltar a leitura umas dezenas de páginas antes. Ou seja, a saga criada pelo trio é uma aventura de se ler.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;A história conta a ascenção e derrocada de Van Hudson, um roqueiro que toca como o diabo, e de caras comuns que, de uma forma ou de outra, estão ligados à banda liderada pelo endiabrado vocalista.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;E tudo gira em torno da amaldiçoada guitarra do roqueiro e de um suposto pacto com o demônio. Você já ouviu a história: venda sua alma e em troca toque como ninguém tocou em toda a criação. Daí o cara some durante um tempo e volta tocando de um jeito sensacional, faz um sucesso estrondoso e depois aparece assassinado em alguma banheira suja de um hotel barato qualquer.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;É a mesma abordagem do ótimo filme “A Encruzilhada”, de 1986, com o Ralph Macchio, o eterno Karatê Kid. Que por sua vez foi inspirado nos macabros boatos que rondam a vida e morte de Robert Johnson (1911 – 1938), um dos maiores bluesman da história.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TX1rDvxhOQI/AAAAAAAAAI4/ovJdOtZtnh8/s1600-h/teaser_hq_web%5B8%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 12px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="teaser_hq_web" border="0" alt="teaser_hq_web" align="left" src="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TX1rEmcxZHI/AAAAAAAAAI8/duUwaLuZc0Y/teaser_hq_web_thumb%5B5%5D.jpg?imgmax=800" width="167" height="739" /&gt;&lt;/a&gt;E o que sai disso é um gibi realmente original, que mistura estilos no traço e no roteiro, caminhando com bastante desenvoltura entre diversos gêneros dos quadrinhos, do terror ao policial investigativo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Ou seja, uma ótima diversão como todos os ingredientes necessários para se tornar um sucesso de crítica e público.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;E finalmente o fantasma de Nelson Rodrigues solta sua gargalhada: porque um gibi tão bom passou dois anos no circuito independente sem que nenhuma grande editora o publicasse? Porque uma editora norte americana enxergou o que nenhum editor percebeu em mais de 30 meses? E porque a publicação agora, depois de tantas críticas elogiosas a edição gringa?&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Foi necessário que um nome como Stephen King, com quem Albuquerque trabalha na série American Vampire, da Vertigo, elogiasse a obra para que ela adquirisse valor suficiente para ser publicada comercialmente no país de seus criadores?&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Nelson Rodrigues cunhou a expressão “complexo de vira-latas” e a definiu da seguinte maneira: &lt;em&gt;(…) a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores (…)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;A crônica, publicada originalmente na revista Manchete Esportiva em maio de 58, traçava um paralelo entre a derrota da Seleção Brasileira na final da Copa de 50, em pleno Maracanã, com a insistente mania do brasileiro da época em não acreditar no talento de sua própria seleção. E ia mais longe: acreditava que o brasileiro se envergonhava de seu próprio talento e insistia num auto boicote.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Hoje, cinco vezes campeão mundial, criador de alguns dos maiores gênios que já desfilaram pelos gramados e orgulhoso de possuir em seu currículo um atleta que dificilmente será superado nos próximos séculos, nosso futebol superou sua vira-lata autodepreciação.&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;Nossos quadrinhos – e principalmente nossos editores – ainda não. &lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;E o excelente gibi Mondo Urbano é a prova mais bem acabada disso.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-314964587826992358?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/314964587826992358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/03/mondo-urbano-e-o-complexo-de-vira-latas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/314964587826992358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/314964587826992358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/03/mondo-urbano-e-o-complexo-de-vira-latas.html' title='Mondo Urbano e o Complexo de Vira-latas'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TX1rAqXgrPI/AAAAAAAAAIs/EKOG-S8s378/s72-c/mondourbanocapa_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-5095884958861133329</id><published>2011-03-09T23:00:00.001-03:00</published><updated>2011-03-09T23:00:57.707-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Wellington Srbek'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Solar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos Nacionais'/><title type='text'>Herói Nacional Sim Senhor!</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href="http://maisquadrinhos.blogspot.com/"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TXgwzUfuJSI/AAAAAAAAAIY/aDD-oe_OnbI/s1600-h/Solar01%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 10px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="Solar01" border="0" alt="Solar01" align="left" src="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TXgw0YsuSKI/AAAAAAAAAIc/6odcNhYtuNQ/Solar01_thumb.jpg?imgmax=800" width="195" height="244" /&gt;&lt;/a&gt;Wellington Srbek&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; comemora em 2011 seus 25 anos de carreira. Não, você não entendeu errado, o jovem roteirista mineiro está comemorando 1/4 de século envolvido com gibis.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nem todos esses anos ele esteve no mercado profissional. Seus 25 anos contam a partir da confecção de sua &lt;a href="http://maisquadrinhos.blogspot.com/2011/02/25-anos-de-quadrinhos.html"&gt;&lt;strong&gt;1ª história&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, ainda guri.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas no final das contas, é exatamente a partir dali que o tempo deve contar. Ninguém se faz roteirista de quadrinhos da noite para o dia. O processo é muito maior do que uma simples decisão profissional.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;É um processo que envolve paixão, erros, acertos, decepções e uma carga muito grande (mas muito grande mesmo) de trabalho – em quadrinhos ou não.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;De sua 1ª história para sua estréia profissional passaram-se 10 anos. E sua estréia, como a da grande maioria dos roteiristas brasileiros, aconteceu no circuito independente.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em março de 1996 era publicada a revista &lt;strong&gt;Solar&lt;/strong&gt;. O personagem título tinha cheiro, cor e forma de super herói. Mas já naquela época Srbek mostrava seu talento narrativo. Misturando de forma consistente folclore, mitologia e ação, Solar possui uma qualidade ímpar para uma revista de estréia, fugindo dos estereótipos tão comuns ao gênero, e abriu caminho para o jovem mineiro que queria escrever quadrinhos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Reformulado em 2009, o personagem – nas mãos de um já tarimbado roteirista, autor de Estórias Gerais, um dos clássicos de nossos quadrinhos em parceria com o Mestre Colin – Solar ganhou uma nova origem, numa série composta de 03 volumes (o último ainda inédito).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Inexplicavelmente, mesmo após Srbek ter colecionado uma série de prêmios e o respeito de toda a classe, nenhuma editora se interessou em publicar esse instigante super herói nacional, com poderes xamanísticos e origem mitológica.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Para a nossa sorte, Srbek está comemorando seus 25 anos nos &lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TXgw1J3XmFI/AAAAAAAAAIg/zVm_49cZfD8/s1600-h/Solar_Renascimento%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 6px 0px 0px 10px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="Solar_Renascimento" border="0" alt="Solar_Renascimento" align="right" src="http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TXgw2Di298I/AAAAAAAAAIk/weWCgjFT1o4/Solar_Renascimento_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" width="163" height="229" /&gt;&lt;/a&gt;quadrinhos e 15 de carreira profissional disponibilizando gratuitamente em pdf a versão original de Solar.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;É uma ótima oportunidade para quem ainda não conhece o personagem ou só conhece sua nova versão.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E para os apaixonados por quadrinhos, é a chance de conferir o início de carreira de um dos mais talentosos roteiristas da atualidade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Para baixar a versão em pdf: &lt;a href="http://www.maisquadrinhos.com.br/extras/hqs_virtuais/solar.pdf"&gt;&lt;strong&gt;http://www.maisquadrinhos.com.br/extras/hqs_virtuais/solar.pdf&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Para saber mais sobre SOLAR: &lt;a href="http://maisquadrinhos.blogspot.com/search/label/Solar"&gt;&lt;strong&gt;http://maisquadrinhos.blogspot.com/search/label/Solar&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Para conhecer a obra de Srbek, baixar outras revistas digitais ou comprar as edições de Solar:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://maisquadrinhos.blogspot.com/"&gt;&lt;strong&gt;http://maisquadrinhos.blogspot.com&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://www.maisquadrinhos.com.br/"&gt;&lt;strong&gt;http://www.maisquadrinhos.com.br/&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://wellingtonsrbek.blogspot.com/"&gt;&lt;strong&gt;http://wellingtonsrbek.blogspot.com/&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-5095884958861133329?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/5095884958861133329/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/03/heroi-nacional-sim-senhor.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/5095884958861133329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/5095884958861133329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/03/heroi-nacional-sim-senhor.html' title='Herói Nacional Sim Senhor!'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TXgw0YsuSKI/AAAAAAAAAIc/6odcNhYtuNQ/s72-c/Solar01_thumb.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-6822792143286490016</id><published>2011-02-26T20:55:00.001-03:00</published><updated>2011-02-26T20:56:46.227-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rafael Sica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Underground Brasileiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos Nacionais'/><title type='text'>Ordinárias Cenas da Vida</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TWmSzXiywnI/AAAAAAAAAH0/LO0Qn-Fu-X8/s1600-h/ordinario%5B5%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 10px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="ordinario" border="0" alt="ordinario" align="left" src="http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TWmSz60ytRI/AAAAAAAAAH4/2mubZy9VNd4/ordinario_thumb%5B3%5D.jpg?imgmax=800" width="167" height="265" /&gt;&lt;/a&gt;Viver numa metrópole é apavorante. Gente demais, trânsito demais, violência demais. E se você morar em uma metrópole como São Paulo, some-se a isso descaso e indiferença.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas São Paulo – ou qualquer outra cidade grande – possui um universo próprio. Trágico e desolador, mas também belo e poético. Esse universo passa despercebido à maioria das pessoas, mais preocupadas em entrar no metrô, em pegar o ônibus, em arrumar um emprego ou em pagar as contas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas ele está lá. Basta olhar pro lado certo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E poucas pessoas conseguem olhar para o lado certo. Machado de Assis soube em sua época, Nelson Rodrigues entendeu como poucos como a sociedade carioca funcionava e expôs todas as suas chagas. Em São Paulo, Plínio Marcos retratou a desgraça paulistana com uma precisão impressionante. Dalton Trevisan não fica atrás.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Aparentemente, para se enxergar esse universo obscuro é necessário ter uma boa dose de lucidez sem deixar de ter a medida exata da loucura.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E &lt;a href="http://rafaelsica.zip.net"&gt;Rafael Sica&lt;/a&gt; é um desses caras. Ele olha para o lado certo da sociedade. E o que é melhor: resolveu partilhar isso conosco, que não enxergamos um palmo a frente do nariz.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TWmS0gPa30I/AAAAAAAAAH8/EIDy6Y27mLY/s1600-h/tira01%5B1%5D.png"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="tira01" border="0" alt="tira01" src="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TWmS1SwLkHI/AAAAAAAAAIA/BHMIHrVNNvY/tira01_thumb%5B1%5D.png?imgmax=800" width="386" height="125" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Ordinário&lt;/strong&gt; é uma coletânea de tiras de mesmo nome que o autor mantém em seu site e que agora é publicado pela &lt;a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"&gt;Quadrinhos na Cia&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Se você gosta daqueles quadrinhos rasteiros com os caras de capa, onde invariavelmente alguém troca sopapos com outro alguém e no processo detonam metade de Nova York, pare de ler essa resenha e se afaste de qualquer livraria com o gibi do Sica.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas se você gosta de quadrinhos e não só das gostosas de colant que aparecem por lá, compre imediatamente o gibi. Ou então vá ao site de Sica.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas já alerto: Ordinário não é um gibi fácil.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas é um gibi raro.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TWmS1-kH_gI/AAAAAAAAAIE/m_Z5oi-beb4/s1600-h/tira02%5B2%5D.png"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="tira02" border="0" alt="tira02" src="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TWmS2fo-jvI/AAAAAAAAAII/oqq6M2Io-XU/tira02_thumb%5B2%5D.png?imgmax=800" width="390" height="131" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Alguns dizem que Sica é um gênio, outros não chegam nem perto do que ele produz, outro tanto simplesmente confessa que não entende o que ele faz.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Talvez todos estejam certos, talvez não, mas a verdade é que Ordinário é um gibi perturbador. A visão de Sica sobre o ser humano mostra o que temos de melhor, mostrando o que temos de pior.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ambíguo, desolador, assustadoramente real, Ordinário retrata cenas que poderiam ocorrer aqui em Itaquera, na periferia, ou lá no Centro Velho, em plena Praça da Sé. Do bêbado solitário a família falsamente feliz, do menino cruel ao velho babão, nada escapa ao olhar atento e ácido de Sica.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Seu modo de enxergar o mundo e a forma como resolveu partilhar essa visão impressionam pela crueza e inteligência. Nesse universo agora escancarado, a vida parece um beco sem saída, onde um copo ou um cigarro parecem ser a solução óbvia.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No mundo de Ordinário a esperança é a última que morre, mas morre. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E ninguém comparece no velório…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Desgraças à parte, o lançamento da Quadrinhos na Cia só corrobora o talento de um artista único, incomum, que em menos de uma década já encontrou seu estilo e tem pela frente toda uma carreira de erros e acertos mas que, sem dúvida alguma, será uma carreira singular, que atrairá uma legião de fãs, será tema de trabalhos acadêmicos e influenciará muita gente.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Viver numa grande cidade não é tarefa fácil. Ao escancarar sua janela, Sica e seu Ordinário acabaram de deixar essa tarefa um pouco mais difícil. Deliciosamente mais difícil…&lt;/p&gt;          &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TWmS222Bo2I/AAAAAAAAAIM/AIUoG4cA-es/s1600-h/tira03%5B1%5D.png"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="tira03" border="0" alt="tira03" src="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TWmS3goIkfI/AAAAAAAAAIQ/KgjfXxt47xU/tira03_thumb%5B1%5D.png?imgmax=800" width="375" height="120" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font color="#004000"&gt;&lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="QaQ2" border="0" alt="QaQ2" align="right" src="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TWmS4PUfxjI/AAAAAAAAAIU/VFTjEc1WDUk/QaQ2%5B5%5D.png?imgmax=800" width="75" height="75" /&gt;&lt;/a&gt;Essa resenha também está disponível no &lt;strong&gt;&lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/"&gt;Quadro a Quadro&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, novo site de notícias sobre quadrinhos. Não deixem de acessar.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-6822792143286490016?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/6822792143286490016/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/02/ordinarias-cenas-da-vida.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/6822792143286490016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/6822792143286490016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/02/ordinarias-cenas-da-vida.html' title='Ordinárias Cenas da Vida'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TWmSz60ytRI/AAAAAAAAAH4/2mubZy9VNd4/s72-c/ordinario_thumb%5B3%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-1250003044454004373</id><published>2011-02-19T19:42:00.000-02:00</published><updated>2011-02-21T22:20:02.440-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paul Jenkins'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Humberto Ramos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos'/><title type='text'>Revelações?</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TWA57GnDoXI/AAAAAAAAAHc/iYW7CSj9xS8/s1600-h/revela%C3%A7%C3%B5es1%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 0px 1px 8px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="revelações1" border="0" alt="revelações1" align="right" src="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TWA599dOxCI/AAAAAAAAAHg/ivPTph728xI/revela%C3%A7%C3%B5es1_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="185" height="267" /&gt;&lt;/a&gt;Por sugestão do amigo &lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br"&gt;Lucas Pimenta&lt;/a&gt;, comprei o gibi &lt;strong&gt;Revelações&lt;/strong&gt;, de &lt;strong&gt;Paul Jenkins&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Humberto Ramos&lt;/strong&gt; (2008 - Devir Livraria - R$ 42,00).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Antes que eu seja ameaçado de morte gostaria de dizer que o gibi é muito bom. Bem acima da média e – mesmo com um preço tão salgado – vale a pena o investimento.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Dito isto, vamos a história.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O Cardeal Richleau, primeiro na linha de sucessão papal, aparentemente se joga de sua janela e acaba empalado nas grades do páteo andares abaixo. Um escândalo sem precedentes no Vaticano. Um de seus amigos – o também cardeal Marcel Leclair – resolve descobrir a verdade e viaja até Londres para cooptar um velho amigo, o detetive Charlie Northern.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Charlie outrora teve muita fé. Infelizmente seu relacionamento com Deus acabou no exato momento em que seus pais foram trucidados por um esquizofrênico.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Chegando ao Vaticano nosso cético herói descobrirá que o aparente suicídio pode ser bem mais do que querem fazê-lo crer. Depoimentos desencontrados, evidências desaparecidas, a cena do crime alterada e uma grande pedra em seu sapato: o misterioso e dissimulado Cardeal Toscianni.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Como pano de fundo, um papa moribundo à frente de um Vaticano envolvido em acusações de corrupção.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sem dúvida alguma ingredientes suficientes para uma boa história, ainda mais nas mãos do competente Paul Jenkins e do genial desenhista mexicano Humberto Ramos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O problema é que Revelações não revela absolutamente nada de novo. Tinha tudo para ser um gibi memorável, mas não decola.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TWA5_x_HqQI/AAAAAAAAAHk/9DrUOBCuLgE/s1600-h/revela%C3%A7%C3%B5es2%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 10px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="revelações2" border="0" alt="revelações2" align="left" src="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TWA6ApP3_II/AAAAAAAAAHo/BSJ8plcPR50/revela%C3%A7%C3%B5es2_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" width="195" height="281" /&gt;&lt;/a&gt;A culpa definitivamente não é dos autores. Jenkis amarrou bem sua história, com elementos de suspense que vão pouco a pouco sendo revelados. Suas personagens são interessantes e a tensão psicológica criada entre o detetive Northern e o Cardeal Toscianni é o ponto alto do gibi.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas a intencionalidade em se criar uma trama complexa cobrou seu preço. E ele não foi barato, mesmo sendo Jenkins um roteirista acima da média.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A relação entre o falecido Cardeal Richleau e o detetive Northern não é totalmente esclarecida e esse ponto, alardeado no começo da história com uma precisão narrativa incrível, incomoda pela falta de explicações.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A seita milenar a qual o Cardeal Toscianni pertence – e que tem papel prepoderante na trama – não diz a que veio e a impressão que fica é que foi colocada na história apenas como uma pista falsa. Pela importância narrativa que tem, uma pista falsa é muito pouco.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Outro exagero é a gratuidade do escândalo financeiro envolvendo o Vaticano. Nada traz de útil à história e seria facilmente dispensável.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O final quase conserta os erros. Digo quase porque perdeu-se tempo demais em um sem número de pontas soltas e amarrá-las todas em um único capítulo – num gibi que possui outros cinco – pareceu-me apressado demais.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ainda assim, Reveleções é um gibi muito melhor do que a maioria das coisas que vem sendo publicadas no mercado norte americano. Vale os quarenta contos que cobra? Vale, sem dúvida. Ainda mais porque a história – repito – é bem amarrada e equilibra bons momentos de ação com tensão psicológica.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E tem a majestosa arte de Humberto Ramos, o que, por si só, já vale cada real. Se for numa promoção então, não pense duas vezes.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TWA6CuOafnI/AAAAAAAAAHs/IgZlgnFgkBk/s1600-h/revela%C3%A7%C3%B5es4%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="capa_REVELATIONS.qxd" border="0" alt="capa_REVELATIONS.qxd" src="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TWA6FmitZqI/AAAAAAAAAHw/wIerc1VMwTM/revela%C3%A7%C3%B5es4_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" width="389" height="284" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-1250003044454004373?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/1250003044454004373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/02/revelacoes.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/1250003044454004373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/1250003044454004373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/02/revelacoes.html' title='Revelações?'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TWA599dOxCI/AAAAAAAAAHg/ivPTph728xI/s72-c/revela%C3%A7%C3%B5es1_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-1970735694539313998</id><published>2011-02-13T12:32:00.001-02:00</published><updated>2011-02-13T12:41:00.960-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='faroeste'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos Europeus'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tex'/><title type='text'>Tex e o tempo em que brincávamos de cowboy</title><content type='html'>&lt;p&gt;Em parceria com o &lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/" target="_blank"&gt;Quadro a Quadro&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TVfrTYC59NI/AAAAAAAAAG0/nW-dJkdepME/s1600-h/Logo4.png"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="Logo" border="0" alt="Logo" src="http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TVfrUE-PkOI/AAAAAAAAAG4/TpJVUQIhOFM/Logo_thumb2.png?imgmax=800" width="364" height="182" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;As primeiras lembranças que tenho remontam aos meus cinco ou seis anos. Ainda não sabia ler, mas faltava pouco pra isso.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Forrando uma caixa de sapatos velha um monte de quadrinhos cortados e colados grosseiramente, naquela habilidade típica de criança. Dentro, uma porção de gibis do Pato Donald comprados na barraca de usados da feira de sábado.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Isso pode parecer estranho hoje, mas na década de 70 as feiras livres possuíam barracas cheias de gibis e revistas usadas. Meu pai era um cliente habitual. Na verdade, meu pai era um viciado em quadrinhos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E foi ele quem me apresentou aos gibis. Primeiro Disney e Maurício de Souza (bastante apropriados para crianças de cinco anos). Dois anos mais tarde me presenteou com Capitão América nº 07, da Abril. Ele não fazia idéia da besteira que estava fazendo e como aquilo definiria minha vida a partir dali.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas nesse meio tempo aprendi a ler, basicamente graças aos gibis e a enorme paciência de minha mãe. E também conheci três caras bem bacanas, cuja importância nos quadrinhos só fui compreender totalmente décadas depois: Fantasma, Mandrake e um cowboy durão chamado Tex.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TVfrVT3f90I/AAAAAAAAAHA/458i-WpsSdA/s1600-h/TEX223.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 9px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="TEX22" border="0" alt="TEX22" align="left" src="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TVfrVxxzkYI/AAAAAAAAAHE/4qjFLFhH02E/TEX22_thumb1.jpg?imgmax=800" width="158" height="235" /&gt;&lt;/a&gt;E foi esse último que se tornou meu preferido. Meu pai era um fã do ranger desde criança, ainda nos tempos em que o herói era chamado de Texas Kid. Das antigas revistas Junior da infância do meu pai não vi nem sombra, mas me lembro muito bem dos gibis da Vecchi lá em casa. Eu ficava horas olhando aquelas desoladas paisagens, aquelas carroças e carruagens, os índios em seus cavalos e, claro, o nosso herói.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E era ele que me inspirava nas brincadeiras de bandido e mocinho com meus primos e amigos. Naquele tempo vendiam-se armas de plástico em qualquer loja de brinquedos. Era um mundo muito diferente. E brincávamos armados: o xerife, os “cruéis” indíos navajos e as pobres donzelas (tadinha da minha irmã).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E eu era o inabalável, justo e corajoso Tex Willer. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A verdade é que mesmo com uma recém adquirida (e ainda deficitária) capacidade de juntar aquelas incompreensíveis letras dentro dos balões, os gibis de Tex conseguiam fazer um pequeno frangote como eu – que nem sabia somar ainda – entender valores extremamente complexos como amizade, honra e abnegação.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Meu pai faleceu em 1994, às vésperas de completar 50 anos, em virtude de um outro vício, que degradou seu corpo e mente. Em sua herança havia uma porção de más lembranças, um relógio lindo mas quebrado, um par de abotoadeiras poucas vezes usada, uma câmera Olympus com o obturador rachado e nenhum gibi.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas não precisava. De todas as coisas possíveis que um filho pode herdar de seu pai eu fiquei com a melhor: a inexplicável e maravilhosa paixão pelos gibis.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Talvez por isso estivesse tão nervoso quando me sentei à mesa na Fest Comix no ano passado. Do outro lado, o italiano Fabio Civitelli – um gênio do traço e sem dúvida alguma um dos maiores desenhistas de Tex em todos os tempos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O simpático desenhista ficou comovido quando soube que meu pai, que tinha me apresentado Tex, havia falecido e que era aquele o motivo pelo qual eu estava ali naquela tarde: para pegar – em sua homenagem – um autógrafo na edição Tex Especial Civitelli.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TVfrXFUNzfI/AAAAAAAAAHI/2udHO1SjtyQ/s1600-h/Lillo-e-Fabio-Civitelli4.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="Lillo-e-Fabio-Civitelli" border="0" alt="Lillo-e-Fabio-Civitelli" src="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TVfrX0uGzmI/AAAAAAAAAHM/S5rgBX2BLOM/Lillo-e-Fabio-Civitelli_thumb1.jpg?imgmax=800" width="379" height="285" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sai dali exultante e emocionado. Mas havia um problema – e dos graves: não consegui abrir o gibi pra ler.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sim, os fãs de Tex podem me achar um ser louco e repugnante. Em minha defesa posso dizer apenas que não sou repugnante. As acusações de loucura serei obrigado a acatar. Mas havia lembranças demais envolvidas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nessa semana, organizando os gibis, peguei na mão a edição especial. Vi o autógrafo e resolvi que era a hora.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Li a história Presságio, um catatau de mais de 300 páginas, numa única tacada. Na época do lançamento, o gibi foi alardeado como uma das melhores histórias de Tex e a preferida do renomado desenhista. Nenhum elogio – absolutamente nenhum – foi exagerado.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Presságio é uma remake de uma antiga aventura do herói chamada Sinistros Presságios (publicada originalmente na Itália em 1965) e gira em torno de uma história de vingança de um velho feiticeiro contra Tex, líder da nação navajo e respeitado por todos. O peão de manobra do feiticeiro é um índio navajo chamado Urso Veloz.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Tex, ao longo das últimas seis décadas, como todos os personagens de quadrinhos com tal longevidade, foi amadurecendo, suas histórias se tornando cada vez mais elaboradas, com construções narrativas que pouco lembram as primeiras publicações, ainda no formato de tiras.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Prova disso é a magnífica série que vem sendo publicada atualmente no Brasil nas edições Tex Gigante, onde nosso herói se embrenha por lugares inóspitos à sua cultura, em histórias estupendas nos mais remotos lugares.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas Presságio tem algo a mais. Algo que foge ao controle de seus criadores. É aquele tipo de história que define um personagem.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A trama – aparentemente simples – vai sendo recheada de outros elementos à medida em que a lemos. O que era apenas uma história de vingança assume ares de conspiração com a entrada em cena de um oficial do exército corrupto e ganancioso.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;As personagens – mesmo as secundárias – possuem credibilidade e – algo raro nos quadrinhos e que deve ser comemorado – profundidade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Aspectos da massacrada cultura indígena norte americana são muito bem aproveitados na trama. Não é um livro de história ou folclore, obviamente, mas o pouco que é mostrado nesse sentido é feito com extrema naturalidade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Até um inesperado interesse romântico nos é ofertado.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E tudo isso dentro de um roteiro maduro, adulto. E com a arte soberba de Civitelli.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas não é apenas o roteiro bem estruturado ou a arte deslumbrante. Presságio traz muito mais que isso.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A história – cujo roteiro é também de Civitelli, em parceria com Claudio Nizzi – nos mostra algo muito maior do que um gibi de faroeste.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Presságio é uma história sobre honra. Um história que nos conta como um verdadeiro homem deve se portar ante às adversidades. Uma história de amor: de um filho e seu pai, amor entre amigos e até entre povos diferentes.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas sobretudo, Presságio nos traz uma história de dimensões humanas reais, coisa rara nos quadrinhos em geral, mas já conhecida dos leitores italianos e da enorme comunidade de fãs espalhada mundo afora.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Terminei de ler o gibi com um nó na garganta. Fui até a &lt;a href="http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TVfrYaGGBsI/AAAAAAAAAHQ/YJnPJk0ViN0/s1600-h/TexEspecial1Civi3.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 0px 0px 8px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="TexEspecial1Civi" border="0" alt="TexEspecial1Civi" align="right" src="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TVfrY8otjbI/AAAAAAAAAHU/2Fh0sVEpKUk/TexEspecial1Civi_thumb1.jpg?imgmax=800" width="210" height="274" /&gt;&lt;/a&gt;cozinha, tomei um café e acendi um cigarro.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E me lembrei de meu pai sentado no quintal de cimento cru, lendo um Tex comprado na feira, enquanto eu brincava de cowboy, armado de um colt de tiros de espoleta e montado no Carimbó – o enorme viralata que tínhamos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sem dúvida alguma, Presságio um dia será apresentada também ao meu filho…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font color="#005b00" face="Comic Sans MS"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font color="#005b00" face="Comic Sans MS"&gt;&lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="QaQ2" border="0" alt="QaQ2" align="right" src="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TVftexUBNiI/AAAAAAAAAHY/K9ogTvOMPug/QaQ2%5B5%5D.png?imgmax=800" width="70" height="70" /&gt;&lt;/a&gt;Essa resenha também está disponível no&lt;font color="#8a4500"&gt; &lt;strong&gt;&lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/" target="_blank"&gt;Quadro a Quadro&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;, novo site de notícias sobre quadrinhos. Não deixem de acessar.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-1970735694539313998?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/1970735694539313998/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/02/tex-e-o-tempo-em-que-brincavamos-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/1970735694539313998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/1970735694539313998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/02/tex-e-o-tempo-em-que-brincavamos-de.html' title='Tex e o tempo em que brincávamos de cowboy'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TVfrUE-PkOI/AAAAAAAAAG4/TpJVUQIhOFM/s72-c/Logo_thumb2.png?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-404298852872733571</id><published>2011-02-05T17:00:00.001-02:00</published><updated>2011-02-07T22:21:56.781-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias de um Gibizeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Terror'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos Nacionais'/><title type='text'>No tempo em que as trevas dominavam as bancas…</title><content type='html'>&lt;p&gt;Em parceria com o &lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/" target="_blank"&gt;Quadro a Quadro&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TU2eGgOCHAI/AAAAAAAAAF8/OXAKc0ME1TU/s1600-h/Mv_Terror%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 11px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="Mv_Terror" border="0" alt="Mv_Terror" align="left" src="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TU2eHRafnZI/AAAAAAAAAGA/KUljz1uQ0UI/Mv_Terror_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="175" height="267" /&gt;&lt;/a&gt;Fui surpreendido pouco tempo atrás com um lançamento nas bancas de jornais no mínimo inusitado: &lt;strong&gt;Marvel Terror&lt;/strong&gt;, volume 01.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Comprei. Não é sempre que temos lançamentos do gênero nas bancas. Não precisei mais do que uma folheada…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas não satisfeito li, já sabendo o que ia encontrar. E não me decepcionei. Ou melhor, não me decepcionei na já esperada decepção daquela primeira folheada.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O que vi foram monstros anabolizados, muito mais próximos da linguagem dos games do que da monumental tradição americana em quadrinhos de terror. Esse Marvel Terror sequer faz juz à tradição da própria Marvel, que na década de 70 lançou seu inesquecível &lt;strong&gt;Tomb of Dracula&lt;/strong&gt;, no Brasil publicado pela Block Editores (no seu selo Capitão Mistério) e pela Abril numa curta série.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Uma história pretensiosa demais mas que saciará a sede de sangue de nossos adolescentes, acostumados a monstros alterofilistas e vampiros bonitinhos. Mas que passará ao largo para aqueles que, como eu, já possuem mais de 35 anos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E a razão é simples: somos de uma época em que quadrinhos de terror davam medo de verdade e as bancas de jornais eram um lugar escuro… e perigoso.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Se você não quiser saber segredos sórdidos de seus pais e tios pare a leitura agora. Essa matéria contém spoilers sobre a vida da molecada dos anos 70.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Tudo começou com o meu pai. Não, não estou falando daquela noite em que ele e minha mãe… &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Estou falando de alguns anos depois daquela noite, mais especificamente das noites de sexta feira. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Enquanto minha mãe dormia, eu fingia dormir. Por volta das onze da noite meu pai chegava sorrateiro até a minha cama e dizia em um tom quase inaldível:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Vem, vai começar.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TU2eIPp79pI/AAAAAAAAAGE/B2o83bAcJL4/s1600-h/O_MONS%7E1%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="O_MONS~1" border="0" alt="O_MONS~1" align="right" src="http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TU2eI2oONnI/AAAAAAAAAGI/pS5laF7vqo8/O_MONS%7E1_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="139" height="166" /&gt;&lt;/a&gt;E íamos os dois assistir às saudosas Sessões da Meia Noite. Quase todo canal de TV aberta reservava esse dia e horário para filmes de horror e mistério e era assim que chamávamos tais sessões. Produções baratas, sangue de catchup, histórias insanas e muita mulher seminua. Os filmes de terror das décadas de 70 e início dos 80 eram adoráveis.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Claro que fiquei viciado. Eu e todos os meus amigos de escola. Discutíamos os filmes, comentávamos sobre aquela gostosa que mostrou uma banda do seio enquanto saia do chuveiro, pouco antes de ser morta por um demoníaco monstro deformado, e mais um monte de absurdos que achávamos o máximo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não havia MSN, Orkut ou Facebook. As discussões se davam no sábado, nas brincadeiras de rua, no domingo, antes da missa (quanta heresia) e durante a semana, na escola.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E para a desgraça eterna da minha família, numa viagem ao interior, para acalmar meu gênio irriquieto e irritante, meu pai me presenteou com gibi de terror, na verdade uma Calafrio…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Aquilo foi um desastre. À partir dali eu – e depois meus amigos, por minha influência – estávamos viciados não apenas em filmes de terror como também em gibis…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E a Banca do Seu Marcos era o nosso cemitério.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quem não viveu isso e está acostumado a ver tantos super heróis e gibis que se lêem de trás pra frente não pode imaginar o que eram as bancas naquela época.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Havia gibis de super heróis? Sim, numa guerra absurda entre as editoras RGE e Abril (a Abril acabou ganhando pouco tempo depois).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TU2eJSIGj2I/AAAAAAAAAGM/kKNqq-T0v9U/s1600-h/01_kripta%5B2%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 0px 0px 8px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="01_kripta" border="0" alt="01_kripta" align="right" src="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TU2eKHHH4CI/AAAAAAAAAGQ/vzx4rmUDoO8/01_kripta_thumb.jpg?imgmax=800" width="177" height="244" /&gt;&lt;/a&gt;Mas o que mais havia era sangue em preto e branco.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Sobrenatural, Histórias do Além, Pesadelo, Tumba de Drácula, Mestres do Terror, Calafrio&lt;/strong&gt; e mais um monte de almanaques, especiais e títulos que pipocavam todos os meses e sumiam 03 edições depois. Mas sobretudo havia &lt;strong&gt;Kripta&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Spektro&lt;/strong&gt;, as duas melhores revistas de terror publicadas no Brasil em todos os tempos.&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TU2eK58EY3I/AAAAAAAAAGU/67j-TjZVxQQ/s1600-h/02_Spektro%5B5%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 0px 0px 8px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="02_Spektro" border="0" alt="02_Spektro" align="right" src="http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TU2eLrYP6hI/AAAAAAAAAGY/gzfjECjqX00/02_Spektro_thumb%5B3%5D.jpg?imgmax=800" width="176" height="266" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não acredita? Dá uma olhadinha no preço delas nos sites de leilão. Aproveita e me avisa se achar alguma das primeiras edições a menos de 40 contos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Kripta publicava material norte americano, das extintas Creepy e Eerie. Spektro começou como Dr Spektro, publicando material importado, mas poucas edições depois só havia material nacional – e de altíssima qualidade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TU2eMtcBLeI/AAAAAAAAAGc/_iB5MYb-yCY/s1600-h/03_Calafrio%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 15px 0px 0px 8px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="03_Calafrio" border="0" alt="03_Calafrio" align="right" src="http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TU2eNRuAyRI/AAAAAAAAAGg/BvmH0TDkU_M/03_Calafrio_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="176" height="239" /&gt;&lt;/a&gt;Não há como comparar a dinâmica, sangrenta e vazia Marvel Terror com qualquer edição dessas duas publicações. O que você encontrava ali não era apenas um punhado de víceras decorando as paredes. Você a toda hora trombava com gênios como &lt;strong&gt;José Ortiz&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Richard Corben&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Shimamoto&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Colin&lt;/strong&gt;. Você lia histórias que o assombravam durante semanas, que o faziam caminhar por cantos claros quando o Sol se punha. Até hoje aquele material é surpreendente e assustador.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E ficávamos ali, folheando as revistas a procura de mais uma decapitação, mais um peitinho (e como o Colin adorava desenhar peitinhos). De vez em quando o Seu Marcos botava a gente pra correr, mas no final das contas acho que até ele se divertia com aquilo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas a Spektro (e a própria Editora Vecchi) acabou. A Kripta se foi pouco tempo depois. A Calafrio e a Mestres do Terror preencheram a lacuna por dez anos, mas não resistiram a tantos planos econômicos e a uma inflação que já fazia o gibi sair na banca com uma margem de lucro muito menor do que o necessário a sua sobrevivência.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E pouco a pouco os títulos foram rareando. Os que tiveram uma sobrevida viram sua qualidade gráfica (e de conteúdo) definhar. No fim, o Morto do Pântano e o cético jornalista Jonas Beltron não resistiram a Batman e Homem Aranha.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E é por isso que a iniciativa da Panini não me empolga. É uma revista pobre demais para a gigantesca tradição norte americana. E a mim, que vivi de perto o último suspiro do gênero mais brasileiro e original de nossos quadrinhos, Marvel Terror não passa de uma diversão de ônibus – e apenas se eu já tiver descolado um banco pra ir sentado, não vale o esforço do equilíbrio se estiver em pé.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas será que ainda existem lugares escuros nos quadrinhos? &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sem dúvida. A magnífica série &lt;strong&gt;30 Dias de Noite&lt;/strong&gt;, de &lt;strong&gt;Steve Niles&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Ben Templesmith&lt;/strong&gt;, ainda que já mostre sinais de cansaço, é um ótimo exemplo. &lt;strong&gt;Pixú&lt;/strong&gt; (dos gêmeos &lt;strong&gt;Moon e Bá&lt;/strong&gt; em conjunto com &lt;strong&gt;Vasilis Lolos&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Becky Cloonan&lt;/strong&gt;) não decepciona. Sempre temos &lt;strong&gt;Hellboy&lt;/strong&gt;, apesar do preço, e a Editora &lt;strong&gt;ARX,&lt;/strong&gt; selo da Saraiva Editorial, vem publicando um excepcional material espanhol.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TU2eOJdneWI/AAAAAAAAAGk/igFr73hsKAE/s1600-h/AD_MESMO_DELIVERYlo%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 8px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="AD_MESMO_DELIVERYlo" border="0" alt="AD_MESMO_DELIVERYlo" align="left" src="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TU2eOxjVU6I/AAAAAAAAAGo/8XJCV7L1so8/AD_MESMO_DELIVERYlo_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="180" height="274" /&gt;&lt;/a&gt;E de vez em quando somos violados com coisas realmente supreendentes, de qualidade muito acima da média, como é o caso de &lt;strong&gt;Necronauta do Danilo Beyruth, O Vampiro que Ri de Suehiro Maruo, Mesmo Delivery do Grampá&lt;/strong&gt; e o terrível, assustador e belíssimo &lt;strong&gt;Prontuário 666, de Samuel Casal&lt;/strong&gt;, contando os anos de cárcere do &lt;strong&gt;Zé do Caixão&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas ainda é pouco pra semear a escuridão. Situação que tende a mudar com o olhar cada vez mais &lt;a href="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TU2ePnj6A_I/AAAAAAAAAGs/8N5PVXld93Q/s1600-h/Prontuario666%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 8px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="Prontuario666" border="0" alt="Prontuario666" align="left" src="http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TU2eQYBcHJI/AAAAAAAAAGw/nP9CYYCRZhg/Prontuario666_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="182" height="261" /&gt;&lt;/a&gt;atento sobre a produção nacional, o que inevitavelmente trará em sua esteira ótimas histórias de terror.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas até lá continuaremos vendo vampiros seduzindo jovens adolescentes. Deus! Os caras se alimentam de sangue, já imaginou o hálito das figuras?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ou então lendo sangrentas histórias de Lobisomens vítimas de conspirações governamentais e com crises de consciência…&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-404298852872733571?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/404298852872733571/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/02/no-tempo-em-que-as-trevas-dominavam-as.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/404298852872733571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/404298852872733571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/02/no-tempo-em-que-as-trevas-dominavam-as.html' title='No tempo em que as trevas dominavam as bancas…'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TU2eHRafnZI/AAAAAAAAAGA/KUljz1uQ0UI/s72-c/Mv_Terror_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-5831192787686769466</id><published>2011-01-22T03:44:00.001-02:00</published><updated>2011-01-23T11:45:15.164-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Laudo Ferreira'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Yeshuah'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos Nacionais'/><title type='text'>Yeshuah</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TTpunnCI9sI/AAAAAAAAAE4/zwFoN7cHqRc/s1600-h/yeshuah3%5B1%5D.png"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="yeshuah3" border="0" alt="yeshuah3" src="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TTpuokKLtGI/AAAAAAAAAE8/Da2afwX5hos/yeshuah3_thumb%5B1%5D.png?imgmax=800" width="399" height="264" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, Vila Carrão, São Paulo. Ainda não eram nove horas da manhã de um domingo qualquer do começo de 1984. Cerca de 150 pessoas olhavam para aquele jovem franzino. Alguém ajeitava o microfone para aquela pouca altura.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ele percebeu alguns olhares curiosos. Uma criança fazendo a leitura do Evangelho? Aquilo não seria muita ousadia? &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O Padre Emilio decidira, alguns meses antes, aproveitar melhor aquelas jovens ovelhas das aulas de catecismo. Havia até permitido que alguns efetuassem as 1ª e a 2ª Leituras. Mas aquele era o Evangelho, a Leitura que precede à Homilia.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E uma criança o leria.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O moleque olhou a sua direita. O Padre Emilio lançou um olhar de cumplicidade. Na quinta fileira a sua esquerda enxergou sua mãe, ela lhe sorria orgulhosa. Sentada à sua frente, sua irmã torcia com aqueles olhos quase negros. Aquilo era tudo o que ele precisava.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;– Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos, capítulo 3, versículos 13 a 19. “&lt;em&gt;Jesus subiu a montanha e chamou os que ele quis; e foram a ele. Ele constituiu então doze, para que ficassem com ele e para que os enviasse a anunciar a Boa Nova, com poder de expulsar os demônios&lt;/em&gt; (…)”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Foi a primeira vez que enfrentei uma platéia e fazia aquilo em nome de Deus. Eu tinha 11 anos e acreditava nEle de todo o meu coração. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nunca tive problemas em falar em público. Sempre tive medo – tenho até hoje – mas isso nunca me impediu. O desempenho naquela leitura, as sutis nuances vocais e a teatralidade, me tornaram uma espécie de leitor oficial dos Evangelhos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A beleza daqueles textos me levou a uma devoção cega e um comprometimento sincero. Fiz o Catecismo, Perseverança e o Crisma. As leituras em público me levariam ao teatro cinco anos depois. E o Teatro me tiraria definitivamente da Igreja Católica em 1992.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Tinha 21 anos e estávamos trabalhando num Encontro de Jovens. Haviam pessoas do Brasil inteiro. Na programação constavam 05 intervenções teatrais, todas elas com temáticas no mínimo contestáveis. Mas éramos jovens, cheios de energia e estávamos imbuidos dos ensinamentos daqueles padres torturados ou mortos durante o Regime Militar.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Após a 3ª intervenção – uma simulação da Guerra de Canudos – fui procurado por um dos padres que organizavam o evento. Lembro até hoje de suas palavras exaltadas:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Estamos aqui para mostrar a Palavra de Deus a esses jovens, não para lembra-los da miséria humana. Não quero mais apresentações assim.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Peguei minhas coisas e saí. Só voltaria a igrejas para os casamentos de minhas irmãs e batizados de meus sobrinhos. Ou para olhar os santos, mas isso fazia pela arte, não pela Fé. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Aquele episódio criou em mim uma repulsa sistemática às Instituições Religiosas e comprometeu sobremaneira minhas crenças.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TTpupbM7dpI/AAAAAAAAAFA/ybNJemjpv0o/s1600-h/yeshua1%5B7%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 8px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="yeshua1" border="0" alt="yeshua1" align="left" src="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TTpuqNHDOgI/AAAAAAAAAFE/jXNgxt-stxI/yeshua1_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" width="188" height="244" /&gt;&lt;/a&gt;Talvez por isso não tenha comprado &lt;strong&gt;Yeshuah: assim em cima assim embaixo&lt;/strong&gt;, de &lt;a href="http://bandamamao.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Laudo Ferreira&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; (e arte finalizado por &lt;strong&gt;Omar Viñole&lt;/strong&gt;), na época em que foi lançado pela Devir Livraria.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas confesso que as críticas me deixaram curioso. Ainda assim não comprei. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E a história de Jesus de Laudo teve seu segundo volume lançado no ano passado (&lt;strong&gt;Yeshuah: o círculo interno o círculo externo&lt;/strong&gt;). Quase fui no lançamento, mas algo me impediu.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas tem cada coisa que acontece na vida da gente…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Na semana passada Deus resolveu mandar novo dilúvio nessa impermeável capital paulista. Justamente na semana em que voltava de férias. Duas linhas de trens paradas, o que lotou o metrô e o fez funcionar em contingência por motivos de segurança, as principais vias de acesso para as zonas Leste e Norte alagadas, zona Oeste inundada em vários trechos. Milhares de paulistanos simplesmente não conseguiam voltar às suas casas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Desci até a estação de metrô República e o intervalo entre um trem e outro era de cerca de dez minutos. Não havia lugar na plataforma. Assim como não rezo, por uma questão de coerência resolvi também não ficar de mal com Deus e preferi culpar o prefeito e o governador…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E me aproveitei da situação, é claro, e subi pra &lt;strong&gt;HQMix&lt;/strong&gt;, que tava ali do lado.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não sei por quê. Não me perguntem pois não tenho uma resposta razoável. Sei que saí do &lt;strong&gt;Gual&lt;/strong&gt; com os dois volumes de &lt;strong&gt;Yeshuah&lt;/strong&gt;. Simplesmente resolvi compra-los.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TTpurAzFyII/AAAAAAAAAFI/gP9Anve1vI8/s1600-h/yeshuah2%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 0px 0px 3px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="yeshuah2" border="0" alt="yeshuah2" align="right" src="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TTpurwqXJ2I/AAAAAAAAAFM/fdyaeG9Utgw/yeshuah2_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="218" height="315" /&gt;&lt;/a&gt;Mas Laudo não me dobraria tão fácil. Não a mim. Comprei, mas não leria…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Três dias depois saí apressado de casa e peguei a mochila errada, por acaso a mesma que levava no dia do tal dilúvio. Claro que nessas esqueci em cima da mesa o gibi que estava lendo. Pra piorar, o trânsito tava um caos. Mas o ônibus estava vazio e fui sentado.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E eu sempre leio no ônibus. Nem lembrava mais o que tinha dentro da bolsa, então abri e vi os dois volumes de &lt;strong&gt;Yeshuah&lt;/strong&gt;. Aquilo só poderia ser uma piada de alguém lá de cima.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Comecei a leitura. Reli seis vezes as duas primeiras páginas, sem acreditar no que lia. Com apenas uma dúzia de quadros eu já sabia que tinha pela frente um gibi excepcional. Doze quadros com um poder narrativo quase hipnótico.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Será que minha teimosia tinha me privado por tanto tempo de um bom gibi? Tudo bem, não seria a primeira vez mesmo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;À medida que lia, percebi que &lt;strong&gt;Yeshuah&lt;/strong&gt; não era o que eu imaginava. Por mais elogiosas que tenham sido as críticas eu ainda assim esperava um “gibi de padre”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E o que recebi foi uma história como poucas, escrita com uma sinceridade impressionante e um esmero sem igual.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O Jesus concebido por &lt;strong&gt;Laudo&lt;/strong&gt; não é aquele ao qual estamos acostumados. Definitivamente, pouco tem a ver com as representações massivamente difundidas no mundo ocidental de um rapaz loiro e de olhos azuis.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E não é por menos. Para um melhor entendimento de &lt;strong&gt;Yeshuah&lt;/strong&gt; são essenciais as leituras do prefácio e do posfácio. E posso garantir àqueles que simplesmente ignoram essas partes que sua leitura vai transformar a história narrada no gibi numa experiência muito mais interessante.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A extensa pesquisa de &lt;strong&gt;Laudo&lt;/strong&gt; inclui de tudo um pouco daquilo que foi dito, representado ou estudado a respeito de Jesus, ou melhor, Yeshu, já que os nomes originais em hebraico foram mantidos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Para chegar a esse Yeshu, &lt;strong&gt;Laudo&lt;/strong&gt; se baseou nos textos canônicos (aqueles que estão na Bíblia, os ditos Evangelhos), nos textos apócrifos (textos sobre a vida de Jesus que a Igreja não reconhece como oficiais), em diversos estudos de historiadores e teólogos e também em concepções artísticas diversas, como o belíssimo filme &lt;strong&gt;O Evangelho Segundo São Matheus&lt;/strong&gt;, de &lt;strong&gt;Píer Paolo Passolini&lt;/strong&gt; (considerado por muitos, inclusive da Cúria Romana, como um dos mais belos e sensíveis filmes sobre a vida de Cristo).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TTre-tAMb1I/AAAAAAAAAFY/ZUSslNRs3B4/s1600-h/yeshuah4%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="yeshuah4" border="0" alt="yeshuah4" src="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TTre_aeVaXI/AAAAAAAAAFc/VDg5Ev2KFuM/yeshuah4_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="386" height="260" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Essa pesquisa, ao invés de criar uma história confusa, alienígena às nossas crenças (ou a falta delas), trouxe a tona um homem fascinante, que mudou de forma irremediável a história da Humanidade. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nos trouxe um homem divino, por tudo o que foi e tudo o que transformou.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O primeiro volume compreende o período do nascimento de Yeshu até seu Batismo. O segundo volume mostra os primeiros tempos de pregação. O terceiro volume será publicado neste ano. Não há como estragar a surpresa contando o final, a história já é bem conhecida. O Homem morre na cruz e depois levanta dos mortos, essa parte todo mundo já sabe, resta saber como &lt;strong&gt;Laudo&lt;/strong&gt; nos contará isso.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E a julgar pela forma como contou até agora…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A história é narrada por uma velha senhora. Não é preciso ser carola ou formado em teologia para perceber de quem se trata, mas seu nome ainda não é revelado.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No primeiro volume, o foco principal da história está centrado na figura de Miriam (Maria, mãe de Jesus) e nos adventos divinos que propiciaram o nascimento do Messias. É impressionante como essa primeira parte da história é feminina, materna. Laudo foi de uma felicidade incomum na concepção de sua Miriam, da criança virgem que pariu o Nazareno até a velha mãe (já no segundo volume) Miriam é uma mulher de verdade. Bem diferente daquela figura ensinada nas aulas de catecismo. Sua Miriam sofre, chora, sente raiva e medo. E ama seu filho, mesmo sem entender tudo o que lhe aconteceu.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Seu Yoseph ( José, o pai adotivo de Yeshu) também merece um destaque especial. &lt;strong&gt;Laudo&lt;/strong&gt; criou um homem de seu tempo, com todos os defeitos próprios àquela região e formação cultural e religiosa, onde homens apedrejavam até a morte mulheres adúlteras e pouco contestavam a crueldade de tais atos. Mas ainda assim, esse Yoseph é um homem justo. Um homem bom. Que mesmo na dúvida mostrou-se nobre. E quando já não havia mais dúvidas, fez o que era necessário com coragem incomum. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E finalmente, nas páginas finais do primeiro volume, somos apresentados a Yeshu. Ainda não o conheceremos em sua totalidade, esse prazer foi reservado ao segundo volume.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E é do batismo de Cristo até o final de &lt;strong&gt;o círculo interno o círculo externo&lt;/strong&gt; que somos apresentados a uma das melhores histórias em quadrinhos já feitas sobre Jesus. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O Yeshu de &lt;strong&gt;Laudo&lt;/strong&gt;, como já disse, foi formado a partir de um mosaico de referências das mais diversas fontes. Ao invés de ferir o Jesus mostrado na Bíblia, a concepção do autor só nos faz entender melhor essa figura fascinante. Um homem capaz de transformar todos a sua volta. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um homem que promove atos insanos a sociedade da época. Atos estranhamente insanos a essa nossa época, que foi moldada à partir de seus ensinamentos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um homem forte e doce. Alguém impossível de existir no mundo atual mas ainda assim alguém que você poderia encontrar na próxima esquina. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E se o encontrasse, você o seguiria até o fim do mundo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não se trata de um gibi, tampouco de religião. &lt;strong&gt;Yeshuah&lt;/strong&gt; é um poema de amor e fraternidade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O poder das imagens evocadas por &lt;strong&gt;Laudo&lt;/strong&gt; assombram aqueles que lêem &lt;strong&gt;Yeshuah&lt;/strong&gt;. Do nascimento de Cristo, passando pelo assassinato das crianças por Herodes (Hordus), até o retiro de Yeshu no deserto, o que temos são deleites visuais e momentos de emoção sincera, raras em se tratando de um gibi e mais improváveis ainda se lembrarmos que é uma adaptação em quadrinhos da história mais conhecida de todos os tempos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TTrfA6CCiQI/AAAAAAAAAFg/3acoy12K-kU/s1600-h/yeshuah5%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="yeshuah5" border="0" alt="yeshuah5" src="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TTrfBlqskpI/AAAAAAAAAFk/h9zZAqx3ZTo/yeshuah5_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="391" height="333" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mesmo em pequenos detalhes, geralmente protagonizados por coadjuvantes, podemos perceber a força das mensagens ali contidas. Da obstinação de Maria Madalena (Miriam Magdalit, essencial à trama) a rudeza de Simão Pedro (Shimon), do desespero de Yoseph diante do vazio absoluto aos olhos cegos de João Batista (Yohanán), nada é gratuito.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Se os Evangelhos fossem despidos de todos os pecados ocorridos na história da Humanidade, tão generosa em desgraças e assassinatos, em deturpação dos ensinamentos ali contidos e em tantas “guerras santas” (como se fosse possível ser santo um ato de ódio), esse Yeshu criado por Laudo numa narrativa gráfica estaria em perfeita harmonia com sua mensagem.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Terminei o 2º volume naquele mesmo dia. Ou melhor, na madrugada já do dia seguinte. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas como disse, tem cada coisa que acaba acontecendo com a gente…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Num determinado momento do 2º volume, Yeshu prega a seu povo. Uma cananéia o procura, numa passagem do Evangelho de Mateus bastante conhecida, e implora por sua ajuda.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Foram apenas duas páginas. Duas páginas de uma história que eu lembro de ter lido há muitos anos atrás, quando era jovem e ainda tinha Fé.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ao terminar de ler a passagem, pela primeira vez em muitos anos, chorei copiosamente.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não havia tristeza naquelas lágrimas, nem alegria. O que havia era apenas a reação a um momento de pura beleza. Uma emoção verdadeira, daquelas que não necessitam explicações.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TTpusSeS9_I/AAAAAAAAAFQ/vgcwyNI1B1Y/s1600-h/Yeshua2%5B7%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 10px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="Yeshua2" border="0" alt="Yeshua2" align="left" src="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TTpus20s7OI/AAAAAAAAAFU/kj3I1LAGvaU/Yeshua2_thumb%5B4%5D.jpg?imgmax=800" width="216" height="272" /&gt;&lt;/a&gt;Numa fração de segundo, me lembrei daquela primeira leitura, tantos anos antes, e da força da fé que tinha. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Da cumplicidade do Padre Emilio, do sorriso de minha mãe, mas principalmente, dos olhos grandes e quase negros de minha irmã.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E ao menos naquela fração de segundo pude saborear a Fé que julguei para sempre perdida.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Isso, para mim, resume toda a beleza contida nesse &lt;strong&gt;Yeshuah&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/"&gt;&lt;font color="#005b00" face="Batang"&gt;&lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/" target="_blank"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 0px 0px 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="QaQ2" border="0" alt="QaQ2" align="right" src="http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TTwvw7l_0RI/AAAAAAAAAFs/x8AxTfgMfdw/QaQ2%5B7%5D.png?imgmax=800" width="62" height="62" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&lt;font color="#005b00" face="Comic Sans MS"&gt;Essa resenha também está disponível no&lt;font color="#8a4500"&gt; &lt;strong&gt;&lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/" target="_blank"&gt;Quadro a Quadro&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;, novo site de notícias sobre quadrinhos. Não deixem de acessar.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-5831192787686769466?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/5831192787686769466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/01/yeshuah.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/5831192787686769466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/5831192787686769466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/01/yeshuah.html' title='Yeshuah'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TTpuokKLtGI/AAAAAAAAAE8/Da2afwX5hos/s72-c/yeshuah3_thumb%5B1%5D.png?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-3113779396744015848</id><published>2011-01-16T01:53:00.001-02:00</published><updated>2011-02-02T21:27:39.575-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Outras Histórias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Semana do Quadrinho Nacional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ken parker'/><title type='text'>3ª Semana do Quadrinho Nacional–Ken Parker Blog</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Matéria publicada em parceria com o &lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/" target="_blank"&gt;Quadro a Quadro&lt;/a&gt; e o &lt;/font&gt;&lt;a href="http://kenparker.blogspot.com/" target="_blank"&gt;&lt;font size="2"&gt;KPblog&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TTJrg2FUtLI/AAAAAAAAAEY/NrZodekhMfM/s1600-h/semana%20do%20quadrinho%20nacional%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="Cartaz da 3ª Semana do Quadrinho Nacional" border="0" alt="Cartaz da 3ª Semana do Quadrinho Nacional" src="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TTJrhoWXlXI/AAAAAAAAAEc/RWfeCzk46wU/semana%20do%20quadrinho%20nacional_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="383" height="307" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;De 23 a 31 de janeiro, o &lt;a href="http://kenparker.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Ken Parker Blog&lt;/a&gt; está promovendo sua &lt;strong&gt;3ª Semana do Quadrinho Nacional&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Imagine você se tivesse a oportunidade de convidar vários desenhistas para reinterpretarem seu personagem de quadrinhos favorito. E melhor ainda, ao lado de um personagem brasileiro.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Foi essa a idéia que em janeiro de 2009 o baiano &lt;strong&gt;Lucas Pimenta&lt;/strong&gt; propôs ao amigo e parceiro de blog &lt;strong&gt;João Guilherme&lt;/strong&gt;. Juntos eles prepararam o convite e começaram a divulgação do evento que ocorreria durante a última semana de janeiro, em comemoração ao &lt;strong&gt;Dia do Quadrinho Nacional&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O Dia do Quadrinho Nacional é comemorado em todo &lt;strong&gt;30 de janeiro&lt;/strong&gt;, data em que – no já longinquo ano de 1869 – foi publicada &lt;strong&gt;NHÔ QUIM&lt;/strong&gt;, a primeira história em quadrinhos brasileira, pelas mãos do brasileiríssimo italiano &lt;strong&gt;Ângelo Agostini&lt;/strong&gt; – genial artista do século XIX, que deixou o Império de cabelo em pé com suas ferinas ilustrações e de quebra foi um dos precursores da Nona Arte.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TTJrmPeDfOI/AAAAAAAAAEg/NQUX6hebsi0/s1600-h/2HQbras_desenho_will%5B3%5D.png"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="Ken Parker, por Will" border="0" alt="Ken Parker, por Will" align="right" src="http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TTJrnMg44nI/AAAAAAAAAEk/a1LtzNLTC2Q/2HQbras_desenho_will_thumb%5B1%5D.png?imgmax=800" width="222" height="193" /&gt;&lt;/a&gt;Inicialmente, seria uma celebração dos quadrinhos nacionais e uma homenagem a imortal criação de &lt;strong&gt;Berardi&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Milazzo&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O que Lucas e João não esperavam é que já na primeira edição artistas de peso como &lt;a href="http://adautosilva.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Adauto Silva&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://flavioluizcartum.fotoblog.uol.com.br/index.html" target="_blank"&gt;Flavio Luiz&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://sideralman.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Will&lt;/a&gt; fossem contribuir com suas visões personalíssimas do herói, sempre acompanhado de um personagem brasileiro ou com alguma referência aos quadrinhos nacionais.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TTJrqrlwhFI/AAAAAAAAAEo/YQfBuRrLljc/s1600-h/2HQbras_desenho_Spacca%5B6%5D.png"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 10px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="Ken Parker, por Spacca" border="0" alt="Ken Parker, por Spacca" src="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TTJrrfjVmII/AAAAAAAAAEs/NvQalYpLT4o/2HQbras_desenho_Spacca_thumb%5B4%5D.png?imgmax=800" width="404" height="211" /&gt;&lt;/a&gt;A idéia pegou e gerou uma segunda edição em 2010. E para surpresa de todos, naquele ano, a participação foi ainda maior e contou com a colaboração de artistas badalados como &lt;a href="http://jubiaba.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Spacca&lt;/a&gt; e com a contribuição considerada um dos maiores orgulhos do evento: uma ilustração feita pelo genial &lt;strong&gt;Julio Shimamoto&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E agora o evento está de volta! &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Para participar, basta preparar uma ilustração de Ken Parker ao lado de um personagem dos quadrinhos nacionais e encaminha-la até o dia 22 de janeiro para o e-mail &lt;a href="mailto:kenparker.blog@gmail.com"&gt;kenparker.blog@gmail.com&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O Evento este ano também promoverá um concurso: o leitor que identificar o maior número de personagens no cartaz oficial (feito pelo &lt;a href="http://chargesbira.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Bira Dantas&lt;/a&gt; exclusivamente para a Semana) ganhará uma arte original do Bira, feita especialmente para o ganhador (ou ganhadores, em caso de empate). As respostas devem ser enviadas também para o e-mail &lt;a href="mailto:kenparker.blog@gmail.com"&gt;kenparker.blog@gmail.com&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Então mãos a obra!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E vida longa a iniciativa do &lt;a href="http://kenparker.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Ken Parker Blog&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TTJruYDM5JI/AAAAAAAAAEw/UVeoIBTpuSE/s1600-h/2HQbras_desenho_MestreShimamoto%5B3%5D.png"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="O personagem na visão do Mestre Shima" border="0" alt="O personagem na visão do Mestre Shima" src="http://lh5.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TTJrwNKqDkI/AAAAAAAAAE0/USeD2ExPbhk/2HQbras_desenho_MestreShimamoto_thumb%5B1%5D.png?imgmax=800" width="380" height="526" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-3113779396744015848?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/3113779396744015848/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/01/3-semana-do-quadrinho-nacionalken.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/3113779396744015848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/3113779396744015848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/01/3-semana-do-quadrinho-nacionalken.html' title='3ª Semana do Quadrinho Nacional–Ken Parker Blog'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TTJrhoWXlXI/AAAAAAAAAEc/RWfeCzk46wU/s72-c/semana%20do%20quadrinho%20nacional_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-6011027827059842640</id><published>2011-01-15T11:25:00.001-02:00</published><updated>2011-01-15T11:25:25.505-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Outras Histórias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos'/><title type='text'>O Cavaleiro das Trevas: o melhor Batman de todos os tempos.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TTGgQeEtLSI/AAAAAAAAAEQ/PAikG9rSGDU/s1600-h/09%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 0px 10px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="09" border="0" alt="09" align="left" src="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TTGgRCBGluI/AAAAAAAAAEU/OvShlUcXssk/09_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="153" height="174" /&gt;&lt;/a&gt;Para quem curte o Morcegão, acabei de publicar uma matéria especial para o &lt;strong&gt;&lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br" target="_blank"&gt;Quadro a Quadro&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, esquadrinhando um dos clássicos gibis da década de 80: &lt;strong&gt;O Cavaleiro das Trevas&lt;/strong&gt;, de&lt;strong&gt; Frank Miller&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um verdadeiro divisor de águas na indústria dos comics norte americanos, O Cavaleiro das Trevas redefiniu o Homem Morcego e toda a forma de se fazer quadrinhos de super heróis.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um clássico incontestável.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Acessem através do link &lt;a title="http://quadro-a-quadro.blog.br/?p=1837" href="http://quadro-a-quadro.blog.br/?p=1837"&gt;http://quadro-a-quadro.blog.br/?p=1837&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-6011027827059842640?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/6011027827059842640/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/01/o-cavaleiro-das-trevas-o-melhor-batman.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/6011027827059842640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/6011027827059842640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/01/o-cavaleiro-das-trevas-o-melhor-batman.html' title='O Cavaleiro das Trevas: o melhor Batman de todos os tempos.'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TTGgRCBGluI/AAAAAAAAAEU/OvShlUcXssk/s72-c/09_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-3467738659981784176</id><published>2011-01-13T21:49:00.000-02:00</published><updated>2011-01-13T21:50:37.969-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Outras Histórias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos'/><title type='text'>Quadro a Quadro: indo até aonde a Nona Arte estiver!</title><content type='html'>&lt;p&gt;Em junho de 2010, logo após o término do curso de roteiro de quadrinhos pelo SENAC, comecei a me corresponder com o amigo &lt;strong&gt;Lucas Pimenta&lt;/strong&gt;, parceiro de aulas virtuais.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Baiano do bom, apesar da pouca idade Lucas já leu de tudo e se provou um grande conhecedor da nona arte.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Além de ter botado uma pilha danada na criação deste blog, ele me chamou na época para participar de um projeto de site sobre quadrinhos, o &lt;strong&gt;&lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/" target="_blank"&gt;Quadro a Quadro&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No processo, fui apresentado aos amigos &lt;strong&gt;Sergio Barreto &lt;/strong&gt;e&lt;strong&gt; Marcello Fontana&lt;/strong&gt; – os idealizadores do Projeto junto com o Lucas, pai da criança - &lt;strong&gt;Portilho&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Adalton – &lt;/strong&gt;como eu, colaboradores – e a &lt;strong&gt;Eve – &lt;/strong&gt;literalmente a mãe da criança, nossa Web Designer apaixonada por quadrinhos e salvadora nos momentos de asnice tecnológica. Nesse nosso clubinho de nerds, aos poucos o Quadro a Quadro começou a tomar forma.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Hoje, após sete meses desde o convite inicial, o Quadro a Quadro foi para o ar. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não dá para mensurar nossa alegria. Então convido a todos a embarcarem conosco nessa viagem:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://quadro-a-quadro.blog.br/" target="_blank"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="QaQ" border="0" alt="QaQ" src="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TS-BZ-ZRCwI/AAAAAAAAAEI/foyHrtoJKZI/QaQ%5B7%5D.png?imgmax=800" width="395" height="77" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="3"&gt;O &lt;strong&gt;Quadro a Quadro&lt;/strong&gt; não é apenas um site sobre quadrinhos. É um site para quem não esquece aquele seu primeiro gibi, para quem ainda canta a música de abertura do desenho de seu herói preferido ou que não se cansa de rabiscar no canto dos cadernos de escola. O Quadro a Quadro é um site para quem não tem medo de sonhar.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-3467738659981784176?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/3467738659981784176/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/01/quadro-quadro-indo-ate-aonde-nona-arte.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/3467738659981784176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/3467738659981784176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/01/quadro-quadro-indo-ate-aonde-nona-arte.html' title='Quadro a Quadro: indo até aonde a Nona Arte estiver!'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TS-BZ-ZRCwI/AAAAAAAAAEI/foyHrtoJKZI/s72-c/QaQ%5B7%5D.png?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-6421855792929252080</id><published>2011-01-04T20:42:00.001-02:00</published><updated>2011-01-19T23:25:08.055-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Trincheira Solitária'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os Sertões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rodrigo Rosa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Canudos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Carlos Ferreira'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos Nacionais'/><title type='text'>Os Sertões e a escola de Zebedeu</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TSOiFY81jSI/AAAAAAAAADE/6xYOGOFuf1E/s1600-h/capasertoesbx4.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="capasertoesbx" border="0" alt="capasertoesbx" src="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TSOiGJTOxdI/AAAAAAAAADI/G7n-jsU8dUY/capasertoesbx_thumb2.jpg?imgmax=800" width="394" height="279" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;11 de Setembro de 1970, no picadeiro do Circo Irmãos Tibério, armado no Parque do Ibirapuera, centenas de pessoas acomodavam-se nas arquibancadas de madeira para assistirem o espetáculo &lt;strong&gt;O Evangelho Segundo Zebedeu&lt;/strong&gt;, de &lt;strong&gt;César Vieira&lt;/strong&gt;, com direção de &lt;strong&gt;Silney Siqueira&lt;/strong&gt; e música de &lt;strong&gt;Murilo Alvarenga&lt;/strong&gt;, levado a cabo pelo &lt;strong&gt;Teatro do Onze&lt;/strong&gt; – um grupo de estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O que se viu no palco naquela noite nunca antes se havia visto no teatro brasileiro. A história da peça de passava num circo, onde seria encenado o drama de Canudos. Mas o ator principal, Bibi Gestas, não pôde se apresentar e é substituido na última hora por &lt;strong&gt;Vicente, &lt;/strong&gt;artista convidado.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;E Vicente não decepciona seu público. Não demora muito a começar a desobedecer as deixas do “ponto” e a mudar o texto original. A vida de Antonio Conselheiro mistura-se à de Cristo, num auto da paixão com ingredientes sertanejos. O que deveria ser apenas uma encenação sobre a Guerra de Canudos torna-se um ato político dentro daquele circo fictício sob aquela lona real do Ibirapuera.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O espetáculo O Evangelho segundo Zebedeu ganhou o Brasil e o mundo. Recebeu todos os prêmios nacionais, foi aplaudido de pé no Festival de Teatro de Nancy, na França, foi publicado em mais de 15 países e reencenado a exautão nos últimos quarenta anos.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Também chamou a atenção para aquele grupo de estudantes audaciosos, o que resultou numa perseguição política poucas vezes vista a um grupo de teatro: censura sistemática, prisão e tortura de integrantes em 1973, depredações constantes às dependências do grupo e até ameaças de bomba, já no apagar das luzes do Regime Militar.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Mas o maior legado de Zebedeu foi mostrar ao público brasileiro toda a força política da Saga de Canudos. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;É bastante provável que &lt;a href="http://carlosferreirabastidores.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Carlos Ferreira&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://rodrigorosablog.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Rodrigo Rosa&lt;/a&gt; jamais tenham assistido a uma encenação do Evangelho. Entretanto seguiram por uma vereda estética bastante semelhante a de César Vieira para a confecção de &lt;strong&gt;Os Sertões – A Luta&lt;/strong&gt;, adaptação em quadrinhos do clássico de &lt;strong&gt;Euclides da Cunha&lt;/strong&gt;, lançada em dezembro pela &lt;strong&gt;Desiderata&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TSOiHzKQAFI/AAAAAAAAADM/YPBmSoALYsY/s1600-h/sertoesblog051.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 15px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="sertoesblog05" border="0" alt="sertoesblog05" align="left" src="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TSOiIiDUaQI/AAAAAAAAADQ/4C2zJ0PAhd4/sertoesblog05_thumb.jpg?imgmax=800" width="214" height="238" /&gt;&lt;/a&gt;Para horror dos puristas de plantão, os autores optaram por uma livre adaptação da última parte da obra – a Luta do subtítulo – usando-a como guia na narrativa e amparados por extensa pesquisa, inclusive de campo. Com isso, extraíram a essência do livro e o adaptaram com a liberdade peculiar das narrativas gráficas.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Tinha tudo para ser uma decisão ruim. &lt;strong&gt;Definitivamente não foi.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Os Sertões é um gibi histórico, uma livre adaptação de uma obra seminal em nossa literatura e um pesadelo narrativo e visual.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Para quem busca uma adaptação fiel ao livro, essa história do messiânico líder de Belo Monte é contada de forma apenas satisfatória. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;E muito provavelmente os estudiosos da obra euclidiana torcerão o nariz.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Já para quem gosta de gibis e de histórias bem contadas…&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Esqueçamos a boa educação ou a erudição própria dos críticos. Os Sertões é uma porrada na fuça de cabra metido a besta.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Narrativamente, o gibi trata com o respeito e rigor necessários o conteúdo e panorama históricos daquela recém criada – e por vezes amaldiçoada – República.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Por mais de uma vez as personagens situam o leitor sobre lugares, nomes e cargos dos homens do poder daquele final de século XIX. Deixa bastante clara também a intenção daquela República em relação aos fanáticos seguidores de Conselheiro e o perigo político que representavam, com aquela temerosa mania de acreditarem apenas em Deus e no destronado Imperador.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TSOiKzEvxnI/AAAAAAAAADU/JTndcnEaIZQ/s1600-h/batal3pg2bx4.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 0px 0px 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="batal3pg2bx" border="0" alt="batal3pg2bx" align="right" src="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TSOiLZRPJqI/AAAAAAAAADY/dCk26361RzY/batal3pg2bx_thumb1.jpg?imgmax=800" width="214" height="276" /&gt;&lt;/a&gt;O apelo popular pela demonstração de força do Presidente Prudente de Moraes é abordado com fina ironia, assim como as desventuras do exército republicano, a quem os sertanejos de Canudos humilharam publicamente mais de uma vez.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Isso torna o gibi extremamente atrativo para o uso didático, seja para estudo histórico ou leitura complementar da obra original de Euclides da Cunha.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Mas como disse anteriormente, a opção estética utilizada pelos autores é o maior trunfo do gibi.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;A solução narrativa utilizada por Carlos Ferreira para compilar as missões oficiais para desmantelamento de Canudos se tornou uma arma poderosa na arte de Rodrigo Rosa. O vai e vem temporal, contado através dos relatos de personagens dos dois lados da peleja e narrado por um inesperado Euclides da Cunha cria uma tensão crescente. E a cada momento narrativo, mais detalhes explicítos da ferocidade dos combates são mostrados.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;E é nesse ponto que os autores, tal qual um Vicente de lápis e papel em mãos, começam a desobecer o “ponto”.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O gibi vai aos poucos introduzindo o horror e o pesadelo em quem o lê. Os diálogos, antes abundantes, vão dando lugar à narrativa gráfica pura e simples. A força das imagens e das situações vão se impondo de uma forma assustadoramente eficaz.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;A crueldade e motivações do Exército e dos Sertanejos revelam uma guerra suja. O gibi não dá chance alguma ao leitor. O pesadelo e o desespero se instalam definitivamente e o efeito é devastador.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;A sequência final possui 20 páginas antológicas e suas últimas páginas ainda guardam uma surpresa adicional aos leitores: foram preparadas intencionalmente, inclusive com tratamento gráfico distinto das demais, para despertar sensações terríveis naqueles que as lêem. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O pesadelo de Euclides da Cunha – a personagem, não o autor – já figura entre as melhores páginas de horror dos quadrinhos nacionais, lembrando os melhores momentos do gênero imortalizado por gênios como Colin ou Shimamoto. O Cristo carregado por Conselheiro e entregue ao Governo em um banquete funesto é uma das sequências mais impressionantes já vistas. É HQ de altíssima qualidade.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Não há pausa para retomada de fôlego pois, na sequência seguinte, temos Canudos incendiada. A página dupla causa exatamente a impressão que deveria: um massacre sem precedentes na história do país. E esse talvez seja o mais belo quadro da produção nacional em todo o ano de 2010.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Um gibi desses não é apenas entretenimento, é leitura obrigatória. Não importa se você o lerá com os olhos de um estudante de história ou de literatura, se apenas quer algo para ler no ônibus ou naquela viagem de férias num litoral chuvoso, &lt;strong&gt;Os Sertões&lt;/strong&gt; é uma obra densa, com um ótimo roteiro e de uma beleza plástica única.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;É bem possível que os estudiosos realmente torçam o nariz a essa livre adaptação, mas exatamente por se desprender do texto original e extrair o horror daquele conflito, dificilmente haverá um gibi mais fiel à obra de Euclides da Cunha do que esse &lt;strong&gt;Os Sertões – A Luta&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;E em algum picadeiro perdido num tempo em que o Estado Brasileiro também cometia atrocidades inimagináveis, Vicente e todas as demais personagens de O Evangelho segundo&amp;#160; Zebedeu estão sorrindo com a audácia desses dois carinhas que resolveram fazer um gibi sobre a Terra Prometida de Belo Monte.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TSOiNQtF1oI/AAAAAAAAADc/EKA8ufbIES4/s1600-h/sertoesblog034.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="sertoesblog03" border="0" alt="sertoesblog03" src="http://lh4.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TSOiOOIsLPI/AAAAAAAAADg/RAGr-WYGtU0/sertoesblog03_thumb1.jpg?imgmax=800" width="399" height="272" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-6421855792929252080?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/6421855792929252080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/01/os-sertoes-e-escola-de-zebedeu.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/6421855792929252080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/6421855792929252080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2011/01/os-sertoes-e-escola-de-zebedeu.html' title='Os Sertões e a escola de Zebedeu'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/_LMdztGjoux8/TSOiGJTOxdI/AAAAAAAAADI/G7n-jsU8dUY/s72-c/capasertoesbx_thumb2.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-7492472892313195599</id><published>2010-12-23T21:00:00.005-02:00</published><updated>2011-01-04T20:38:50.392-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias de um Gibizeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos'/><title type='text'>Onde fui amarrar meu bode…</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Tem épocas na vida da gente em que tudo foge do controle, o caos se instala em nossa rotina e nada – absolutamente nada – parece dar certo ou depender de nossa vontade. Tive algumas épocas assim: a faculdade de Belas Artes, o período de serviço militar (obrigatório, diga-se), meu início de namoro com a Cátia…&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Olhando hoje, parecem-me situações extremamente divertidas. Mas na época fiquei quase louco.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Pois bem, 2010 foi uma dessas épocas.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Não vou entrar em detalhes sobre o quanto fiquei maluco com o trabalho, em casa ou no teatro. Foi uma zona em muitos momentos, mas todos sobrevivemos.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Vou falar é de gibi. No caso, do Gibi Rasgado.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Há muito tempo minha esposa insistia para que eu voltasse a escrever. Pior, insistia para que eu fizesse um blog. Eu não dava nem bola. Não sei o motivo, simplesmente não queria voltar a escrever. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Cada vez mais insatisfeito e frustrado com o marasmo da minha pacata vidinha, resolvi dar uma arejada e me inscrevi em um curso à distância de roteiro de quadrinhos pelo SENAC.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O curso foi apenas satisfatório, mas o que ele desencadeou…&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Foi no curso que conheci o Lucas Pimenta. Baiano do bom, entendedor de quadrinhos como poucos.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Ele leu a análise que fiz sobre &lt;a href="http://lilloparra.blogspot.com/2010/06/noite-dos-palhacos-mudos.html" target="_blank"&gt;A Noite dos Palhaços Mudos&lt;/a&gt; e começou a botar pilha. A Cátia leu as mensagens que ele me escrevia e os dois, nesse infernal mundo digital, começaram a me encher o saco pra fazer o desgraçado do blog. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;E foi assim que o Gibi Rasgado nasceu. No começo com algumas crônicas também, ainda sem uma cara própria. Depois virou um blog de quadrinhos e só. E é o que ele é.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;E onde um blog sobre gibis pode mudar a vida de um bancário modorrento? Pois bem, foi graças ao curso, ao blog, a Catia e ao Lucas que definitivamente voltei a me envolver com quadrinhos, após uma década fazendo apenas teatro.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;E está sendo uma das melhores viagens que já fiz. E por incrível que pareça, de cabeça limpa.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;No caminho cruzei com o mineiro &lt;a href="http://maisquadrinhos.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Wellington Srbek&lt;/a&gt;, roteirista tarimbado no mundo dos quadrinhos e que já conhecia graças a sua parceria com o Mestre Colin em Estórias Gerais. Apesar da distância nos tornamos amigos e é outro cara a quem eu e o Gibi Rasgado devemos muito. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Srbek não é apenas um bom roteirista, é um ótimo ser humano. Daqueles com quem a gente sente orgulho de conversar.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Conheci também um bocado de gente bacana. Comecei a frequentar a HQMix e a bater papo com o &lt;a href="http://graffitv.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Gual&lt;/a&gt;, a Dani e o &lt;a href="http://florealandrade.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Floreal&lt;/a&gt;, outros que sempre divulgam o Gibi Rasgado. No processo acabei conhecendo o &lt;a href="http://sideralman.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Will&lt;/a&gt;, o &lt;a href="http://mangabastudios.blog.uol.com.br/" target="_blank"&gt;Gustavo Duarte&lt;/a&gt; e um monte de gente que batalha todo dia para que esse negócio chamado quadrinhos funcione de verdade no Brasil.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O Lucas (que virou padrinho do blog e acabou ganhando um irmão paulista) me apresentou aos cangaceiros Marcelo, Serjão e Portilho, que juntos estão preparando o &lt;strong&gt;Quadro a Quadro&lt;/strong&gt;, site especializado em quadrinhos que estréia em janeiro próximo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Desses eu nem sei o que dizer. Conversamos todos os dias. Não dá pra mensurar o tanto que já aprendi. Além das sinceras gargalhadas.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Disseram que estou participando do Quadro a Quadro. Aimeudeusdocéu…&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;E nisso o blog foi tomando forma. O &lt;a href="http://rogercruzbr.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Roger Cruz&lt;/a&gt; colocou o Gibi Rasgado no topo de sua lista sobre o que foi resenhado sobre o &lt;a href="http://lilloparra.blogspot.com/2010/06/xampu-sexo-rock-e-o-canto-da-boca.html" target="_blank"&gt;Xampú&lt;/a&gt;. O Wellington já publicou duas matérias elogiando o Gibi Rasgado. As pessoas começaram a seguir e a colocar links também em seus blogs. O Gustavo Duarte postou no Twiter. O Mundo Digital ajudou a divulgar. E quando eu vi já tinha um monte de gente acessando, sugerindo, criticando e elogiando.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;E aí eu percebi que a coisa estava totalmente fora de controle. E adorei isso.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Não tenho como pagar essa dívida.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Então resolvi agradecer a todos e ofereço minhas sinceras desculpas se me esqueci de alguém.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Para o ano que vem vai ter um monte de novidades: novo endereço (sem esse imbecil culto a personalidade aí da tua barra de endereços, onde já se viu um blog ter o nome de Lillo…), a estréia do Quadro a Quadro, talvez algum roteiro meu…&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;E algumas coisas não vão mudar: a graúna vai continuar por ali (nada mais coerente pra quem tem um Fradim tatuado no braço), continuaremos – por opção – sem patrocínio algum e as resenhas continuarão compartilhando minhas sensações sobre aquilo que leio…&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O Gibi Rasgado volta em 10 de janeiro, porque eu também sou filho de Deus e pretendo passar os próximos dias olhando anjinho barroco e rezando em igreja com quase 300 anos.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Então a todos que visitam o blog semanalmente, àqueles que só entram de vez em quando ou mesmo quem está passeando por aqui pela primeira vez, um ótimo natal e um frutífero 2011.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Porque esse troço chamado gibi é uma das coisas mais sérias entre todas as coisas que dão prazer na gente.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Lillo – 23/12/2010.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-7492472892313195599?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/7492472892313195599/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2010/12/onde-fui-amarrar-meu-bode_201.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/7492472892313195599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/7492472892313195599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2010/12/onde-fui-amarrar-meu-bode_201.html' title='Onde fui amarrar meu bode…'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-4858143642050521683</id><published>2010-12-10T22:30:00.005-02:00</published><updated>2011-01-04T20:38:50.422-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='David Small'/><title type='text'>Cicatrizes e Desespero</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_JZNiMk8huMA/TQLGCzxH1OI/AAAAAAAAAPw/Hc03sMKNBjc/s1600-h/cicatrizes13.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="cicatrizes1" border="0" alt="cicatrizes1" src="http://lh3.ggpht.com/_JZNiMk8huMA/TQLGDtpKGMI/AAAAAAAAAP0/-vCwng2U5Qc/cicatrizes1_thumb1.jpg?imgmax=800" width="398" height="267" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Todos temos cicatrizes. Qualquer serzinho de seis ou sete anos já tem uma coleção delas. Eu tenho, você tem, nossos pais tem.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Antes dos sete anos já tinha deixado minha mãe maluca: pedrada na cabeça, traumatismo craniano, atropelamento, uma dose generosa de soda cáustica confundida com açúcar (nessa quase virei adubo) e por aí vai.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Ainda conservo a cabeça amassada, pinos no pé, pontos no polegar e o péssimo hábito de ficar trombando em tudo. Faz parte da minha personalidade, é quase que uma propensão natural ao desastre doméstico.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Mas também existem outras cicatrizes que não são visíveis. Seus cortes são profundos e, em muitos casos, nunca se cicatrizarão.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Tive um pai talentosíssimo: escrevia e desenhava bem, articulado, era bom de bola, de papo e de mulher. E também de copo. E isso o levou primeiro a desgraça familiar, depois para o túmulo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Minha mãe sempre foi amorosa, compreensiva e generosa. Mas pegou o touro à unha para criar os três filhos e transformá-los em algo diferente de sua própria tragédia.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Não vou entrar nesse mérito, mas todos temos cicatrizes. Algumas tão bem guardadas que a simples lembrança já causa desespero e dor.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_JZNiMk8huMA/TQLGEJb-fWI/AAAAAAAAAP4/BUuzYPjgn5c/s1600-h/stitches5.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="stitches" border="0" alt="stitches" src="http://lh5.ggpht.com/_JZNiMk8huMA/TQLGEptEfiI/AAAAAAAAAP8/HzKNoDksVLE/stitches_thumb3.jpg?imgmax=800" width="396" height="208" /&gt;&lt;/a&gt;E são exatamente esses sentimentos que embalam o belíssimo &lt;strong&gt;Cicatrizes&lt;/strong&gt;, de &lt;a href="http://davidsmallbooks.com/" target="_blank"&gt;David Small&lt;/a&gt; (Editora Leya, R$ 40,00 em média)&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Aos quatorze anos, meninos ou meninas, nosso corpo é uma brincadeira de mau gosto. Sentimos coisas diferentes de tudo o que se sentiu até então, nossos hormônios explodem o desejo, a adrenalina não nos deixa dormir, se cresce muito em pouco tempo, um monte de pêlos começam a aparecer em lugares que pensamos que nunca teriam aquilo…&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Se você tem essa idade, não vai entender o que vou falar agora, mas a festa de verdade começa aí, na adolescência.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Agora imagine você com essa idade exatamente na virada da página da história do século XX: a década de 50. Numa família estranha, com um pai omisso e uma mãe repressora, onde o silêncio era a Lei e todas as coisas importantes eram empurradas para debaixo do tapete.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;E com uma porcaria dum caroço em seu pescoço, crescendo vagarosamente, te envergonhando, incomodando, te tornando alguém para quem as pessoas olham do jeito errado de se olhar alguém.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Até que chega o grande dia em que o bom doutor irá retirar aquele cisto.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Quando você acorda, descobre que foi-se o cisto e junto com ele sua voz e toda a vida que você conhecia – e que já não era lá das mais tranquilas.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Eu mal consigo imaginar o impacto disso num garoto de quatorze anos. Não era um cisto, era câncer. Causado pela ingenuidade médica de uma época, onde seu próprio pai teve um papel de destaque.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;E ele descobriu sua doença da pior maneira.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_JZNiMk8huMA/TQLGFzXDNxI/AAAAAAAAAQA/_ZTJXNVPUx8/s1600-h/stitches_scar5.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 19px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="stitches_scar" border="0" alt="stitches_scar" align="left" src="http://lh6.ggpht.com/_JZNiMk8huMA/TQLGGglZd6I/AAAAAAAAAQE/UoJxerhEVuc/stitches_scar_thumb2.jpg?imgmax=800" width="212" height="261" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;David Small produziu um dos gibis mais introspectivos da história. Um gibi construido à partir de sua própria dor. Página a página nos são oferecidas doses de rancor e ódio, de verdades escondidas e ações incompreensíveis. O que teria tudo para se tornar uma história chata e melancólica na verdade se tornou um gibi perturbador. E lindo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Famoso ilustrador de livros infantis, Small utilizou sua apurada técnica para criar imagens esmagadoras, onde realidade e fantasia se misturam. Dos sonhos próprios da infância até a dor da descoberta de que essa mesma infância chegara ao fim, acompanhamos esse jovem David por caminhos sinuosos, na construção de um caráter forjado no desprezo de sua mãe e em seu silêncio forçado.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Um a um os segredos daquela família são desvendados. A loucura, a doença, a infelicidade, a frustração. Um passeio numa montanha russa desgovernada, com um dos trilhos quebrados bem na sua frente, ainda seria menos conturbada do que a vida daquele menino mudo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;E em nenhum momento – e aí está o principal truque da narrativa – Small caiu na tentação do estereótipo, do maniqueísmo. Seus personagens são complexos e dúbios como devem ser os seres humanos – e não poderia ser diferente. O mérito de Small foi captar, tanto no roteiro quanto nas belíssimas aquarelas, frações daquelas personalidades. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Cicatrizes não é apenas um bom gibi, é uma ótima história. Daquelas que enchem os olhos d’água. Poderia ser um filme, um livro, uma canção ou uma ladainha. Mas para nossa felicidade calhou de ser uma história em quadrinhos. E uma daquelas inesquecíveis, que serão discutidas, conversadas e apresentadas aos nossos filhos. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Algumas cicatrizes nunca serão apagadas de nosso corpo ou nossa memória e Small expôs as suas com uma honestidade surpreendente. Ler seu gibi, viver aquela adolescência trágica, é uma experiência única que nos faz ter um pouco mais de coragem para enfrentarmos nossas próprias poções de dor e desespero.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_JZNiMk8huMA/TQLGHcUVMVI/AAAAAAAAAQI/aXtCb1IjCNs/s1600-h/stitches_disappear4.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="stitches_disappear" border="0" alt="stitches_disappear" src="http://lh3.ggpht.com/_JZNiMk8huMA/TQLGHz4dF4I/AAAAAAAAAQM/uJ_k-VP5EB8/stitches_disappear_thumb1.jpg?imgmax=800" width="399" height="495" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-4858143642050521683?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/4858143642050521683/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2010/12/cicatrizes-e-desespero_5474.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/4858143642050521683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/4858143642050521683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2010/12/cicatrizes-e-desespero_5474.html' title='Cicatrizes e Desespero'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/_JZNiMk8huMA/TQLGDtpKGMI/AAAAAAAAAP0/-vCwng2U5Qc/s72-c/cicatrizes1_thumb1.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-2285924079541369080</id><published>2010-11-29T23:40:00.005-02:00</published><updated>2011-01-04T20:38:50.444-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Flavio Colin'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Terror'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos Nacionais'/><title type='text'>Doce de Leite &amp; Café Forte</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;font size="5" face="Comic Sans MS"&gt;“Quadrinho é minha cachaça”&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;font size="2"&gt;Flávio Colin&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_JZNiMk8huMA/TPRV2MuXcRI/AAAAAAAAAPQ/ZtDB5-H_cWQ/s1600-h/Flavio_Colin%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto; padding-top: 0px" title="Flavio_Colin" border="0" alt="Flavio_Colin" src="http://lh3.ggpht.com/_JZNiMk8huMA/TPRV4yJDBLI/AAAAAAAAAPU/UvwH666Ym3Y/Flavio_Colin_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" width="295" height="361" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Eu ainda era contínuo (um nome bacana para office boy) na Pecúnia Financeira, no centro de São Paulo. Tinha de 14 para 15 anos e estava fascinado por um cara que tinha acabado de sair nas bancas num gibi do Batman. Aquele gibi era uma das coisas mais alucinadas que eu lera até então. E aquele traço era fenomenal.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O tempo provou que Frank Miller, apesar das oscilações em sua carreira, é um gênio narrativo. E seu Cavaleiro das Trevas é um clássico incontestável.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Mas eu era uma criança e deixava me impressionar muito facilmente. Quando li o Cavaleiro das Trevas, embora não soubesse, já havia lido outros gênios. Jack Kirby e seu Quarteto Fantástico, Neal Adams naquele mesmo Batman, Lee Falk e Ray Moore no Fantasma, Al Capp e sua subversiva família Buscapé…&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;E um cara chamado Colin.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Mas como disse, eu era ainda uma criança. Nunca naqueles poucos anos de vida teria conseguido entender que o traço de Miller é uma brincadeira infantil frente à expressividade crua e cinza de Flavio Colin.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Só fui compreender isso quase duas décadas depois.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Flavio Colin foi – sem dúvida alguma – o maior gênio dos quadrinhos nacionais. Com seu estilo único e estilizado, desenhou de tudo: desde as aventuras policiais do “O Anjo”, no final da década de 50, até quadrinhos eróticos na gaúcha Grafipar, passando boa parte de sua produção entretido com histórias de terror (que ele mesmo confessou ser um de seus estilos preferidos).&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Mas Colin, dizem os amigos, morreu entristecido. Amargurado por não ter condições dignas de trabalho e por não ter conseguido alcançar um de seus maiores sonhos, pelo qual lutou por toda a vida: uma indústria de quadrinhos legitimamente nacional.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Por quase 05 décadas, esse exímio narrador embalou a infância de pelo menos 03 gerações de leitores. Nos últimos anos de vida, sua produção – e a da maior parte dos grandes desenhistas nacionais – foi definitivamente ignorada em favor da publicação de materiais importados.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Mas o último ato desse espetáculo chamado Flavio Colin nos reservou uma cena belíssima, daquelas que nos comovem e dão a noção exata de tudo o que tínhamos e perdemos.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Srbek &amp;amp; Colin&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://maisquadrinhos.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Wellington Srbek&lt;/a&gt; é um jovem veterano. Apesar de seus 30 e poucos anos, o roteirista mineiro já tem uma década e meia de carreira. Sua produção independente destaca-se pela qualidade de seus roteiros, sempre intensos e muito bem costurados. O que ele faz em meia dúzia de páginas muita gente tarimbada não consegue em oitenta.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Seu último trabalho – &lt;a href="http://lilloparra.blogspot.com/2010/09/ao-verme-que-primeiro-roeu-as-frias.html" target="_blank"&gt;Memórias Póstumas de Brás Cubas&lt;/a&gt;, em parceria com J.B.Melado – é uma aula de como se adaptar uma obra literária para os quadrinhos sem descaracterizá-la.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Não bastasse isso, Srbek proporcionou aos quadrinhos nacionais a oportunidade única de vermos Colin em sua melhor forma.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;A parceria entre os dois durou de 1998 a 2002 e foi responsável por um álbum de 144 páginas e mais 04 histórias curtas.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_JZNiMk8huMA/TPRV5zKI6dI/AAAAAAAAAPY/vNwTS0fas48/s1600-h/untitled%5B3%5D.png"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 19px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="untitled" border="0" alt="untitled" align="left" src="http://lh5.ggpht.com/_JZNiMk8huMA/TPRV6jba2yI/AAAAAAAAAPc/737XoQc8bCY/untitled_thumb%5B3%5D.png?imgmax=800" width="164" height="232" /&gt;&lt;/a&gt;E já começamos com um clássico dos quadrinhos nacionais: &lt;strong&gt;Estórias Gerais&lt;/strong&gt; (Troféus Angelo Agostini de Melhor Roteirista e Melhor Desenhista de 2001, Troféus HQ MIX de Melhor Graphic Novel Nacional e Melhor Roteirista de 2001).&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Mais do que um álbum de quadrinhos, é uma homenagem ao sabor brasileiro de se contar histórias. De Guimarães Rosa à brejeirice própria dos caboclos de nosso sertão, o roteiro de Srbek passeia pelo norte das Gerais do começo do século XX, com direito a jagunços, pactos demoníacos, matas fechadas com onças famintas, romances e mortes violentas.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Mas apenas a boa história não parece ter sido suficiente para esse talentoso roteirista. Ele escreveu toda a narrativa pensando unicamente no traço de Colin. Não serviria outro. Aquela era uma história para um desenhista em especial.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O resultado é simplesmente um dos melhores gibis brasileiros de todos os tempos. Colin não poupa talento, seus quadros possuem uma riqueza de detalhes raramente vista em qualquer outro artista. Mas não pensem que para isso ele “recheou” suas cenas com elementos decorativos. Sua virtuosidade reside exatamente em seu traço limpo, exuberante e minimalista. Basta conferir a cena do ocaso do vilão principal da história – Antonio Mortalma – com sua cabeça na bandeja da mucamba de quem desfrutara prazeres forçados na noite anterior. Poucas vezes se viu tanto ódio e desprezo materializados de forma tão genial num único quadro.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Finalizado em 1998 mas somente lançado em 2001, com o apoio da Prefeitura de Belo Horizonte, Estórias Gerais foi relançado em 2007 pela Conrad, dessa vez acompanhado de “&lt;strong&gt;Estória de Onça&lt;/strong&gt;”, narrativa curta com um dos personagens da trama principal. Teve ainda uma edição espanhola em 2006. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;quot;&lt;strong&gt;A Companhia das Sombras&lt;/strong&gt;&amp;quot; (lançada em 2000 na revista &lt;strong&gt;Mirabilia&lt;/strong&gt; – Troféu HQ MIX de Melhor Revista de Aventura &amp;amp; Ficção), &amp;quot;&lt;strong&gt;Uma Noite no Fim do Mundo&lt;/strong&gt;&amp;quot; (lançada em 2001 na revista &lt;strong&gt;Fantasmagoriana&lt;/strong&gt; - Troféu Angelo Agostini de Melhor Roteirista e Troféu HQ MIX - Melhor Graphic Novel Nacional) e &amp;quot;&lt;strong&gt;Admirável Novo Mundo&lt;/strong&gt;&amp;quot; (lançada em 2002 na revista &lt;strong&gt;Mystérion&lt;/strong&gt;) são 03 histórias de terror que se completam e melhoram ainda mais quando lidas em sequência, tamanha sua unidade narrativa.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;03 histórias sobrenaturais passadas em épocas distintas, com seres imortais, representações bíblicas e folclóricas e uma boa quantidade de fantasmas: os roteiros de Srbek foram como um bom prato de tutu a mineira para o mestre Colin. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_JZNiMk8huMA/TPRV7inePZI/AAAAAAAAAPg/mgP4iEFxKQg/s1600-h/Fantasmagoriana%5B2%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 0px 0px 19px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="Fantasmagoriana" border="0" alt="Fantasmagoriana" align="right" src="http://lh6.ggpht.com/_JZNiMk8huMA/TPRV8VkUqpI/AAAAAAAAAPk/Lvg8G8apgts/Fantasmagoriana_thumb.jpg?imgmax=800" width="161" height="244" /&gt;&lt;/a&gt;Vemos ali algumas das mais belas páginas de nossos quadrinhos de terror. A cena da Procissão das Almas em “Uma Noite no Fim do Mundo” é um deleite: centenas de almas desgraçadas, conduzidas por um padre morto, rumo a uma missa macabra e trágica. Cada detalhe do roteiro é multiplicado pela exuberante arte. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Em “A Companhia das Sombras”, temos em apenas 12 páginas uma das melhores histórias de terror dos últimos tempos. O Cortejo Fúnebre da história é magnífico, com destaque especial para a rastejante Preguiça (sim, aquela dos sete pecados capitais), uma visão impressionante. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Em “Admirável Mundo Novo” temos a última história produzida pelo Mestre Colin. Não percebemos sua idade naquelas páginas, não vemos sequer uma única pista de que aquelas seriam suas últimas ilustrações. O que vemos é um desenhista vigoroso, no esplendor de sua técnica, conduzindo o leitor por um Rio de Janeiro fantasmagórico do século XIX.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Colin escreveu em uma de suas inúmeras cartas a Srbek: “Você é o roteirista que sempre me faltou.”&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Ao lermos a produção da dupla podemos perceber que as palavras do velho mestre não foram apenas uma lisonja ao parceiro. Em cada história, em cada quadro, percebemos algo sagrado numa história em quadrinhos: paixão.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Não são apenas histórias bem feitas, são algo vivo, orgânico, retorcendo-se sob os dedos de quem segura o gibi. Nunca antes se viu e infelizmente nunca mais se verá Colin tão a vontade em uma história.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;É doce de leite com café forte, numa mistura saborosa e indecifrável. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Logo depois de “Admirável Mundo Novo”, Colin resolveu sair de cena, quase em silêncio. Não esperou os aplausos pois não guardava esperanças de que eles viessem. Tampouco a platéia entendeu que o espetáculo havia terminado. Apenas alguns raros espectadores e o pessoal da coxia perceberam o que aconteceu.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Num mundo perfeito – menos mesquinho e egóísta, onde o lucro fácil seria deixado de lado a favor do talento – Colin figuraria ao lado dos grandes gênios em qualquer lista de qualquer lugar do mundo. Sendo estudado e admirado como Eisner, Kirby ou Tezuka.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Mas isso num mundo perfeito. Nesse nosso cruel feudo editorial, apenas os familiares, os companheiros de trabalho – antigos como Shimamoto e Ota ou novos como Srbek e Diniz – acompanhados de antigos fãs, entenderam o tamanho da dor daquele 13 de agosto de 2002.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Eu tinha 14 anos quando fiquei impressionado com “O Cavaleiro das Trevas” mas demorei quase 20 para entender toda a genialidade daquele cara que eu lia nas revistas Calafrio e Spektro da minha infância.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Espero que as crianças que hoje facilmente se impressionam com mangás ou essas intermináveis séries mutantes sejam mais rápidas que aquele inocente adolescente de 1987 e tenham um dia o desprendimento de desfrutarem o prazer único de ler um verdadeiro gênio do traço.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_JZNiMk8huMA/TPRV82PgHyI/AAAAAAAAAPo/uWgAQUlxjyg/s1600-h/Colin2%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="Colin2" border="0" alt="Colin2" src="http://lh5.ggpht.com/_JZNiMk8huMA/TPRV-KFMqRI/AAAAAAAAAPs/U1JKmgBd1sU/Colin2_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="398" height="231" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Para saber mais sobre a dupla Srbek/Colin, acesse o marcador Flavio Colin, no &lt;a href="http://maisquadrinhos.blogspot.com/search/label/Flavio%20Colin" target="_blank"&gt;Mais Quadrinhos&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não deixe também de acessar a excelente entrevista com Flavio Colin publicada pelo &lt;a href="http://www.universohq.com/quadrinhos/entrevista_colin.cfm" target="_blank"&gt;Universo HQ.&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-2285924079541369080?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/2285924079541369080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2010/11/doce-de-leite-cafe-forte_7062.html#comment-form' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/2285924079541369080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/2285924079541369080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2010/11/doce-de-leite-cafe-forte_7062.html' title='Doce de Leite &amp;amp; Café Forte'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDzVdWRA/S220/GIBI_FIM.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/_JZNiMk8huMA/TPRV4yJDBLI/AAAAAAAAAPU/UvwH666Ym3Y/s72-c/Flavio_Colin_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3901829784319131866.post-8511142914395976869</id><published>2010-11-20T23:59:00.005-02:00</published><updated>2011-01-04T20:38:50.469-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos Românticos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quadrinhos'/><title type='text'>12 Razôes Para Amá-la…</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/_JZNiMk8huMA/TOh8x5T7wII/AAAAAAAAAO0/qizQlcH2ZWg/s1600-h/capa_250%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 12px 6px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="capa_250" border="0" alt="capa_250" align="left" src="http://lh6.ggpht.com/_JZNiMk8huMA/TOh8ynK_wmI/AAAAAAAAAO4/Off1tkh2lrw/capa_250_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="207" height="309" /&gt;&lt;/a&gt;Confesso que fui um canalha. Não me orgulho disso, é verdade, mas fui um canalha da pior espécie. Possuia uma vida dupla: até um determinado horário era um bom moço, namorava sério – na casa dos pais dela – tinha emprego fixo e era tido por todos como um menino “muito ajuizado, uma benção para sua mãe”; depois da meia noite eu virava abóbora – literalmente.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Deixava minha namorada na porta da casa dela, com aquelas juras de amor próprias da adolescência e, ao virar a esquina, entrava num velho passat que pertencia ao meu amigo Cassio, e não era um desses modernos modelos que desfilam nas ruas hoje em dia e sim aquele passat velhão, que corria feito o diabo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;E íamos pra vida de verdade.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Nessa época – como já relatei na resenha de &lt;a href="http://lilloparra.blogspot.com/2010/06/xampu-sexo-rock-e-o-canto-da-boca.html" target="_blank"&gt;Xampu&lt;/a&gt; – eu era um completo alucinado. E infiel – muito infiel.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;19 de junho de 1996. Uma noite de sábado como outra qualquer. Chegamos – eu e o Cassio -&amp;#160; no bar do Aranha, lá na Vila Formosa, sentamos e foi então que eu vi uma guria magrela, esboçando uma dança ao som de Chico Cesar. O Alê – principal músico do bar na época – sempre mandou muito bem Chico Cesar.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;A música, a luz vascilante e a silhueta daquela menina formavam uma paisagem perfeita.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Eu tinha que beijá-la. Pedi pro Aranha mandar um torpedo enrolado na boca de uma garrafa de cerveja, isso num guardanapo de papel – celulares ainda eram artigos de luxo na época. Não lembro o que escrevi, mas devia ser bonito, porque o torpedo voltou. Lembro de memória até hoje o que estava escrito:&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;“Estou me sentindo como o poeta, que viu o mar pela primeira vez”.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Era uma referência à música &lt;a href="http://letras.terra.com.br/flavio-venturini/67265/" target="_blank"&gt;Todo o Azul do Mar&lt;/a&gt;, de Flavio Venturini e Ronaldo Bastos, imortalizada na voz do primeiro. O nome da menina era Cátia e começava ali a melhor viagem da minha vida. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Mas eu já volto nesse assunto. Vamos falar um pouco sobre gibis. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Há cerca de 03 semanas comprei &lt;strong&gt;12 Razões Para Amá-la&lt;/strong&gt;, de &lt;strong&gt;Jamie S. Rich e Joëlle Jones&lt;/strong&gt;. Uma edição muito bem acabada da Devir Livraria, p&amp;amp;b, formatinho, lançada em 2007 e com respeitáveis 154 páginas.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Quadrinhos românticos? Eu?&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Bem, vá lá. Era a melhor coisa que tinha na banca mesmo…&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O gibi conta, em ordem aparentemente aleatória, 12 episódios da vida amorosa de Gwen e Evan. À primeira vista, parece que o gibi não tem nenhum roteiro, mas você vai perceber que ele existe assim que terminar a última página. E é um roteiro excepcional.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;E não pense que é uma daquelas histórias fofinhas, cheias de corações esteriotipados, onde o conflito centra-se na busca do amor da donzela pelo príncipe encantado e nos perigos que enfrentarão até o “felizes para sempre”. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Não existem príncipes ou donzelas ali. Apenas um casal. Duas pessoas se curtindo e se odiando.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Uma vida a dois – qualquer vida a dois – pode dar um filme bom ou ruim. Sempre achei que o roteiro é escrito durante o relacionamento. Pega-se 04 ou 05 momentos cruciais na vida de qualquer casal e você terá um filme. Esses momentos podem ter ocorrido em um ano, dez ou cinquenta. Se você souber trabalhar tais momentos em duas horas de projeção você terá um sucesso de bilheteria.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Apenas 05 momentos. Todo o restante do tempo você se preparou para ou sofreu as consequências de um daqueles momentos. São essas situações que redefinem toda uma existência.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;A história de duas pessoas pode ser vista como um conto de fadas ou um pesadelo. Só depende da qualidade do roteirista.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Pois bem, &lt;strong&gt;12 Razões Para Amá-la&lt;/strong&gt; tem um que é excepcional. &lt;strong&gt;Jamie S. Rich&lt;/strong&gt; captou com inusitada beleza e realismo momentos de ternura, ódio e amor. Brigas banais, noites inesquecíveis, indiferença, tesão: o roteiro de &lt;strong&gt;12 Razões&lt;/strong&gt; é o roteiro de uma vida igual a vida de qualquer um de nós, só que em quadrinhos. A forma como os capítulos vão se encaixando na sua cabeça chega a ser assustadora, tal sua semelhança com os processos físicos da memória. Uma lembrança levando à outra, que pode ter acontecido antes ou depois daquele momento de que você se lembrou primeiro.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/_JZNiMk8huMA/TOh81TrlBPI/AAAAAAAAAO8/0eSy8zkHO-E/s1600-h/preview_006%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 0px 0px 14px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="preview_006" border="0" alt="preview_006" align="right" src="http://lh6.ggpht.com/_JZNiMk8huMA/TOh82en43II/AAAAAAAAAPE/nr4UOm6xF5I/preview_006_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" width="189" height="281" /&gt;&lt;/a&gt;A arte de &lt;strong&gt;Joëlle&lt;/strong&gt; é outro ponto que merece destaque. Seu estilo é muito próximo ao Mangá, mas apenas no traço.&amp;#160; Sua composição de cada quadro é limpa e elegante. Ela se utiliza daquela expressividade exagerada tão comum nos quadrinhos orientais apenas em momentos chave dentro de cada capítulo, aumentando ainda mais a sensação de &lt;em&gt;deja vu&lt;/em&gt;&amp;#160; que o excelente roteiro já proporciona.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Naquela noite de 1996 minha vida virou de cabeça pra baixo. Terminei aquele namoro certinho de 07 anos e comecei a escrever um outro roteiro, com todos os ingredientes possíveis: ora doces, ora amargos, e muitas vezes com tudo isso misturado.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Aquela mulher está ao meu lado até hoje. Valeu a pena? &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Cristo! Ela faz a vida valer a pena.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Ela é a principal razão pela qual escrevo, mesmo que seja sobre quadrinhos. Ela é tudo o que eu preciso para continuar respirando.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;12 Razões Para Amar&lt;/strong&gt; me fez recordar que aquele torpedo – um ato tão banal para mim na época – foi a maior decisão que tomei em minha vida e que a mudou de uma forma irremediável.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Fez eu me lembrar que tudo o que gosto e odeio em minha esposa é exatamente o motivo de estarmos juntos até hoje.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;12 Razões Para Amar&lt;/strong&gt; não tem um final feliz mas tem um final perfeito. É a vida de verdade que eu encontrei quando subi naquele passat naquela noite de 1996.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/_JZNiMk8huMA/TOh842P-hII/AAAAAAAAAPI/MW80BfeZTw4/s1600-h/Catia.jpg%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="Catia.jpg" border="0" alt="Catia.jpg" src="http://lh5.ggpht.com/_JZNiMk8huMA/TOh86hPW2_I/AAAAAAAAAPM/IH5aVtqqmzY/Catia.jpg_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="396" height="298" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3901829784319131866-8511142914395976869?l=gibirasgado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gibirasgado.blogspot.com/feeds/8511142914395976869/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2010/11/12-razoes-para-ama-la_5625.html#comment-form' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/8511142914395976869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3901829784319131866/posts/default/8511142914395976869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gibirasgado.blogspot.com/2010/11/12-razoes-para-ama-la_5625.html' title='12 Razôes Para Amá-la…'/><author><name>Lillo Parra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02021344244136200795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_LMdztGjoux8/TRZMhaIMeoI/AAAAAAAAAA0/y8ZvDz
